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Festival de Cinema de Gramado revela longas documentais e curtas brasileiros que concorrem a Kikitos

Durante o encontro com a imprensa nacional e autoridades, 12 curtas-metragens e quatro documentários trouxeram o cenário de um Brasil diverso para a competição

Fernanda Steigleder Fauth
Publicado em: 17/07/2025 às 19h:05 Última atualização: 17/07/2025 às 19h:06
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A última coletiva de imprensa para revelar mais obras que estão na disputa do 53º Festival de Cinema de Gramado ocorreu, nesta quinta-feira (17), em São Paulo. Durante o encontro com a imprensa nacional e autoridades, 12 curtas-metragens e quatro documentários trouxeram o cenário de um Brasil diverso para a competição do mais tradicional evento do segmento do País. 

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Festival de Cinema de Gramado revela longas documentais e curtas brasileiros em competição



Festival de Cinema de Gramado revela longas documentais e curtas brasileiros em competição

Foto: Divulgação

Documentários

Os curadores Caio Blat, Camila Morgado e Marcos Santuario trazem para a competição documentários que vão do Amazonas ao litoral potiguar, passando pelo urbano denso do Rio de Janeiro e pelos campos de São Paulo. Todos são inéditos no Brasil: “Até Onde a Vista Alcança” (SP), de Alice Villela e Hidalgo Romero; “Os Avós” (AM), de Ana Lígia Pimentel; “Lendo o Mundo” (RN), de Catherine Murphy e Iris de Oliveira; e “Para Vigo Me Voy” (RJ), de Lírio Ferreira e Karen Harley.

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“São filmes que não se contentam em observar: elaboram. Não apenas registram realidades, mas propõem formas de vê-las, escutá-las e, por vezes, resisti-las. Cada um deles carrega em sua essência um pertencimento — ao território, à história, à linguagem — e, juntos, constroem uma cartografia sensível de um país continental em movimento. Em tempos de apagamentos e ruídos, esta seleção aposta no cinema como um ato de escavação e de presença”, conta Santuario.

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Em “Até Onde a Vista Alcança”, de São Paulo, os diretores Alice Villela e Hidalgo Romero acompanham um guerreiro indígena Kariri-Xocó que desenha no chão o território memorial de seu povo, planejando uma nova retomada. O filme percorre este território e retoma um modo de ser adormecido, conectando terra, política e espiritualidade.

Já “Os Avós” representa o Amazonas com um mergulho na rotina de avôs e avós jovens, entre 30 e 35 anos. No documentário, Ana Lígia Pimentel radiografa uma realidade profundamente complexa, onde as funções sociais e familiares são assumidas prematuramente, gerando conflitos geracionais, estruturais e culturais.

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Voltando ao início dos anos 1960, as diretoras Catherine Murphy e Iris de Oliveira mostram, em “Lendo o Mundo”, do Rio Grande do Norte, o período em que Paulo Freire liderou um projeto experimental no Nordeste, permitindo que centenas de adultos lessem, escrevessem e votassem. A agitação política levou ao exílio de Freire, durante o qual ele se tornou um ícone global, promovendo a democracia por meio da educação.

Do Rio de Janeiro, “Para Vigo Me Voy!”, sobre Cacá Diegues, desembarca em Gramado após estreia mundial no último Festival de Cannes. O documentário de Lírio Ferreira e Karen Harley apresenta a obra do cineasta passeando entre os filmes e a trajetória pessoal do diretor. O filme traz imagens inéditas, como as dos bastidores de seu último filme como diretor, “Deus Ainda é Brasileiro”, e de uma sessão especial de “Bye Bye Brasil” na Favela do Vidigal.

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Curtas vão de ponta a ponta do Brasil

Oito Estados diferentes integram a mostra competitiva de curtas-brasileiros Festival de Cinema de Gramado. Os finalistas foram selecionados pela jornalista e crítica de cinema Adriana Androvandi, pelo jornalista, pesquisador e crítico de cinema Diego Benevides, pela produtora executiva Graziella Ferst, pela cineasta Renata Diniz e pelo professor e realizador Wagner Rosa.

Segundo os integrantes da comissão, “a imensidão de curtas-metragens inscritos reflete o vigor de uma produção que se movimenta e se transforma a todo instante”, com “ficções, documentários e animação que se unem para explorar as profundezas de um Brasil belo, mas marcado por suas fraturas”. Em suma, “os doze filmes selecionados para a programação deste ano evidenciam um cinema nacional que é brasileiro de muitas formas. É brasileiríssimo, e é totalmente nosso”, afirma o quinteto.

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Os filmes selecionados:

– “Aconteceu a Luz da Lua” (RS), de Crystom Afronário

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– “Boiuna” (PA), de Adriana de Faria

– “Cabeça de Boi” (SP), de Lucas Zacarias

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– “FrutaFizz” (SP), de Kauan Okuma Bueno

– “Jacaré” (BA), de Victor Quintanilha

– “Jeguatá Xirê” (RS), de Ana Moura e Marcelo Freire

– “O Mapa Em Que Estão Meus Pés” (AL), de Luciano Pedro Jr.

– “Na Volta Eu Te Encontro” (BA), de Urânia Munzanzu

– “As Musas” (PE), de Rosa Fernan

– “Quando Eu For Grande” (PR), de Mano Cappu

– “Réquiem Para Moïse” (RJ), de Caio Barretto Briso e Susanna Lira

– “Samba Infinito” (RJ), de Leonardo Martinelli

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