O aparecimento de peixes mortos no leito do Rio dos Sinos, em São Leopoldo, tem gerado preocupação aos órgãos ambientais. O caso foi descoberto nesta quarta-feira (26), no trecho próximo à ponte de ferro. Nesta quinta-feira (27) outros animais também teriam aparecido boiando em novos trechos do rio. Ainda na quarta-feira, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semmam) emitiu nota destacando que o fato pode ser atribuído às condições de calor extremo e estiagem.

Foto: Amanda Krohn/Especial
“Como é de conhecimento geral, os peixes dependem do oxigênio dissolvido na água para suas trocas gasosas e respiração, e a solubilidade do oxigênio diminui com o aumento da temperatura. Consequentemente, quanto maior a temperatura, menores são os índices de oxigênio dissolvido na água”, explicou no texto a titular da Semmam, Cláudia Costa.
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Outro fator apontado pela Semmam foi em consequência das águas da chuva do dia 25 de fevereiro, que levaram ao rio todo material poluente de ruas e galerias de drenagem, ocasionando uma carga excessiva de substâncias. Conforme a secretária, o aumento da concentração de poluentes contribui diretamente para a redução dos níveis de oxigênio dissolvido.
Segundo a secretária, a chuva que caiu na quarta-feira melhorou os níveis de oxigênio do Rio. “Não foram identificados peixes em situação de dificuldade de respirar. A Fiscalização fez uma vistoria de barco hoje (27), onde foi verificado peixes mortos há mais de um dia. A Semmam segue monitorando”, diz.
Ciente do caso, o Comitesinos acompanha de perto a situação, e acionou a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) para analisar o caso. “Tão logo soube do fato, encaminhamos o assunto para a emergência da Fepam, que nesses casos desloca uma fiscalização para avaliar a situação e verificar as causas. O Comitesinos acompanha essas atuações do órgão ambiental e espera pelo relatório dessa fiscalização, que depois é repassado aos seus membros”, explica o representante do movimento Roessler no Comitesinos, Arno Kayser.
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Segundo ele, a partir de agora, a Fepam deve coletar amostras de água e peixes mortos para análise em laboratório para avaliar todas as possibilidades de causa. “Também deve fazer um avaliação de parâmetros direto no rio para tentar entender as causas. Se descobrir algo além do calor e enxurrada como causa, pode fazer uma avaliação de algum causador com base no que for identificado nos peixes”, diz.
A reportagem já entrou em contato com a Fepam, mas ainda não obteve retorno sobre a situação encontrada no Rio dos Sinos.
Calor diminui o oxigênio da água
Para Kayser, a mortandade também pode ser consequência do calor, que diminui o oxigênio da água, combinado com o aporte de lixo e sujeira que as chuvas fortes trouxeram muito rapidamente para o Rio.
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“Os microrganismos presentes na água começam a degradar a matéria orgânica que vem com a enxurrada e diminuem rapidamente o oxigênio. O calor também acelera essa atividade do micro-organismos. Com o oxigênio baixo, os peixes morrem. É um fenômeno agravado pelo baixo nível do rio nesses dias e o calor muito acima do normal. Num rio como o Sinos, esse fenômeno pode ocorrer com certa frequência”, garante. “Eventualmente pode ter havido algum descarte de resíduos industriais com alta demanda química de oxigênio”, completa.