O Governo do Rio Grande do Sul trabalha na criação de um protocolo integrado para atendimentos envolvendo pessoas em surto psicótico. O anúncio foi feito pelo secretário estadual de Segurança Pública, Mário Ikeda, durante coletiva de imprensa no Palácio Piratini. A expectativa é de que o documento seja divulgado ainda em janeiro, com regras unificadas para orientar o acionamento e a atuação das equipes em ocorrências desse tipo.
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Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Segundo Ikeda, a proposta está sendo construída em conjunto pela Secretaria Estadual da Saúde, Secretaria de Segurança, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros e Samu. A ideia é alinhar procedimentos e reduzir falhas na comunicação entre os serviços, já que, até então, cada órgão atuava com protocolos próprios.
“Fazer a divulgação do protocolo, aí é um protocolo que está sendo trabalhado entre Secretaria da Saúde, Secretaria de Segurança, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros e SAMU, é um protocolo integrado. É lógico que cada órgão desse tinha o seu protocolo próprio e agora estamos fazendo a integração dos protocolos e também padronizando o atendimento telefônico para que nós tenhamos parâmetros semelhantes para todas as forças”, afirmou o secretário.
Além da integração operacional, o governo pretende padronizar o atendimento telefônico, considerado um ponto-chave para definir o tipo de resposta e o envio das equipes com mais precisão. O objetivo é que o encaminhamento da ocorrência siga critérios semelhantes desde o primeiro chamado até a abordagem no local.
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A discussão sobre protocolos ganhou força diante do aumento de episódios envolvendo pessoas em crise psiquiátrica atendidas pelas forças de segurança. Em muitos casos, os chamados começam como desavenças familiares ou ocorrências de violência doméstica e evoluem rapidamente para situações de risco, exigindo resposta imediata e ações coordenadas.
Nesta semana, um caso de atendimentos terminou com morte durante intervenção policial.
Na terça-feira (13), um homem de 35 anos, identificado como Paulo José Chaves dos Santos, também morreu durante atendimento da Brigada Militar. Conforme a corporação, a equipe foi acionada para uma ocorrência de violência doméstica por volta das 6h e encontrou o homem em surto. A BM afirma que ele ameaçou os policiais com um martelo e avançou contra a guarnição, o que levou um dos brigadianos a efetuar três disparos. Familiares relataram que a vítima tinha diagnóstico de esquizofrenia e estava sob efeito de álcool. O caso é investigado pela Polícia Civil e também por inquérito militar.
Outros episódios semelhantes já haviam sido registrados no Estado, como em outubro de 2024, quando Edson Fernando Crippa, de 45 anos, com histórico de esquizofrenia, matou o pai, o irmão e dois policiais, em uma ocorrência que se estendeu por horas. Em 2023, em Parobé, Arildo da Silva, de 22 anos, morreu após uma abordagem policial durante um surto, caso em que familiares contestaram a versão de que ele teria avançado contra os agentes.
Com o novo protocolo, o governo afirma buscar mais organização no atendimento e critérios padronizados entre as forças, com foco em reduzir falhas e aprimorar a resposta em ocorrências de alta complexidade.
Aumento de câmeras corporais na região metropolitana
O governador Eduardo Leite destacou investimentos voltados à região metropolitana e ao Vale do Sinos para reforçar o combate à criminalidade. Segundo ele, o Estado tem R$ 2,2 bilhões em investimentos contratados em segurança, com entregas até o fim do ano. Leite citou a ampliação de câmeras corporais na Brigada Militar, com mais 1,5 mil unidades priorizadas para a região, além do avanço no cercamento eletrônico em municípios do RS Seguro.
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