O La Niña, caracterizado por temperaturas abaixo do normal na superfície do Oceano Pacífico equatorial central e oriental, foi confirmado pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, nesta quinta-feira (9).
O fenômeno contrasta com o El Niño, caracterizado por temperaturas acima do normal no Pacífico, e que causou a enchente histórica de maio do ano passado.

Foto: MetSul
Por isso, os próximos meses devem ser de chuva irregular e abaixo da média no Sul do Brasil, o que pode impactar a agricultura gaúcha. Contudo, o episódio desta segunda metade do ano deve repetir o que foi visto no começo de 2025: curto e fraco, perdurando de três a cinco meses, conforme explica a meteorologista Estael Sias, da MetSul.
Nesta quinta, de acordo com dados da NOAA, a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central-Leste (região Niño 3.4) está em -0,5ºC. O valor está na faixa de La Niña fraco (-0,5ºC a -0,9ºC) e no limite da neutralidade. Segundo Estael, a anomalia na semana anterior foi a mesma.
A meteorologista expõe que o episódio de resfriamento se concentra desta forma no Pacífico Centro-Leste, “logo, é um evento mais centralizado de resfriamento e não em toda a faixa equatorial”. “Na avaliação da MetSul, o anúncio de hoje da NOAA surpreende, para não dizer ser ‘forçado’. Somente três semanas até agora tiveram anomalias de temperatura do mar em nível de La Niña, não foram consecutivos e as anomalia foram de -0,5°C, que é o limite com neutralidade”, pontua Estael.
Efeitos já são sentidos e agricultura gaúcha pode ser impactada
O último trimestre do ano deve ser de redução de chuva e déficit de precipitação em áreas do Sul do Brasil, mas com episódios que podem ser excessivos no Centro do País. Desta forma, o final do ano terá períodos mais prolongados de chuva irregular e abaixo da média particularmente na metade sul e no oeste do Rio Grande do Sul.
“Por isso, a MetSul Meteorologia entende ser alto o risco de áreas do Rio Grande do Sul enfrentarem déficit de precipitação, o que vai afetar a agricultura em diversos municípios, com perda de produtividade em milho e soja”, salienta a meteorologista.