Gramado, conhecida mundialmente por seu charme europeu e pelo Natal Luz e Festival de Cinema, está prestes a consolidar uma nova identidade: a de capital da formação musical. Em uma conversa detalhada, Allan John Lino, liderança à frente do Instituto de Música e da Orquestra Jovem de Gramado, traçou um panorama do que foi o ano de 2025 e revelou os planos que prometem elevar o patamar cultural da Serra gaúcha a partir de 2026.
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Foto: Cleiton Thiele/SerraPress/Divulgação
Novas vagas
A Orquestra Jovem de Gramado iniciou suas atividades regulares em março deste ano. Apesar de enfrentar um cenário financeiro desafiador para o programa, o saldo pedagógico é celebrado com entusiasmo. O foco não foi o crescimento desenfreado, mas a lapidação de talentos. “Não foi um ano de finanças muito boas para o programa, mas nós conseguimos alcançar o nosso objetivo, que é a formação de excelência, atividades musicais de excelência”, afirma Allan.
Dos 105 estudantes que iniciaram o ano, a orquestra encerra o ciclo com 60 músicos. O diretor executivo explica que o desligamento não é impositivo, mas decorrente de uma seleção natural. “Academicamente, pedagogicamente, é isso que acontece com o programa, realmente vão ficando aqueles que têm uma aptidão musical maior para seguir.”
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Para 2026, 45 novas vagas serão abertas, mantendo o teto de 50 músicos para a Orquestra Experimental, a fim de priorizar a qualidade sonora e o desenvolvimento individual.
Atualmente, o instituto conta, ainda, com a Orquestra de Câmara, a Camerata de Sopros e a Banda de Sopros, que está em fase inicial.
Para quem tiver interesse em ingressar, precisará passar por teste de aptidão musical rítmico e melódico. Após, ficam três meses em observação no programa e, em seguida, são efetivados para iniciar o processo de estudo com o respectivo instrumento. “Eles ficam postulantes durante um ano iniciando no processo de base, após vão para o grupo de iniciantes, o tempo lá vai depender da desenvoltura e da qualidade de estudo individual. Vale ressaltar que não somos um projeto de contraturno, é um programa de formação específico para quem quer seguir como músico profissional de orquestra”, salienta.
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Núcleos
Uma das maiores novidades para o próximo ano é a interiorização do ensino musical. Através de uma parceria firmada entre a Gramadotur, a Secretaria de Educação e o Executivo municipal, Gramado implementará “Núcleos de Orquestra” dentro das escolas municipais.
O projeto visa criar polos específicos em diferentes instituições: uma escola poderá abrigar o núcleo de violinos, enquanto outra foca em violoncelos. As aulas ocorrerão no turno inverso ao escolar, de forma gratuita, com ensaios gerais aos sábados, na sede do instituto.
“O objetivo é que todas as escolas do município, a longo prazo, tenham um núcleo da Orquestra Jovem. A intenção é deixar um núcleo dentro das escolas para que as crianças não precisem se deslocar”, revela o diretor.
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Formação musical
O sonho de transformar Gramado na “Viena brasileira” ganha contornos reais com o avanço das tratativas para a sede própria do Instituto de Música. O projeto prevê uma construção de 5 mil metros quadrados, com um investimento estimado em R$ 25 milhões.
Allan confirmou que o município já sinalizou um terreno para a obra. O projeto deve ser erguido em etapas ao longo dos próximos cinco anos. Além de salas de aula e ensaio, o prédio contará com espaços dedicados ao canto coral e masterclasses. “Eu quero muito que Gramado se torne a capital da música. Quero transformar Gramado em Viena. Que Gramado tenha a perspectiva de ser o berço da formação musical; não só onde acontece a música, mas o berço onde as pessoas venham buscar a melhor formação”, projeta o fundador da OSG.
Encontros
Outra possibilidade estudada por Allan para iniciar no ano que vem é a criação do primeiro encontro de Orquestras Jovens de Gramado, com participação de grupos nacionais e do exterior.
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Masterclasses de regência e um musical
Outro pilar estratégico para 2026 é o início das masterclasses de Regência, em parceria com o maestro Carlos Völker-Fecher, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). O objetivo é formar regentes desde a base, incluindo crianças e leigos interessados na arte da condução orquestral.
A primeira aula deverá ocorrer ainda no primeiro semestre, em abril. “Queremos investir para que Gramado possa formar maestros.”
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Espetáculo
Outra novidade para 2026 será a estreia de um musical, com coral e solistas. Já em julho, quatro recitais de ópera serão realizadas. Os locais serão divulgados em breve pela organização.