“Tendência de um verão que começa sob influência do fenômeno climático La Niña, o resfriamento do oceano pacífico equatorial, o que impacta deixando a chuva mais irregular, mais espaçada entre um evento e outro e às vezes traz estiagens regionalizadas.” A fala é da meteorologista da MetSul, Estael Sias, sobre a chegada da nova estação.
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Foto: Fernanda Fauth/GES-Especial
A precipitação deve ser marcada pela variabilidade em quantidade e locais. “Chuva típica de verão, irregular, dentro de um mesmo município podemos ter quantidades diferentes. Enquanto que um bairro poderá ter entre 50 e 100 mm de chuva no mês, outro quase nada. Esse padrão deve ser percebido nas próximas semanas”, pontua a profissional.
Os riscos de temporais também não são descartados. “Em anos de La Niña temos o risco de queda de granizo, o que pode gerar danos em parreiras, por exemplo, na Serra”, complementa.
Fenômenos de menor escala podem se sobrepor ao La Niña, como é o caso desta semana, onde um vórtice ciclônico ocasiona um bloqueio atmosférico e impulsiona a umidade da Amazônia para o Estado. “Esse cenário atípico não é algo que conseguimos enxergar para fevereiro e março, por exemplo. Então tem esses fenômenos de menor escala que muitas vezes se sobrepõe ao La Nina, que reduz a chuva, mas nesse cenário de curto prazo, a chuva vai ser abundante, provavelmente terminaremos dezembro com chuva muito acima da média, inclusive em partes da Serra.”
Os picos de calor ocorrem entre dezembro e fevereiro. “Depois fica mais difícil, principalmente em março. Maior risco para temporais, então, ocorre nas primeiras semanas de verão, que temos os dias mais longos e portanto mais favoráveis ao aquecimento”, completa.
Períodos de tempo seco e resfriamento noturno
A Região das Hortênsias é conhecida por turistas pelas temperaturas mais amenas. Mas se engana quem pensa que a nova estação não trará dias muito quentes. “O fato é que estamos numa semana muito atípica, com um bloqueio atmosférico no Centro do País e a umidade converge no RS, com volume e frequência de chuvas acima da média nos próximos 10 dias na região. A Serra terá pancadas diárias de chuva. Entre quarta e quinta terá até um período mais chuvoso, extenso, com temperatura amena”, afirma a profissional.
Na segunda metade de janeiro e em fevereiro, o La Niña deve chegar ao fim. “Voltaremos a neutralidade. A Região das Hortênsias deve ter chuva dentro da média, com períodos de cinco, sete dias com tempo mais seco, vai esquentar mais, e quando vier a chuva, dará uma refrescada. O relevo favorece o refresco noturno em dias de céu claro, de tempo seco, sem precisar de uma massa de ar frio para derrubar a temperatura.”