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LITORAL NORTE

VÍDEO: Pesca cooperativa entre botos e pescadores é patrimônio da Barra de Tramandaí

Ação reforça interação ecológica entre seres humanos e animais selvagens

Publicado em: 05/02/2025 às 20h:51 Última atualização: 05/02/2025 às 20h:58
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Quem visita a Barra do Rio Tramandaí, no Litoral Norte, está acostumado a avistar os botos que vivem no local. Para além da beleza, os animais marinhos são peça-chave no trabalho diário dos pescadores, que chegam cedo ao rio em busca de tainhas. Na pesca cooperativa, os botos cercam os cardumes e sinalizam para os pescadores o momento certo de lançar a tarrafa.

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Pescador conhecido como França destaca pesca cooperativa com os botos | abc+



Pescador conhecido como França destaca pesca cooperativa com os botos

Foto: Laura Rolim/GES-Especial

Para conservar e valorizar essa prática, considerada patrimônio sociocultural, o projeto Botos da Barra, coordenado pelo Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), realiza o monitoramento e atua para salvaguardar a pesca cooperativa entre botos e pescadores artesanais.

“A pesca cooperativa é uma interação ecológica muito rara no mundo, onde seres humanos e animais selvagens interagem por um recurso comum”, explica o coordenador do projeto, Ignácio Benites Moreno. No caso da Barra de Tramandaí, os botos-de-Lahille, espécie ameaçada de extinção, entram na barra para se alimentar, criar filhotes, socializar e pescar.

“Quando se juntam com os pescadores, os dois ganham. Quando o cardume está em uma posição favorável para a captura, o boto faz um sinal, uma cabeçada, e mostra para o pescador a hora certa de jogar a tarrafa”, exemplifica.

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Esse conhecimento é passado de geração em geração. Segundo Moreno, os botos aprendem a pescar com os pescadores, ensinados por suas mães, e os pescadores aprendem com os mais velhos. A interação ocorre em Tramandaí desde 1900.

“O objetivo do projeto é salvaguardar essa interação rara e única no mundo”, garante. Além de Tramandaí, a prática ocorre também em Laguna e Araranguá, em Santa Catarina, e em Torres.

Monitoramento ocorre com frequência

Durante o ano, o projeto realiza monitoramentos mensais, coletando informações sobre o comportamento dos botos, a interação com os pescadores, a produtividade pesqueira e o uso da barra. “Agora, no verão, quando há mais turistas, muitas pessoas costumam tomar banho bem em frente à Praça dos Botos, um dos principais pontos de pesca.

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Mas, ao entrarem na água, acabam espantando as tainhas, e os pescadores são obrigados a pescar mais próximo à boca da barra”, observa Moreno.

Pesca se beneficia com a presença dos botos

Pescador há mais de 40 anos na Barra de Tramandaí, Francelino Antônio dos Santos Neto, 64 anos, conhecido como França, destaca que a atividade pesqueira é beneficiada em 100% com a presença dos botos. “Por mês, eu pego em torno de 200 quilos de tainha com a presença dos botos. Se eles não estão, eu não pego 12 quilos”, compartilhou.

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Ele comenta que os animais estão sempre presentes na barra, mas desaparecem quando há barulho excessivo, como vibrações de motores na água.

Botos são apelidados por pescadores

Os cerca de 13 botos que frequentam a Barra de Tramandaí são carinhosamente apelidados pelos pescadores. Entre os mais conhecidos, Santos destaca os mais queridos pelos profissionais: Geraldona, Bagrinho, Chiquinho e Catatau.

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Para identificar cada um, os pescadores observam marcas no corpo e na cabeça dos animais. O Bagrinho, por exemplo, tem o formato de um bagre. Já Geraldona, a mais famosa entre eles, possui a barbatana cortada.

Estudantes contribuem com conhecimento científico para prática pesqueira

A estudante de biologia marinha e integrante da equipe do Projeto Botos da Barra, Heloísa Martins, 25 anos, destaca a importância de ter ingressado como uma das pesquisadoras. “No projeto, a gente aprende a se comunicar diretamente com a sociedade.

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Além de ser um projeto de pesquisa e extensão, conseguimos entender as necessidades das pessoas e tentamos ajudar de alguma forma, divulgando a pesca cooperativa e escutando os pescadores para contribuir com o conhecimento científico no dia a dia deles”, destaca.

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