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INCENTIVO

Mulheres usuárias da Apae Gramado participam de programa de inserção ao mercado de trabalho

Inclusão, contudo, ainda é entrave; associação realiza oficinas de produção para direcionar participantes

Fernanda Steigleder Fauth
Publicado em: 06/03/2026 às 12h:29 Última atualização: 06/03/2026 às 12h:30
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Um programa da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Gramado (Apae) incentiva usuários, de diferentes idades, a se inserirem no mercado de trabalho. A maioria são mulheres: dos 28 participantes, 17 são do sexo feminino.

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Usuária da Apae Gramado, Isadora Correa e a mãe Rose Ott



Usuária da Apae Gramado, Isadora Correa e a mãe Rose Ott

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

As atividades são planejadas a partir das necessidades dos integrantes, dos avanços e direcionamentos dos próprios grupos. “Nós, as técnicas de referência (terapeuta ocupacional, psicóloga e assistente social) e nossa voluntária, estamos sempre sintonizadas. Nos reunimos uma vez na semana para planejamento e avaliação sobre o andamento dos trabalhos. As famílias também nos dão retornos importantes, bem como as empresas no caso da oficina de produção 3”, sinaliza a assistente social, Nadia Gross.

As oficinas de produção – a 1, 2 e 3 – fazem parte do chamado Programa de inserção no mercado de trabalho. A OP1, trabalha o mercado informal; a OP2 faz a preparação para o mercado de trabalho formal ou a geração de renda; já a OP3 acompanha os usuários que já estão no mercado de trabalho formal. “As oficinas trabalham as habilidades de cada um, com base na valorização de suas capacidades, que são inúmeras”, explica.

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Por lá, os usuários têm a oportunidade de saberem que são capazes. “De desafiarem-se em suas competências, tornando-se protagonistas de suas vidas, mais seguros, mais confiantes e autônomos”, coloca Nadia.

Inclusão

A inclusão ainda é vista como algo complexo, principalmente, no caso de pessoas com deficiência. “Sabemos que, quando se trata de inclusão, a situação já é mais complexa e juntando com o fato de ser mulher, infelizmente complica mais”, diz.

Por ser um programa que faz a ponte entre os usuários, empresas e as famílias, na maioria das vezes, percebe-se um respeito maior à questão da inclusão.

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“Mas ainda vivenciamos alguns processos mais dificultosos, onde as empresas querem incluir para responder a lei. Por exemplo, uma pessoa com a falta de um dedo. Ainda se tem a dificuldade de acreditar na potencialidade desta parcela da população. Na verdade incluir é um processo de parceria”, finaliza a assistente social.

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“Engrandecimento”

Isadora Correa, de 27 anos, está na Apae Gramado há mais de 20 anos. A jovem tem a Síndrome de Smith-Magenis, uma doença rara, genética e complexa, caracterizada por um déficit cognitivo de grau variável e que causa atraso no desenvolvimento motor e da fala.

Feirinha de Páscoa na Apae Gramado



Feirinha de Páscoa na Apae Gramado

Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial

Ela participa da oficina de produção na instituição e na terça-feira, dia 3, frequentou a Feirinha de Páscoa. Ali, ela tem a oportunidade de confeccionar, organizar e trabalhar. Durante o evento, fazia questão de ter contato com todos os potenciais clientes, apresentando os produtos que passaram por diversas mãos antes de estarem prontas para serem vendidas. “Eu fiz tudo. Eu digo que está lindo, que vale a pena comprar”, pontua. “O que mais gosto é de mexer com tinta. Gosto de todas as cores”, conta Isadora.

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Ela revela que fica ansiosa para ir à Apae. Ela frequenta duas vezes por semana. “Gosto dos colegas, de estar aqui”, diz.

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A mãe Rose Ott acompanhou a oportunidade. “É gratificante, é sensacional. Pois tu vê os progressos. A terapeuta propõe e desafia eles. E eles entram no jogo, nos surpreendem, pois fazem coisas que às vezes imaginávamos que não conseguiriam e fazem um trabalho pleno. E isso engrandece eles. Cada vez que realizam algo novo, evoluem no desenvolvimento”, afirma.

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