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ENCHENTES

Município no Vale do Caí busca se reerguer após enchente que atingiu a cidade na noite de quarta-feira

Calor extremo e temporais marcam o final de fevereiro, reacendendo o medo de novas perdas

Dário Gonçalves
Publicado em: 27/02/2025 às 19h:17 Última atualização: 27/02/2025 às 19h:40
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O Carnaval de 2025, que acontece entre os dias 28 de fevereiro e 4 de março, chega em meio a um cenário climático que desperta mais apreensão do que festa na região. As temperaturas extremas, que devem alcançar os 40ºC na segunda-feira (3), trazem consigo a ameaça de temporais, alagamentos e enchentes — um temor que revive as memórias das tragédias que marcaram o estado em 2023 e 2024.

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José Kerber trabalhava na limpeza desde a madrugada para poder voltar para casa | abc+



José Kerber trabalhava na limpeza desde a madrugada para poder voltar para casa

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

É desta força que fevereiro vai se despedindo, com altas temperaturas e chuvas torrenciais. A força da água já deixou rastros nesta semana. Maratá, no Vale do Caí, foi uma das cidades que sofreu com a enchente registrada na noite de quarta-feira (26) pelo transbordamento do Arroio Maratá. Duas pontes foram levadas pela correnteza, uma delas no limite com Salvador do Sul, e outras três sofreram danos. As aulas foram suspensas nesta quinta-feira (27) e só retornarão na próxima semana.

O vice-prefeito Diego Daniel Schu destacou que a enxurrada foi provocada pela chuva intensa em Salvador do Sul, que escoa para Maratá, mais a água que caiu no próprio município.

A cidade vizinha alertou sobre o volume de água, permitindo que a prefeitura iniciasse ações preventivas, como a retirada de moradores e a proteção de bens. Apesar da rapidez com que a água chegou — cerca de 40 minutos após o aviso —, o alerta antecipado ajudou a minimizar os danos. “Nós conseguimos prevenir bastante situações que poderiam ser piores se tivesse subido mais ainda”, afirmou Schu.

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Trabalhando desde a madrugada e sem dormir, o morador José Kerber, de 75 anos, estava exausto mas continuava sua limpeza durante a tarde. “Essa enchente foi pior que a de maio do ano passado. Mas felizmente fomos avisados antes e conseguimos levantar os móveis e salvar nossas coisas”, conta.



No Colégio Estadual Engenheiro Paulo Chaves, a diretora Cristiane Ferreira relata que desta vez nada foi perdido, apenas há o trabalho de limpeza. “Fomos atingidos por cerca de 50 centímetros de água, então tem muita sujeira. Mas a comunidade escolar está nos ajudando a limpar e esperamos retomar as aulas o mais breve possível na próxima semana.”

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Perdas no interior

Além dos alagamentos na área central, o interior também sofreu com enxurradas. Casas foram invadidas pela água, mas a maioria dos moradores conseguiu retornar às residências poucas horas depois.

No Parque Cachoeira Maratá, um dos pontos turísticos mais visitados, a destruição foi quase total. Diversas árvores caíram e tantas outras foram parar nas áreas de lazer, trazidas com a força da água. Por outro lado, a Cascata Vitória não sofreu danos e estará aberta no final de semana.



As equipes da prefeitura estão atuando na limpeza e na avaliação dos estragos. Cinco pontes foram danificadas, sendo que duas foram completamente destruídas. Uma delas, na Comunidade da Esperança, já foi interditada.

Outra, com danos laterais, deve receber uma estrutura provisória para restabelecer o trânsito. “Esperamos que a gente consiga o recurso o quanto antes com a Defesa Civil, que já tem toda a burocracia encaminhada para conseguir fazer essas novas pontes”, acrescentou o vice-prefeito.

Ainda na Comunidade da Esperança, o aviário da família de Airton Luis Stein perdeu um quarto de sua produção. Segundo a filha Deise Stein, de 33 anos, foram cerca de 2,5 mil galinhas levadas pela enxurrada que atravessou o aviário.

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Isso sem contar toda a produção de cerca de 7 a 8 mil ovos por dia. “Como aqui é mais baixo, a água descia toda da rua e formou correnteza passando justamente por dentro do aviário e seguindo em direção ao arroio que passa atrás. Com a força da água, a cerca foi rompida e as aves foram levadas e muitas morreram no local”, detalha.



Já Sinete Holdefer, de 58 anos, mora no município vizinho Brochier desde o ano passado, isso porque as chuvas de maio causaram deslizamentos que levaram sua casa. Felizmente ela e os familiares, incluindo a mãe de 92 anos, não estavam no local e se salvaram.

Ainda com o desejo de voltar a morar em sua cidade natal, Sinete voltou a Maratá na tarde desta quinta-feira (27) para ver como ficou o município e aproveitou para deixar uma rosa branca na imagem de Nossa Senhora de Lourdes, junto à Cascata Maratá. “Eu vim pedir saúde, para a cidade, para todo mundo. Isso é muito triste, eu gosto muito daqui. Precisei ir embora, mas aqui é o meu lar e é para cá que eu quero voltar.”

Sinete teve a casa destruída pela catástrofe climática de 2024 | abc+



Sinete teve a casa destruída pela catástrofe climática de 2024

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Outras regiões também foram atingidas

Os temporais não atingiram apenas o Vale do Caí. Em outras regiões, a força da água também deixou estragos, como em Taquara, no Vale do Paranhana, onde uma bomba d’água derrubou o teto e parte da estrutura de um grande supermercado na quarta-feira (26).

Já no Vale dos Sinos, cidades como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Canoas e Estância Velha registraram alagamentos em diversas ruas após poucos minutos de chuva intensa. Em São José do Sul, vizinha de Maratá, estradas também foram destruídas e há relatos de que uma família precisou subir no telhado para fugir da água.

Maratá busca se reerguer após enchente que atingiu a cidade na noite de quarta-feira (26)

De acordo com a Metsul Meteorologia, o final de semana deve intensificar o risco de novos temporais, especialmente no domingo (2) e na segunda-feira (3), quando as temperaturas podem atingir máximas de 40ºC na região. Além do impacto na rotina e nas festividades, o cenário climático reacende a preocupação com as consequências da chuva em um estado que ainda busca se recuperar das perdas recentes.

Estrada sofreu danos em São José do Sul | abc+



Estrada sofreu danos em São José do Sul

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

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