Passados oito meses da maior catástrofe climática já enfrentada pelo Rio Grande do Sul, os caminhos para a reconstrução seguem em andamento nos municípios afetados.
Os problemas que afetaram o Estado podem ser divididos em dois principais eixos: inundações e deslizamentos de terra. No entanto, é nesse último tópico que um estudo do Instituto de Geociências da Universidade Federal do RS (IGeo/Ufrgs) se concentrou.

Foto: Mônica Pereira/Arquivo GES
Com as chuvas recordes de maio, os pesquisadores mapearam 16.862 movimentos de massa no território gaúcho. A análise abrangeu uma área de aproximadamente 18 mil km², utilizando imagens de satélite de alta resolução.
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“Essa força-tarefa começou com foco em auxiliar Bombeiros, Defesa Civil e voluntários em áreas de deslizamentos para viabilizar buscas por sobreviventes e corpos”, explica Clódis Andrades-Filho, professor do IGeo e coordenador do Laboratório de Sensoriamento Remoto Geológico, Geomorfológico e Dinâmicas de Paisagem (Latitude).
A gravidade dos dados, no entanto, transformou o mapeamento em uma ferramenta essencial para avaliar riscos remanescentes e planejar ações de curto, médio e longo prazo.
“Esse mapeamento reflete o desastre de 2024, quando as chuvas atingiram intensamente áreas específicas. Contudo, há municípios com predisposição a riscos geológicos que não enfrentaram chuvas intensas em maio, e esses locais precisam desenvolver planos para mitigação de danos”, alerta o professor.
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Afetados na região
O levantamento dos pesquisadores abrange os 150 municípios mais atingidos por movimentos de massa na região hidrográfica do Guaíba, com foco nos 60 municípios com o maior número de cicatrizes.
O ranking é liderado por Caxias do Sul (656 cicatrizes), seguido por Veranópolis (636), Agudo (540), Bento Gonçalves (516) e Fontoura Xavier (485). Esses números refletem o acumulado de chuvas e a presença de terrenos íngremes nessas localidades.
Na área de cobertura do Grupo Sinos, Nova Petrópolis (11º lugar), Gramado (25º), Canela (28º), São Francisco de Paula (36º) e Três Coroas (49º) também figuram entre os 60 mais prejudicados.
“Esses municípios possuem áreas urbanas significativas em zonas de risco e precisam estar atentos a isso. Os desastres geológicos geralmente têm consequências mais fatais. A sobrevivência é rara em eventos desse tipo, por isso prevenir é sempre o melhor caminho”, aponta Andrades-Filho.
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Apoio internacional
Nova Petrópolis recebeu em setembro a notícia de apoio da República Tcheca para instalar uma estação meteorológica e inclinômetros com o objetivo de fortalecer o monitoramento climático e prevenir eventos extremos. O centro ficará na localidade do Distrito dos Boêmios e investimento de R$ 120 mil.
Fortalecimento da Defesa Civil é essencial
O início das novas gestões municipais reforça o papel essencial dos agentes públicos na prevenção de desastres. Para Andrades-Filho, o Plano Diretor é uma ferramenta crucial para mitigar riscos geológicos e deve incorporar esses fatores no planejamento territorial.
Durante as chuvas intensas, a ausência de sistemas de alerta específicos foi um dos principais problemas. “É necessário identificar claramente as comunidades em risco para uma comunicação mais eficiente”, explica.
Em 2024, a Defesa Civil do Estado lançou um sistema de alerta via celular para áreas de risco. A ferramenta emite mensagens e avisos sonoros que interrompem o uso do aparelho, mesmo no modo silencioso, abrangendo usuários com cobertura 4G ou 5G, sem cadastro prévio.
Além disso, Andrades-Filho defende a capacitação técnica e o envolvimento comunitário da sociedade para mitigar danos de catástrofes climáticas. “Fortalecer as Defesas Civis locais é essencial para ações eficazes e integradas”, conclui.
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Mapeamento aponta áreas de risco em Gramado e Canela
O ano passado foi desafiador para Gramado e Canela por conta de desastres climáticos. Em Canela, o Serviço Geológico Brasileiro (SGB) entregou em dezembro os resultados do mapeamento de áreas de risco geológico. Os levantamentos identificaram 16 áreas de risco alto e 17 áreas de risco muito alto.
As conclusões apontam que as áreas de risco geológico cartografadas decorrem das características naturais do meio físico e da ocupação inadequada do território. São mais de 7,5 mil moradores que residem nesses locais.
Um mapeamento similar foi realizado em Gramado. Como uma forma de auxiliar a prefeitura do município a aprimorar e executar políticas que possam mitigar e prevenir os danos, o SGB elaborou um relatório que destaca 68 pontos considerados de risco alto ou muito alto, associadas a deslizamentos, rastejo, queda de blocos de rocha, inundação, enxurrada e erosão de margem fluvial.
O mapeamento está disponível no site rigeo.sgb.gov.br ou no aplicativo Prevenção SGB, que pode ser baixado gratuitamente e permite aos cidadãos ter informações sobre áreas de risco e cadastrar novos pontos de ocorrência de risco geológico e hidrológico, servindo como subsídio para a atualização nos municípios.
*Colaborou Monica Pereira