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IMIGRAÇÃO ITALIANA

Irmãs pesquisam a história da família Varnieri e devem transformar material em livro

Pesquisa que durou três anos foi concluída em maio, data que representa o marco dos 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul

Publicado em: 03/06/2025 às 03h:00 Última atualização: 03/06/2025 às 07h:54
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A curiosidade sobre a história dos antepassados foi o que motivou as irmãs Laís Helena Varnieri Haar, 68 anos, e Thaís Helena Varnieri Haar, 64, a iniciarem uma jornada em busca de informações sobre a família materna. A pesquisa sobre a origem dos Varnieri passou por Carlos Barbosa e Porto Alegre e também pela Itália e durou três anos, sendo concluída em maio passado, mês que representa o marco dos 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul.

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Família Varnieri,  em foto de janeiro de 1914, no Passo da Cavalhada,  em Porto Alegre. Ao centro, Giuseppe e Teresa



Família Varnieri, em foto de janeiro de 1914, no Passo da Cavalhada, em Porto Alegre. Ao centro, Giuseppe e Teresa

Foto: Acervo Romeu Varnieri

Moradora do bairro Pinheiros, em São Leopoldo, Laís, que é jornalista, conta que o desejo das irmãs, agora, é compilar todo o material conseguido, entre eles entrevistas, documentos e fotos, em um livro.

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“Começamos a reunir documentos e informações em parceria com o primo de nossa mãe, Stélio, hoje com 90 anos. Ele é uma pessoa bastante agregadora e, regularmente, tem organizado encontros da família Varnieri. E foi justamente em um desses encontros que a ideia deste projeto começou a tomar forma”, explica Laís.

“Imaginávamos, inicialmente, que reunir o material para um livro seria uma tarefa simples. Bastaria compilar os documentos, costurar algumas histórias de família e pronto. Mas não foi bem assim. Para nossa surpresa, quanto mais investigávamos, mais a história se expandia. O volume de informações reunidas nos levou a repensar toda a estrutura do projeto. Foi então que decidimos organizar a narrativa em três grandes momentos”, completa.

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Três etapas

Na primeira parte do estudo, Laís e a irmã focaram na vida do bisavô Giuseppe, que nasceu em 1856, na pequena Volpago del Montello, região do Vêneto, província de Treviso, na Itália, e na vinda dele, da esposa Teresa, dois filhos pequenos, uma irmã de dez anos e sua mãe para o Brasil, em 1880.

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“Como tantos outros imigrantes, atravessaram o Atlântico em busca de novas oportunidades. Chegando aqui, viveram por 13 anos na colônia Conde D’Eu, hoje Carlos Barbosa, onde começaram a construir a história da família Varnieri no Brasil”, esclarece Laís.

Dos desafios à descendência

A segunda parte da pesquisa abordou as conquistas e os desafios da família em terras gaúchas e a mudança de Conde D’Eu para Porto Alegre, marcada pelo contexto da Revolução Federalista, entre 1893 e 1895.

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“Foi na capital que a família fincou raízes de forma definitiva. Ali, os filhos estudaram, trabalharam e prosperaram. Giuseppe manteve um envolvimento constante com a comunidade, tanto durante os anos em Conde D’Eu, quanto no período em que viveu em Porto Alegre, até sua morte, em 1914”, conta. A terceira e última parte do trabalho das irmãs, concluída em maio, reúne e apresenta os descendentes de Giuseppe e Teresa, a partir da trajetória de seus filhos e filhas.

Família Varnieri: Pesquisa no Museu de Porto Alegre, Laís e Thaís  em 2024



Família Varnieri: Pesquisa no Museu de Porto Alegre, Laís e Thaís em 2024

Foto: Arquivo pessoal

“O casal teve, ao todo, 13 filhos, dos quais apenas dois nasceram ainda na Itália. Onze sobreviveram à infância, um número expressivo, considerando que, naquela época, embora a natalidade fosse alta, as taxas de mortalidade infantil também eram significativas”, lembra Laís. A jornalista, que diz sempre ter gostado de história, conta que enquanto buscava pelo passado da família pode se transportar para um passado muito distante, enquanto mergulhava na pesquisa.

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Pesquisa de vida

Agora, Laís e a irmã preparam a publicação do material coletado nos últimos anos. “Nosso próximo projeto é, de fato, fazer um livro, com fotos mais trabalhadas e texto revisado e atualizado. Também consideramos, posteriormente, encaminhar toda essa documentação, agora já organizada, para um museu, uma biblioteca que possa cuidar e disponibilizar este acervo para futuras gerações”, projeta.

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“Quando visitamos os museus encontramos pelo caminho muito mais que a nossa história. Você faz muitos caminhos até encontrar o lugar certo das respostas que procura. E esses caminhos são mágicos, porque vão apresentando eventos, comportamentos e fatos que sempre nos surpreendem e revelam comportamentos de determinada época. Além desse aspecto, conseguir reconstruir a história de quem estava por aqui antes de nós traz um sentimento muito forte de identidade, de reconhecimento, de gratidão. A gente até sabe que muitos vieram antes, tiveram suas vidas, e hoje estamos aqui. Mas, com essas informações estar aqui passa a ter outro valor”, frisa.

Um resumo da história

Giuseppe e Teresa – ele com 23 anos e ela com 21, junto com os filhos Ermenegildo e Clotilde, a mãe de Giuseppe, Anna Slongo, e a irmã Teresa, de apenas 10 anos, embarcam para o Brasil no dia 16 de dezembro de 1879.

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Antes de embarcarem no vapor que os conduziria ao novo mundo, a família precisou percorrer uma longa distância, mais de 400 quilômetros, entre Volpago e Gênova. Gênova era a porta de saída dos emigrantes que sonhavam com uma vida melhor. Na época, as distâncias dentro da Itália eram realizadas por carroças, cavalos e a pé, até chegarem à estação ferroviária mais próxima. Só este trajeto demorou cinco dias.

 Família Varnieri: Thaís, Stélio e Laís



Família Varnieri: Thaís, Stélio e Laís

Foto: fotos Arquivo pessoal

Partindo da Itália, chegaram primeiro no Rio de Janeiro. O pequeno Ermenegildo estava doente e foi internado no hospital da Santa Casa, onde após nove dias faleceu. A viagem continuou num pequeno vapor até o Porto de Rio Grande. Lá, aguardaram um novo vapor para os levarem até Porto Alegre, pela Lagoa dos Patos. De Porto Alegre, um novo vapor os levou até a cidade de São João de Montenegro, hoje Montenegro.

Dalí, a viagem era feita a pé, a cavalo ou de charrete até a região serrana do RS. No dia 1º de março de 1880, uma terça-feira, a família chega na colônia Conde d’Eu, hoje Carlos Barbosa, 75 dias após terem saído de casa na Itália.

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Em Conde D’Eu, eles permaneceram por 13 anos. Após 13 anos na Colônia, com a Revolução Federalista, nos anos de 1893 a 1895, a família foi para Porto Alegre, se estabelecendo inicialmente no Passo da Cavalhada, onde finalmente pode fincar raízes que permanecem até os dias de hoje.

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