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CELEBRAÇÃO

Como estão hoje os assuntos que foram destaque da primeira edição do Jornal de Gramado?

JG circulou pela primeira vez em 25 de maio de 1984. São 39 anos de história, registrando o que acontece na região

Mônica Pereira
Publicado em: 26/05/2023 às 12h:12 Última atualização: 26/03/2024 às 18h:06
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Trinta e nove anos depois. Você se lembra o que estava fazendo em 25 de maio de 1984? Foi nessa data que a primeira edição do Jornal de Gramado foi publicada. Nesta sexta-feira (26), circulou a de número 2.546.

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Registros da primeira edição do Jornal de Gramado, em 25 de maio de 1984



Registros da primeira edição do Jornal de Gramado, em 25 de maio de 1984

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

São muitas e muitas páginas – de papel e mais recentemente na Internet – que contam a história do desenvolvimento de Gramado e de toda a Região das Hortênsias. Pessoas, empreendimentos, políticos, reivindicações, soluções. O veículo que nasceu com a premissa de ser para a comunidade ainda segue a mesma essência, mas agora também levando as informações daqui mundo afora.

“Um jornal essencialmente comunitário, que pretende estar presente aos grandes e pequenos eventos de nossa cidade”. Essas foram algumas das palavras escritas pelo fundador do JG, o jornalista Gilberto Michaelsen, que ficou à frente das edições por 25 anos. Na página 2 do exemplar – que está disponível no arquivo público da cidade – ele destacou a função daquele impresso que seria dali por diante uma forma de manter os gramadenses informados.

São quase quatro décadas ininterruptas de compromisso com cada leitor. E que tal saber como estão hoje os assuntos que foram destaques da edição número 1?

"Na época eu já pensei que ia ficar na história


Rosmarie foi a 1ª Glamour Girl de Gramado



Rosmarie foi a 1ª Glamour Girl de Gramado

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL


O rosto que estampa primeira capa do Jornal de Gramado foi o da gramadense Rosmarie Scheifler, à época 19 com anos. No dia 5 de maio de 1984, ela foi escolhida como a primeira Glamour Girl da cidade, um concurso que tinha relação com a Liga de Combate ao Câncer. A divulgação foi feita na coluna social de Iara Sartori.

“Interessante que toda vez que o jornal faz aniversário coloca a foto da capa e eu fico marcada. Fica difícil de esconder a idade”, brinca Rosi, como é chamada. “É tudo muito vivo na minha memória nem parece que faz tanto tempo”, completa.

Rosi conta que sempre foi muito tímida e que ficou surpresa ao ser escolhida para representar o Gramado Tênis Clube no concurso. “Eu sempre fui muito reservada e essa coisa de concurso não era a minha praia. Quando me convidaram eu não me entusiasmei, mas quando soube que era para representar a Liga e qual a proposta de tudo, eu aceitei”, relembra.

Foram sete participantes no evento, que precisaram desfilar e passar por entrevistas com jurados. Depois que venceu a etapa de Gramado, Rosi disputou o concurso no Estado e lembra da mobilização que foi gerada.

“Eu era de família humilde. Então, lembro que as roupas foram emprestadas pela Marlene e Kika Peccin. Depois, em Porto Alegre, era desfile de gala e eu não tinha condições de comprar o traje. Foi contratado um estilista que era da alta-costura na época, ele fez o desenho e a Irma Peccin que costurou e bordou. Era lindo”, diz Rosi.

Infelizmente, ela não venceu o concurso na etapa estadual. “Eu nem imaginava que ia sair na capa até porque não sabia que ia ter o jornal. A primeira capa e a primeira Glamour Girl. Na época eu já pensei que ia ficar na história”, frisa.

Moradora de Canela, Rosmarie é terapeuta ocupacional e trabalha na Apae de Gramado. De família pequena, criada pela mãe e avô, ela relata que o cuidar sempre esteve presente na vida e, pelo sentimento ser similar no trabalho da Liga, se sentiu honrada em representar a causa. “Cuidar sempre foi meu ponto fraco. Minha história, minha família, minha profissão”, pondera.

Frio de zero grau em maio

A capa do Jornal de Gramado há 39 anos apontou para um recorde. “Há 30 anos que Gramado não via um dia tão frio como no último dia 15 de maio – dois décimos abaixo de zero”, informava. Neste ano, não fez temperaturas tão baixas como na época.

Nesta semana, por exemplo, até um ‘veranico’ apareceu. Os dias ensolarados tiveram registro de temperaturas na casa dos 25°C.

A promessa de uma nova rodoviária para a cidade

Em 1984, uma das promessas do então prefeito, Pedro Henrique Bertolucci, era a construção de uma estação rodoviária para a cidade.

A obra foi inaugurada em 8 março de 1986, com o projeto do arquiteto Derson Casagrande, escolhido por uma comissão com representantes do município.

O local da estação é o mesmo da atual, entre a Avenida Borges de Medeiros e a Rua João Corrêa, na área central, ao lado da sede da Brigada Militar. Conforme informações da época, na área de 1,8 mil metros quadrados, o custo estimado da obra foi de 80 milhões de cruzeiros.

Atualmente, a Prefeitura de Gramado já projeta uma nova construção e em novo local. A ideia do atual prefeito, Nestor Tissot, é construir o terminal no anel viário, na perimetral, entre os bairros Três Pinheiros e Casagrande, e utilizar o espaço no Centro para implantar um mercado público.

Rotary Club Gramado comemorava 25 anos


Aniversário do Rotary de Gramado é comemorado em fevereiro



Aniversário do Rotary de Gramado é comemorado em fevereiro

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL


É, em 2023, o número já pulou para 64 anos de história. O Rotary Club de Gramado foi fundado em 23 de fevereiro de 1959 e, em maio de 1984, comemorou os 25 anos, em um jantar na Sociedade Recreio Gramadense, com a presença de rotarianos e de autoridades.

O grupo hoje é presidido por Gilberto Bocalon e conta com 26 rotarianos. Um dos projetos de maior impacto social do clube é o Banco Ortopédico. São cerca de 100 equipamentos, como cadeiras de rodas e de banho, muletas e andadores, que são emprestados para quem precisa, sem nenhum custo. “Tem uma contribuição voluntária que ajuda na manutenção dos equipamentos quando são devolvidos, para estarem novamente à disposição”, descreve o presidente, que fica no cargo até junho deste ano.

Outra iniciativa do Rotary é o intercâmbio de jovens. “Hoje, estamos com três jovens fazendo o intercâmbio de um ano no Alaska, Polônia e México. E recebemos em Gramado jovens do México, Alemanha, Polônia e Dinamarca”, ressalta.

Para conseguir recursos para as ações, os rotarianos realizam a venda de lanches durante o Grande Desfile de Natal, além de participarem de eventos da cultura. “Outro grande e nobre evento é nosso Chá da Solidariedade, que tem 100% da receita destinada à Liga Feminina de Combate ao Câncer. Neste ano, será no dia 3 de agosto, sempre com a parceria da Sociedade Recreio Gramadense”, adianta Bocalon, frisando que o clube possui nas atividades a parceria da Casa da Amizade.

Reajuste salarial dos servidores

Em maio daquele ano, os servidores da Prefeitura de Gramado receberam um reajuste salarial de 70,1%. Em 2023, o número foi bem menor: 8,75%.

Na política, uma reportagem salientava recursos para a saúde, obras e educação, destinadas pelo então deputado estadual Horst Volk. O valor seria revertido para o Instituto Santíssima Trindade, conservação do Colégio Santos Dumont, recapeamento da Borges e a construção de uma unidade sanitária no bairro Várzea Grande.

Ainda na temática, uma página inteira foi dedicada para os projetos de lei do Executivo encaminhados à Câmara de Vereadores de Gramado. “O vereador Luiz Carlos Tomazeli, do PDS, e o vereador Pedro Gomes da Silveira, do PMDB, foram os dois membros do Legislativo gramadense que mais usaram a tribuna em 1983. Tomazeli falou em 52 ocasiões e Silveira em 40 vezes”, dizia o texto.

Os relógios-temperatura

O início dos famosos termômetros de Gramado começou em 1984. Foi o Banco Sulbrasileiro que instalou o primeiro atrativo na cidade, que seria, posteriormente, adaptado pela Prefeitura com as características locais. “Quando cair a temperatura, o relógio deverá ser ponto turístico da cidade, pois os visitantes, com certeza, vão desejar levar de recordação uma foto”, anunciava.

Agora, são sete os termômetros instalados na cidade, em um novo modelo implantado em 2006, segundo o Executivo. Em março deste ano, eles passaram por revitalização e receberam iluminação em LED para o período noturno.

Destaque no esporte gramadense


Esporte também foi destaque na primeira edição do Jornal de Gramado



Esporte também foi destaque na primeira edição do Jornal de Gramado

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL


No Esporte, o Independente, da Serra Grande, foi o grande campeão da competição de futebol de campo de Gramado. Foram 200 atletas envolvidos na disputa, que teve 36 partidas e 99 gols marcados. Em 2023, o Varzeano, como é chamado, está na fase das semifinais. O Independente não está mais na competição, mas continua fazendo história. Na primeira rodada, que ocorreu em março, goleou a equipe Unidos V. M. por 19 a 0.

Gol GT 1.8 e Santana

O Gol GT 1.8 e o Santana eram os grandes lançamentos de veículos de 1984. “Sinônimos de luxo, conforto, estilo, desempenho e economia”, enfatizava o Jornal de Gramado. A matéria sobre a mudança de nome de uma revenda de carros, a única autorizada de Gramado, de Veimec para Gramado Veículos, foi apontada da página de economia.

O pioneirismo do Residencial Pousada do Serrano


Primeira edição do Jornal de Gramado, em 25 de maio de 1984



Primeira edição do Jornal de Gramado, em 25 de maio de 1984

Foto: fotos Mônica Pereira/GES-ESPECIAL


Nas páginas centrais do Jornal de Gramado, o destaque era o pioneirismo do Residencial Pousada do Serrano, localizado na Rua Ângelo Bisol. Na época, mencionava-se um “revolucionário sistema de ocupação de hotel que no Brasil só é conhecido no Rio de Janeiro, embora já seja adotado há muitos anos nos Estados Unidos e na Europa”.

O texto explicava sobre a venda de cotas, que tinha sido exposta para a imprensa gaúcha. O funcionamento é similar ao que ocorre hoje, em que várias pessoas adquirem frações de um apartamento para que seja utilizado em determinados períodos do ano.

“O sistema vem sendo adotado desde o final da 2ª Guerra Mundial, quando os americanos começaram a se preocupar com os altos custos de suas férias. A solução, então, foi partir para a construção de casas ou apartamentos, na serra e na praia, repartindo a despesa entre várias famílias, que os usavam alternadamente”, ponderava a reportagem.

Celso Bertolucci, um dos fundadores do local, proprietário também do Hotel Serrano na época, falou do sistema “timesharing”. As obras do empreendimento tinham iniciado e a previsão de conclusão era para final de 1985.

O residencial ainda existe e conta com os mesmos 74 apartamentos da época. O gerente do local, Roger Vidal, reforça que as vendas das cotas são realizadas pelos proprietários, sem intermediação de empresas. “Quem não tem cotas pode se hospedar. Os proprietários fazem as reservas diretamente no setor e são apenas eles que podem reservar seus períodos”, salienta.

O empreendimento não possui café da manhã, mas há um restaurante terceirizado que oferece o serviço, assim como almoço.

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