A Linha Tapera, no interior de Gramado, recebe um levantamento inédito: um mapeamento de anfíbios e répteis que vivem naquele ambiente.
ENTRE PARA A COMUNIDADE DO JORNAL DE GRAMADO NO WHATSAPP

Foto: Divulgação
O estudo integra o projeto “Levantamento de Anfíbios e Répteis da Localidade da Linha Tapera, Município de Gramado”, coordenado pelo Movimento Ambientalista da Região das Hortênsias (Marh), em parceria técnico-científica com o Instituto Biodiversa. Dois biólogos conduzem as atividades de campo, que seguirão com monitoramentos mensais ao longo de todo o ano de 2026.
A proposta surgiu após o grupo ter conhecimento de outro estudo que já ocorreu na região, que foi um levantamento de aves, mamíferos e plantas vasculares. “O estudo está em estágio inicial, até agora foram realizadas duas campanhas de campo, focadas inicialmente na instalação de equipamentos e reconhecimento das áreas dentro das propriedades dos moradores locais, que são parceiros do projeto, e uma campanha já realizando o primeiro monitoramento da herpetofauna da Tapera”, conta o biólogo Francisco Zanella.
Escaladas e fazendo poses: Bugio ruivo faz sucesso pelas ruas de São Francisco de Paula; veja vídeo
A Linha Tapera fica situada a cerca de quatro quilômetros do Centro e está inserida no bioma Mata Atlântica. Reúne matas, campos, banhados, açudes e arroios, ambientes que favorecem a presença de uma rica herpetofauna. Apesar da vocação natural do município, ainda não existe uma lista oficial dessas espécies em Gramado.
Monitoramento
As pesquisas envolvem a instalação de gravadores de som ambiente e de armadilhas de interceptação e queda nos pontos de amostragem.
“Fora o monitoramento através do áudio e das armadilhas, dedicamos bastante tempo fazendo buscas ativas pelas propriedades, que nada mais são do que procurar pelos animais durante o dia e, principalmente à noite. Cada campanha de campo dura dois dias e duas noites consecutivas mensais”, relata o profissional.
Pontos turísticos de Canela começam a receber a decoração de Páscoa; evento inicia na próxima semana
Acompanhamento
A pesquisa permanecerá sendo feita por dois dias e duas noites todos os meses, pelo período de um ano. “Fazer o levantamento deste modo permite com que as amostragens englobem as quatro estações do ano e leva em consideração a sazonalidade envolvida no modo de vida dos répteis e anfíbios da Linha Tapera. Répteis e anfíbios apresentam atividades fortemente influenciadas pela sazonalidade, ou seja, algumas espécies estão mais ativas em determinadas épocas do ano, como por exemplo a primavera e o verão, enquanto outras podem ser encontradas apenas no inverno”, explica o biólogo.

Foto: Divulgação
O projeto conta com recursos provenientes de emendas impositivas da Câmara de Vereadores de Gramado e será acompanhado e fiscalizado pela Secretaria do Meio Ambiente de Gramado, garantindo o cumprimento das normas técnicas e o bom andamento das atividades. Os dados obtidos no levantamento também poderão ser utilizados pela própria Secretaria para subsidiar o planejamento ambiental, a gestão territorial e futuras políticas públicas no município.
Mais de 15 espécies identificadas; material será utilizado em escolas
Segundo o biólogo Francisco Zanella, o número inicial de espécies já indica o potencial ecológico da região. Até agora, 15 espécies já foram identificadas. “O monitoramento, além de contemplar nossas atividades de campo, também é participativo, com auxílio da comunidade local nos enviando registros a partir de imagens e sons. Isso é fundamental para aumentar a eficiência do projeto, permitindo aumentar o número de espécies encontradas. No momento, já foram encontradas em dois dias de monitoramento mais de 15 espécies, e se somarmos os registros prévios e históricos dos moradores este número aumenta muito”, comemora Zanella.
Entre as espécies já vistas, ele cita o Sapinho-de-barriga-vermelha e a Rã-Boiadeira.
“Gostaríamos de destacar que também já foi registrada a Rã-Touro, que infelizmente é uma espécie exótica e invasora, introduzida pelos humanos aqui na América do Sul e que hoje é responsável por causar sérios danos a ecossistemas, predando mais de 600 outras espécies de animais nos ambientes onde está presente e não tendo predadores naturais que façam o controle dessa população em expansão”, indica o biólogo.
Moradores reclamam de procedimento realizado em telhado da Rua Coberta; obra não teve autorização
Além da produção de dados científicos, o levantamento prevê a elaboração de material para educação ambiental, que será disponibilizado às escolas do município. Ao concluir 2026, Gramado deverá contar, pela primeira vez, com um diagnóstico de sua herpetofauna.
Moradores aprovam
A mobilização comunitária foi decisiva para viabilizar a iniciativa. Uma das impulsionadoras da proposta foi a moradora da localidade, Marlise Grings, que destaca a importância da união entre comunidade e entidades ambientais.
“Quando levamos a ideia à Câmara junto com o Marh, nosso objetivo era valorizar a natureza que temos aqui e garantir que ela seja conhecida e preservada. Ver o projeto acontecendo é motivo de orgulho para a comunidade”, afirma.
ChocoPáscoa Gramado abre programação com Paradinha; evento terá um mês de duração