Desde 2022, Sapucaia do Sul vem se destacando pela excelência no atendimento e no tratamento de uma das doenças que mais mata no Brasil: o acidente vascular cerebral (AVC). Recentemente, o Hospital Municipal Getúlio Vargas (HMGV) e a unidade sapucaiense do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), tiveram certificados internacionais renovados, que confirmam a cidade como referência pela redução de mortes e sequelas causadas pela doença.

Foto: Divulgação
O HMGV recebeu a Certificação Ouro (Gold Status) pela World Stroke Organization (WSO). Já o Samu teve a certificação Diamante renovada, visto que recebeu a distinção Diamond Status em 2023.
De janeiro a setembro deste ano, o HMGV contabilizou 314 internações de pacientes com AVC. A maioria, 226, pessoas com 60 anos ou mais. A média de internação foi de seis dias, com taxa de mortalidade de 7 a cada 100 pacientes. No mesmo período do ano passado, foram 406 internações, 277 de pessoas com 60 anos ou mais.
LEIA TAMBÉM: São Leopoldo tem mais de 3,3 mil pessoas convivendo com o HIV
A média de permanência no hospital foi de 8 dias e a taxa de mortalidade de 6 pacientes a cada 100. Em abril de 2013, o HMGV foi credenciado pelo Ministério da Saúde na Linha de Cuidado ao paciente com AVC e desde 2021 conta com um gestor médico na coordenação, o neurologista Diógenes Guimarães Zãn.
Em 2022, a casa de saúde foi reconhecida como Centro Essencial do AVC pela WSO, após adotar práticas modernas de atendimento à doença. No início deste ano, o município recebeu o título de Cidade Angels, o segundo no mundo.
SAIBA MAIS: PREVISÃO DO TEMPO: Temperatura dispara nas próximas horas; saiba o que vem depois do calor no RS
O feito foi possível devido ao alinhamento de protocolos entre hospital e Samu, que envolveu, ainda, todas as escolas municipais num trabalho de prevenção e promoção da saúde, que envolve a educação dos alunos sobre hábitos saudáveis e o ensino para reconhecer alguém com os primeiros sinais de um AVC.
Mortes caíram pela metade
Na cidade, segundo dados do HMGV, as mortes por AVC caíram de 14 para cada 100 pacientes, antes do projeto, para cerca de 7, verificadas neste ano. “É um conceito muito mais amplo do que o atendimento especializado dentro do hospital. É um olhar para toda a rede básica, UPA, Samu, hospital, ambulatórios e reabilitação do paciente. Realizo a criação de protocolos, treinamentos e organização de todos profissionais envolvidos na rede de atenção ao AVC”, explica Zãn sobre a Linha de Cuidado, a qual coordena.
VIU ESTA?: Espetáculo de Natal do Grupo Tholl será atração domingo em São Leopoldo
O médico explica que os indicadores de qualidade são reenviados a cada quatro meses para a Angels Awards fazer a conferência. As métricas resultam dos indicadores coletados diariamente no hospital. “Um único paciente tem 28 variáveis clínicas coletadas e analisadas desde o atendimento no Samu, passando pela unidade de AVC e depois na alta hospitalar.
Doença tem prevenção, diz médico
A sociedade Brasileira de AVC alerta para o crescimento da mortalidade por causa da doença no Brasil, e que já ultrapassou os óbitos por infarto. Em 2024, até o mês de agosto, 50.133 pessoas morreram por AVC no País. Conforme o neurologista Diógenes Guimarães Zãn, no Brasil, mais de 20% dos pacientes morrem devido à doença e 70% apresentam incapacidades relevantes que impedem o retorno ao trabalho.
REGIÃO: Saiba como foi o início do incêndio em clínica no Centro de Novo Hamburgo
“90% dos casos de AVC podem ser prevenidos com ações que a própria pessoa pode fazer em sua vida pessoal, como a realização regular de atividade física, alimentação saudável, não fumar, tratar a pressão alta e diabetes, não usar drogas ilícitas, cuidar da saúde mental e tratar o colesterol alto e arritmias cardíacas”, ensina