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DIA DA MULHER

Com força e coragem: conheça três mulheres que dominam a segurança pública de Gramado e Canela

Diariamente, elas comandam órgãos de prevenção e repressão da região

Fernanda Steigleder Fauth
Publicado em: 07/03/2025 às 09h:59
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Neste sábado, 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. E em Gramado e Canela, são elas quem comandam, lideram e estão à frente de órgãos de segurança pública. A presença feminina desmistifica que, certas profissões, sejam de perfil masculino, por exigir força física, coragem e sangue frio para lidar com situações de risco.

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Hoje, a reportagem apresenta três mulheres que possuem destaque como servidoras públicas e atuam na área de repressão, investigação e prevenção. E mais do que isso, quem são elas além da vida profissional e como lidam com os desafios diários femininos.

Mulheres lideram equipes na segurança pública de Gramado e Canela



Mulheres lideram equipes na segurança pública de Gramado e Canela

Foto: Fernanda Fauth e Arquivo pessoal

A primeira sargento de Canela

“Mãe do Jan Felipe e do Otávio, esposa do policial Felipe e cria do Canelinha. Gosto de me definir assim porque sou nativa da região e sou uma mulher que vem de um bairro pobre, digamos assim, e tenho muito orgulho de dizer que sou de lá.” Assim se descreve Jéssika Assmann, que, em dezembro do ano passado, tornou-se a primeira sargento mulher da corporação de Bombeiros Militares da cidade, após passar por um procedimento interno na instituição.

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Sargento do Corpo de Bombeiros, Jéssika Assmann



Sargento do Corpo de Bombeiros, Jéssika Assmann

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

Com apoio da família, que a auxiliou com os afazeres domésticos e cuidados com os filhos, durante um mês estudava diariamente na madrugada das 19 às 7 horas da manhã. “Foram minhas aliadas. Fui aprovada e ai veio a parte dois, o teste físico. Contratei um profissional de Cross Fit, porque eu tinha que ter um resultado com explosão e sem me lesionar. E ele usou as ferramentas que tinha, fez um teste de perfil e conseguiu utilizar a meu favor”, relembra.

Ela foi a primeira motorista mulher de caminhão da Serra e também a primeira soldado a trabalhar na companhia, ao ser transferida em 2015. “Quando cheguei, foi uma quebra de paradigmas. Não tinha banheiro feminino, alojamento feminino. Os homens tinham suas práticas, rotinas, e eles precisaram se adaptar, eu tive que mostrar que tinha capacidade, que tinha força para atuar numa ocorrência tanto quanto eles, que sabia dirigir um caminhão”, reitera.

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“Como sargento, não foi necessário, porque já me conheciam. Às vezes me chamam de Fiona, porque sou mais macho que alguns”, brinca. “Acho que se assume essa carcaça, para se impor. Não com o efetivo, mas porque é preciso colocar respeito naquela cena, e às vezes por ser mulher”, complementa.

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Vocação

O sonho dela, contudo, era diferente quando mais nova. “Queria ser promotora de Justiça, inspirada na doutora Vera Corino. Via ela como mulher que ajudava crianças, famílias. Via que tinha poder para prender agressores, por exemplo”, revela.

Jéssika é formada na área, com pós em Direito Penal. Fez o concurso quando tinha 20 anos e passou, despretensiosamente, após a mãe inscrevê-la.

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A partir da primeira ocorrência, ainda aluna, viu que essa era a sua vocação. Na época, trabalhava em Taquara e cobriu um acidente de trânsito, em que a vítima estava em óbito e precisou ser retirada das ferragens. “Foi difícil, foi quando virou a chave que essa ia ser a profissão que ia trabalhar. E uma das maiores dificuldades é não vincular com famílias, amigos. E aí vem um pouco aquela coisa de mulher, se a vítima tem esposa, mãe. Não tem como só ligar e desligar um botão”, pontua.

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Para ela, tratar com humanidade cada ocorrência é essencial. “Se atende com amor, carinho, torna aquele momento mais confortável. Pequenos detalhes fazem muita diferença”, frisa a profissional.

O lado feminino não é mais deixado de lado. Entre as coisas que não abre mão, estão os cuidados mental e físico e maquiar-se para palestras e eventos. “No início eu não me arrumava. Porque acreditava que não tinha que estar feminina, tinha que estar operacional. Hoje eu virei a chave, não tenho que me masculinizar para estar na profissão, tenho que saber desempenhar, estão de prontidão. Mas minha feminilidade não preciso perder.”

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No comando do batalhão militar da região turística

“Mãe de uma menina de quatro anos, esposa de militar. Digo que minha história não tem nada apaixonante. Eu buscava a estabilidade do concurso público. E ao ver uma reportagem em um jornal sobre as primeiras mulheres da Brigada Militar promovidas na instituição, me interessei.”

Major Maldaner, comandante do 1º Bpat



Major Maldaner, comandante do 1º Bpat

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

Desde 2003 na instituição, Cláudia Maldaner entrou como soldado após passar por cinco fases. Ao se formar em Direito, prestou concurso para oficial e há cerca de um ano, foi promovida a major. “A Brigada é uma instituição muito democrática. Há muitos anos nós mulheres concorremos de forma igualitária com o sexo masculino. O percentual de mulheres dentro da instituição é de 20%”, coloca.

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Comandante do 1º Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (1º Bpat), foi uma das líderes da segurança que respondeu por informações do acidente aéreo, em dezembro de 2024. “Quando a gente vê numa grande operação, uma mulher comandando, vê uma certa desconfiança. É uma questão cultural, dos próprios civis envolvidos. Um exemplo é na queda do avião, quando não se sabe quem está à frente, procura-se a figura masculina. Às vezes nós mesmas. A gente percebe que ainda tem um olhar de ‘será que ela consegue, vai dar conta?'”, exemplifica.

Para ela, ser mãe também é prioridade. “Acho que é um ponto que pesa bastante. Por mais que a instituição seja democrática, muitas coisas a mulher acaba colocando a carreira em segundo plano. Muitas chances aparecem e por tu ser mulher, ter a condução da casa e dos filhos, acaba que coloca a profissão num segundo momento. De querer ficar mais tempo com a filha, ficar perto dela. Às vezes tu recebe mão de convites e tu teria que abrir mão de outras coisas. São escolhas de cada um”, reflete.

Conforme a major, o principal desafio também é saber equilibrar. “Toda mulher tenta. Ser você mesma, não abrir mão do que tu gosta, quer fazer, tentar ser uma boa mãe, uma boa esposa e tentar se organizar no trabalho, se doar.”

O autocuidado que não falta é a ida à academia. “Sou uma das primeiras a chegar. E dentro disso, sempre tentar estar com o cabelo organizado, uma maquiagem básica com protetor solar, com a unha feita”, diz.

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Manter equilíbrio emocional é desafio

“Mulher dinâmica, que luta pela justiça, que gosta do correto e tenta equilibrar profissão e família.” Desde a faculdade, a delegada Fernanda Aranha, que comanda a Polícia Civil de Gramado, São Francisco de Paula e Cambará do Sul, tinha interesse pelo Direito Penal. Com o concurso público altamente concorrido e que exige muita preparação, atualmente precisa lidar com desafios, como histórias difíceis.

Delegada de Gramado e São Francisco de Paula, Fernanda Aranha



Delegada de Gramado e São Francisco de Paula, Fernanda Aranha

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

“Lidamos com o sofrimento das vítimas e de suas famílias. É essencial manter o equilíbrio emocional para continuar prestando um trabalho eficiente e justo.” Mãe de gêmeos adolescentes e esposa do delegado de Canela, definese como “observadora, reservada e humana”. “Tenho este lado público pela profissão, mas gosto muito de ficar no meu canto também”, revela.

Com uma rotina puxada, com escalas de sobreaviso, afirma que é preciso disciplina. “A gente tenta dar conta do recado, tanto na delegacia quanto no gerenciamento do lar. A minha sorte é que tenho equipes muito boas.”

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Para ela, as mulheres enfrentam, em cada área de atribuição, dificuldades e resistências. “Pelo preconceito, por ocupar mesmos cargos na iniciativa privada e ter salários inferiores aos dos homens. Mas acredito que com trabalho sério, conseguimos trazer um olhar mais humanizado, as mulheres dão um toque.”

A própria delegacia passou por uma revitalização. “A mulher tem essa percepção, do quanto é importante o ambiente de trabalho, para o atendimento da comunidade, prestar melhor serviço público, chegar numa delegacia organizada, e ser atendido de forma eficiente, num prazo razoável. E um ambiente adequado, iluminado. E além desse olhar feminino, encontramos parceiros que puderam viabilizar essas melhorias, com apoio incondicional do Mocovi”, explica. “Mais acolhedor, tanto para o público, quanto para os servidores. Quem não gosta de trabalhar num ambiente mais organizado, com uma planta”, brinca.

Manter o lado feminino é desafiador, conforme a delegada. “A gente tem a tendência de se endurecer, porque a gente acaba lidando com muitas questões sensíveis, com muitos crimes graves, com muitas violações de direitos. Às vezes é inevitável. A busca sempre é pelo equilíbrio, de tentar manter a sensibilidade. E toda mulher gosta de se sentir bem, ter suas vaidades. Eu não abro mão do exercício, tento colocar na rotina do meu dia, como forma de manter a mente sã”, finaliza.

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