A curiosidade sobre a história dos antepassados foi o que motivou as irmãs Laís Helena Varnieri Haar, 68 anos, e Thaís Helena Varnieri Haar, 64, a iniciarem uma jornada em busca de informações sobre a família materna. A pesquisa sobre a origem dos Varnieri passou por Carlos Barbosa e Porto Alegre e também pela Itália e durou três anos, sendo concluída em maio passado, mês que representa o marco dos 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul.

Foto: Acervo Romeu Varnieri
Moradora do bairro Pinheiros, em São Leopoldo, Laís, que é jornalista, conta que o desejo das irmãs, agora, é compilar todo o material conseguido, entre eles entrevistas, documentos e fotos, em um livro.
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“Começamos a reunir documentos e informações em parceria com o primo de nossa mãe, Stélio, hoje com 90 anos. Ele é uma pessoa bastante agregadora e, regularmente, tem organizado encontros da família Varnieri. E foi justamente em um desses encontros que a ideia deste projeto começou a tomar forma”, explica Laís.
“Imaginávamos, inicialmente, que reunir o material para um livro seria uma tarefa simples. Bastaria compilar os documentos, costurar algumas histórias de família e pronto. Mas não foi bem assim. Para nossa surpresa, quanto mais investigávamos, mais a história se expandia. O volume de informações reunidas nos levou a repensar toda a estrutura do projeto. Foi então que decidimos organizar a narrativa em três grandes momentos”, completa.
Três etapas
Na primeira parte do estudo, Laís e a irmã focaram na vida do bisavô Giuseppe, que nasceu em 1856, na pequena Volpago del Montello, região do Vêneto, província de Treviso, na Itália, e na vinda dele, da esposa Teresa, dois filhos pequenos, uma irmã de dez anos e sua mãe para o Brasil, em 1880.
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“Como tantos outros imigrantes, atravessaram o Atlântico em busca de novas oportunidades. Chegando aqui, viveram por 13 anos na colônia Conde D’Eu, hoje Carlos Barbosa, onde começaram a construir a história da família Varnieri no Brasil”, esclarece Laís.
Dos desafios à descendência
A segunda parte da pesquisa abordou as conquistas e os desafios da família em terras gaúchas e a mudança de Conde D’Eu para Porto Alegre, marcada pelo contexto da Revolução Federalista, entre 1893 e 1895.
“Foi na capital que a família fincou raízes de forma definitiva. Ali, os filhos estudaram, trabalharam e prosperaram. Giuseppe manteve um envolvimento constante com a comunidade, tanto durante os anos em Conde D’Eu, quanto no período em que viveu em Porto Alegre, até sua morte, em 1914”, conta. A terceira e última parte do trabalho das irmãs, concluída em maio, reúne e apresenta os descendentes de Giuseppe e Teresa, a partir da trajetória de seus filhos e filhas.

Foto: Arquivo pessoal
“O casal teve, ao todo, 13 filhos, dos quais apenas dois nasceram ainda na Itália. Onze sobreviveram à infância, um número expressivo, considerando que, naquela época, embora a natalidade fosse alta, as taxas de mortalidade infantil também eram significativas”, lembra Laís. A jornalista, que diz sempre ter gostado de história, conta que enquanto buscava pelo passado da família pode se transportar para um passado muito distante, enquanto mergulhava na pesquisa.
Pesquisa de vida
Agora, Laís e a irmã preparam a publicação do material coletado nos últimos anos. “Nosso próximo projeto é, de fato, fazer um livro, com fotos mais trabalhadas e texto revisado e atualizado. Também consideramos, posteriormente, encaminhar toda essa documentação, agora já organizada, para um museu, uma biblioteca que possa cuidar e disponibilizar este acervo para futuras gerações”, projeta.
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“Quando visitamos os museus encontramos pelo caminho muito mais que a nossa história. Você faz muitos caminhos até encontrar o lugar certo das respostas que procura. E esses caminhos são mágicos, porque vão apresentando eventos, comportamentos e fatos que sempre nos surpreendem e revelam comportamentos de determinada época. Além desse aspecto, conseguir reconstruir a história de quem estava por aqui antes de nós traz um sentimento muito forte de identidade, de reconhecimento, de gratidão. A gente até sabe que muitos vieram antes, tiveram suas vidas, e hoje estamos aqui. Mas, com essas informações estar aqui passa a ter outro valor”, frisa.
Um resumo da história
Giuseppe e Teresa – ele com 23 anos e ela com 21, junto com os filhos Ermenegildo e Clotilde, a mãe de Giuseppe, Anna Slongo, e a irmã Teresa, de apenas 10 anos, embarcam para o Brasil no dia 16 de dezembro de 1879.
Antes de embarcarem no vapor que os conduziria ao novo mundo, a família precisou percorrer uma longa distância, mais de 400 quilômetros, entre Volpago e Gênova. Gênova era a porta de saída dos emigrantes que sonhavam com uma vida melhor. Na época, as distâncias dentro da Itália eram realizadas por carroças, cavalos e a pé, até chegarem à estação ferroviária mais próxima. Só este trajeto demorou cinco dias.

Foto: fotos Arquivo pessoal
Partindo da Itália, chegaram primeiro no Rio de Janeiro. O pequeno Ermenegildo estava doente e foi internado no hospital da Santa Casa, onde após nove dias faleceu. A viagem continuou num pequeno vapor até o Porto de Rio Grande. Lá, aguardaram um novo vapor para os levarem até Porto Alegre, pela Lagoa dos Patos. De Porto Alegre, um novo vapor os levou até a cidade de São João de Montenegro, hoje Montenegro.
Dalí, a viagem era feita a pé, a cavalo ou de charrete até a região serrana do RS. No dia 1º de março de 1880, uma terça-feira, a família chega na colônia Conde d’Eu, hoje Carlos Barbosa, 75 dias após terem saído de casa na Itália.
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Em Conde D’Eu, eles permaneceram por 13 anos. Após 13 anos na Colônia, com a Revolução Federalista, nos anos de 1893 a 1895, a família foi para Porto Alegre, se estabelecendo inicialmente no Passo da Cavalhada, onde finalmente pode fincar raízes que permanecem até os dias de hoje.