A mobilidade sustentável tem se destacado no Rio Grande do Sul, à medida que a frota de veículos elétricos e híbridos se expande. Levantamento do Estado constata um aumento significativo no número desses veículos, refletindo uma tendência crescente em direção à eletrificação do transporte.

Foto: Susi Mello/GES-Especial
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Em 2024, a frota de elétricos no Estado era de 23.226 veículos. De acordo com os dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), do governo do Rio Grande do Sul, esse número representa um crescimento de 80,6% em comparação a 2023, quando a frota era de apenas 12.861 veículos, aumento que sinaliza a clara mudança no perfil dos motoristas gaúchos.
“Se mantivermos 80% de crescimento a expectativa é de, em dez anos, a frota de eletrificados supere a frota de veículos de combustão”, estima o diretor técnico do Detran/RS, Fábio Pinheiro dos Santos.
Ainda, segundo o Detran, até maio deste ano, de uma frota total de veículos no Estado de 7.929.023, a frota de elétricos e híbridos era 28.471, enquanto que não elétricos 7.900.552.
Os números são visíveis nas ruas, onde veículos elétricos e híbridos ganham espaço, tanto para quem trabalha como motorista de aplicativo, especialmente entre os profissionais que querem reduzir o gasto com combustível, como para quem tem a consciência de dirigir um automóvel que beneficie o meio ambiente, buscando contribuir para um mundo mais sustentável.
Esses dados indicam uma mudança significativa nas preferências dos consumidores. Com a média de crescimento da frota não elétrica variando entre 2,1% e 3,0% nos últimos anos, o crescimento explosivo dos veículos eletrificados sugere uma consciência ambiental crescente entre os cidadãos e uma adaptação ao novo cenário de mobilidade.
Afinal de contas, de 2015 para 2024, a evolução anual nos elétricos teve crescimento que variavam de 18,4% (em 20216 sobre 2015) a 89,2%,, como foi registrado em 2019 sobre o ano imediatamente anterior.
Quem dirige aprova a troca do carro a combustão por versão elétrica

Foto: Arquivo pessoal
Exemplos de quem já migrou para o elétrico não faltam. Vinícius Rodrigues, 31 anos, motorista de aplicativo há oito meses, é um dos adeptos do avanço desse tipo de transporte.
Trocou o veículo por combustão, o qual precisava desembolsar mensalmente R$4 mil em gasolina, por um modelo elétrico da Renault, o Kwid E-Tech. “O valor que usava em gasolina dá para pagar duas prestações deste novo”, conta o motorista, que elogia o conforto e a facilidade em dirigir. “Até a minha irmã, que também é motorista de aplicativo, está pensando em adquirir um”, antecipa.
Já o médico coloproctologista, Pitágoras Kieling Junior, 57 anos, conta que a decisão por um veículo elétrico não foi apenas por uma questão de economia, mas também uma atitude em relação ao meio ambiente, comportamento que já faz parte de sua vida. “A minha esposa é engenheira ambiental.
A gente coleta água da chuva, faz compostagem e tem energia solar em casa”, comenta, explicando que essas práticas demonstram o compromisso com a sustentabilidade.
Além disso, o médico observa que a preocupação com a poluição e as emissões de carbono é um fator importante na decisão. “Sabemos que um dos grandes poluidores do planeta hoje é a queima de combustíveis fósseis”, sublinha.
O gerente do Rissul, em Novo Hamburgo, Luís César da Silva, conta que percebe o crescimento do mercado de veículos elétricos por conta do serviço prestado pelo supermercado. Na unidade da Avenida Nações Unidas são quatro carregadores disponíveis para clientes em compras. “Desde janeiro deste ano temos os carregadores. No início a procura era baixa, mas agora há períodos do dia em que todas as quatro vagas com os carregadores estão ocupadas”, informa.

Foto: Susi Mello/GES-Especial
Transição para o veículos eletrificados deve se consolidar cada vez mais
“Eu considero que não é uma moda, mas uma tendência que chegou, vai ficar e está em um ponto que não converge para retroceder”, declara o técnico em Mecatrônica, com especialização na área elétrica, João Igor Göethel Dutra. Desde 2018, ele tem uma empresa que trabalha com instalação de carregadores, a JS Elétricos, de São Leopoldo, que atende clientes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Dutra acredita que a aquisição dos veículos elétricos ocorre especialmente motivado pela economia que proporciona, além da tecnologia embarcada nos modelos atuais e a resposta rápida do acelerador. No entanto, a preocupação ambiental, embora presente, ainda não é o principal fator para a maioria dos compradores. “Hoje o percentual de pessoas que adquire por questões ambientais é muito baixa, embora a redução de emissões de poluentes seja uma consequência muito positiva”, salienta.
Sobre as desvantagens, ele mencionou que os moradores de condomínios frequentemente enfrentam dificuldades para instalar carregadores. “Trabalhamos com isso e sabemos que a infraestrutura precisa ser aprimorada”, comentou. Contudo, ele também ressaltou que a estrutura de recarga no Brasil tem evoluído.
“Hoje, viajar entre São Paulo e Porto Alegre, por exemplo, é possível, realizando apenas quatro paradas para recarga”, exemplifica. Para isso, acrescenta, a necessidade de planejamento é essencial. “Se você vai viajar mais de 700 quilômetros precisará parar para abastecer, e essa parada pode ser aproveitada para um almoço ou um café”, disse. Ele também lembrou que é possível recarregar uma boa parte da bateria em cerca de 30 minutos. O especialista aconselha que as viagens sejam bem programadas, com atenção aos pontos de recarga ao longo do trajeto.
Isenção do IPVA para incentivar
O Estado, segundo a Secretaria da Fazenda, concede isenção do IPVA para veículos de força motriz elétrica (100% elétricos) desde 1996, com o objetivo de incentivar a entrada desse tipo de tecnologia no mercado.
Para usufruir do benefício, explica a pasta, o veículo deve estar classificado pela Secretaria Nacional de Trânsito como automóvel movido à propulsão elétrica. A isenção é automática, não sendo necessário nenhum procedimento por parte dos proprietários.
O IPVA é um dos três impostos estaduais, e os recursos são de aplicação livre em qualquer área – não são, portanto, vinculados à manutenção de rodovias. Metade da arrecadação com o imposto é repassada para os municípios onde os veículos pagadores estão emplacados.
Desafios que farão parte de congresso no final do ano
O avanço dos veículos elétricos no Rio Grande do Sul traz à tona uma série de desafios que precisam ser enfrentados para garantir a segurança e a eficiência dessa nova mobilidade.
O diretor técnico do Detran/RS, Fábio Pinheiro dos Santos, que abordou o assunto no último South Summit, levantando preocupações sobre registro, remoção, fiscalização e peças de reposição, destaca que há debates sobre a formação de condutores e a infraestrutura necessária para acomodar esse crescimento, especialmente no que diz respeito aos postos de carregamento.
“Desde dezembro, temos promovido discussões com centros de formação de condutores sobre as novas demandas que a chegada dos veículos elétricos impõe”, explica Santos. A formação, continua, precisa ser repensada, pois os carros elétricos são, por natureza, automáticos, enquanto a legislação atual exige que o exame prático de direção seja realizado em veículos manuais.
“Já fizemos esse pedido de alteração e estamos constantemente debatendo na Câmara Temática da Senatran para que tenham um novo olhar. Não existe veículo elétrico manual e a questão é como esse condutores serão formados se têm experiência em outra tecnologia?”, indaga. O diretor técnico do Detran salienta que está sendo criado fórum de debates envolvendo diversos órgãos e entidades para discutir como melhorar a mobilidade urbana e implementar pontos de carregamento nas vias urbanas e prédios.
Discussões irão culminar, complementa, no Congresso Nacional de Trânsito “Integração e mobilidade, construindo um sistema nacional de Trânsito conectado, seguro, eficiente e inovador”, em Gramado, programado para novembro, onde todas essas questões estarão em pauta, incluindo as mudanças necessárias nas legislações municipais e federais.
“Nosso Estado está aceitando bem essa nova experiência com veículos elétricos, mas a infraestrutura ainda é insuficiente”, frisa. Porém, complementa, tal situação abre um leque de oportunidades para o desenvolvimento de novos negócios e parcerias, similar ao que foi feito na Noruega, onde mais de 80% dos veículos são elétricos, graças a uma colaboração entre o Estado e o setor privado.
Evolução no Estado
| FROTA ELÉTRICOS | QUANTIDADE | EVOLUÇÃO % |
| 2014 | 241 | – |
| 2015 | 309 | 28,2% |
| 2016 | 366 | 18,4% |
| 2017 | 574 | 56,8% |
| 2018 | 854 | 48,8% |
| 2019 | 1.616 | 89,2% |
| 2020 | 2.728 | 68,8% |
| 2021 | 4.725 | 73,2% |
| 2022 | 7.464 | 58,0% |
| 2023 | 12.861 | 72,3% |
| 2024 | 23.226 | 80,6% |
| FROTA NÃO ELÉTRICOS | QUANTIDADE | EVOLUÇÃO % |
| 2014 | 6.023.455 | – |
| 2015 | 6.234.461 | 3,5% |
| 2016 | 6.403.176 | 2,7% |
| 2017 | 6.574.126 | 2.7% |
| 2018 | 6.771.910 | 3,0% |
| 2019 | 6.975.988 | 3,0% |
| 2020 | 7.138.290 | 2,3% |
| 2021 | 7.303.477 | 2,3% |
| 2022 | 7.454.425 | 2,1% |
| 2023 | 7.624.998 | 2,3% |
| 2024 | 7.827.466 | 2,7% |
| FROTA TOTAL | ||
| 2014 | 6.023.696 | – |
| 2015 | 6.234.770 | 3,5% |
| 2016 | 6.403.542 | 2,7% |
| 2017 | 6.574.700 | 2,7% |
| 2018 | 6.772.764 | 3,0% |
| 2019 | 6.977.604 | 3,0% |
| 2020 | 7.141.018 | 2,3% |
| 2021 | 7.308.202 | 2,3% |
| 2022 | 7.461.889 | 2,1% |
| 2023 | 7.637.859 | 2,4% |
| 2024 | 7.850.692/ | 2,8% |
Fonte Detran/RS