Cada vez, vê-se mais carros elétricos pelas ruas da Serra gaúcha. E se os céus também recebessem aeronaves movidas à energia? A ideia, ainda com cara de futurista, está próxima de se tornar realidade em Gramado.
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Foto: Flybis/Reprodução
A prefeitura firmou um protocolo de intenções com a empresa Flybis Mobilidade Aérea para o desenvolvimento de uma cooperação técnica que irá avaliar a viabilidade e o planejamento de um vertiporto público — infraestrutura necessária para o pouso e decolagem de aeronaves elétricas (eVTOLs).
Conforme o secretário de Inovação do município, André Castilhos, a parceria coloca Gramado de frente à uma novidade de nível mundial.
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“Estamos observando tudo o que está acontecendo, seja na área de tecnologia ou de outro tipo de solução, que possa contribuir com a cidade. Na busca de entender o cenário de inovação, comecei a frequentar alguns ambientes e estive na TecnoPuc, onde vi o lançamento da intenção da Flybis, da compra dos veículos junto à Embraer e de fazer os primeiros trajetos em destinos turísticos. E Gramado tem que fazer parte disso”, revela.

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
“Se funcionar aqui e da maneira que funcionar, vamos viajar e mandar isso para o resto do Brasil e mundo, e eles toparam”, complementa.
Sobre a empresa e a operação
A Flybis é uma operadora de aeronaves totalmente elétricas. “É uma inovação que começou ainda na década passada, a Embraer começou a estudar os veículos elétricos de decolagem e pouso vertical ainda em 2017 e a Flybis vendo esse mercado, a gente, junto com a Embraer, fez uma carta de intenção de compra de 40 aeronaves. Somos a operadora do Sul que criará todo esse ecossistema, além de operar, temos a incumbência de criar as parcerias”, conta o COO Carlos Bertotto.
Para que funcione, novos locais de pouso precisam ser criados, assim como contratação de programadores, mecânicos e pilotos que precisam passar por simuladores e treinamentos específicos.
“Não conheço no mundo um projeto de vertiporto público, grande parte são privados. Mas o que isso trás de vantagem: o atendimento será para todos, é um modal de mobilidade para todos. Ele não é um helicóptero, é elétrico, a manutenção é muito mais baixa, a segurança muito maior, e com o tempo, tenho uma redução drástica do preço, todos poderão usar”, coloca Carlos.
A ideia da aeronave é atender grandes centros e áreas próximas, devido à autonomia, de aproximadamente 100 quilômetros de distância. Tem capacidade para quatro passageiros mais o piloto.
“Aqui no Sul, será muito turístico inicialmente. Enquanto o turista leva 2h30 de Porto Alegre até aqui, levará 20 minutos. As aeronaves irão pousar no vertiporto, que é diferente de um heliponto, precisa de um espaço um pouco maior, com áreas de estacionamento e carregamento, para que quando ele pouse, possa ser carregado para a próxima viagem. Ele é zero emissões, diminui o ruído, o combustível é a eletricidade, muito mais barato que a querosene”, diz Carlos.
Sobre preços, ainda não podem ser divulgados, visto que a aeronave, avaliada cada uma em 5 milhões de dólares está em desenvolvimento. “A Embraer está no 70º voo, estão criando mais cinco protótipos para certificação e a entrega das aeronaves acontece provavelmente no final de 2027, início de 2028. E iniciamos essas conversas antes, porque o vertiporto é peça fundamental para esse sistema, não adianta ter a aeronave em 2028 e não ter onde pousar. É preciso conversar com as prefeituras, fazer as liberações, escolher os locais corretos e aí sim, conversar com a empresa de eletricidade, definir os corredores de voo”, explica o COO da empresa aérea.
Três locais públicos ou que sejam possíveis a realização de parcerias público-privadas serão estudados para receber o vertiporto – porém, por ser um planejamento inicial, envolvendo as secretarias de Planejamento e Meio Ambiente, com diversas etapas e análise técnica da estrutura, as áreas não serão divulgadas.
“Já abrimos uma porta junto do DCA e da Anac, quando fizemos o Sandbox da Droneportos, com uma prerrogativa para uso de espaço aéreo no município, e isso deve facilitar”, pontua o secretário André.