O museu histórico de Nova Hartz abriu ao público a exposição Do Preto ao Branco, que apresenta 11 vestidos de noiva do acervo da instituição. A mostra resgata a memória afetiva dos casamentos de moradores da cidade e revela como os trajes mudaram com o tempo. Entre os destaques, há um vestido preto datado de 1910 — cor que, segundo a historiadora Luana Reuter, pode ter simbolizado protestos sociais da época.

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial
“Não é a primeira vez que a gente tem essa exposição aqui no museu. Na verdade, fazia mais de dez anos que ela não era montada novamente”, conta Luana, responsável pela curadoria da mostra. “Os vestidos fazem parte do acervo do Museu Histórico de Nova Hartz. Todos os objetos que temos ali são doações de moradores da cidade”, acrescenta.
História dos casamentos
Para dar um toque pessoal à exposição, cada vestido aparece ao lado da foto do casamento original. A maior parte das peças é da década de 1960, época em que os vestidos “tubinho” e o estilo minimalista ganhavam força. Mas há também exemplares que remetem aos anos 1950 e 1980, com mangas volumosas e bordados.
Algumas peças têm histórias curiosas. Uma delas foi usada por duas irmãs que se casaram no mesmo dia. O reaproveitamento entre familiares era comum — os modelos eram passados entre irmãs, primas e até tias, às vezes com pequenas modificações.
Outra história curiosa envolveu a família da professora da rede estadual Elaine Weber, 65 anos, que se casou no dia 6 de junho de 1981 com Simplício Blume. O mesmo vestido que ela usou no seu casório havia sido usado um ano antes pela irmã, Eloise Weber, que se casou com Jorge Reinheimer em setembro de 1980.

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial
“Naquela época, era muito comum as famílias aproveitarem as mesmas roupas para batizar os filhos; só mudava um detalhe na frente, dependendo se fosse menino ou menina. Depois, para a primeira comunhão e o casamento, as filhas também usavam os mesmos vestidos”, explica Elaine.
Sobre a escolha do próprio vestido de noiva, Elaine relembra as próprias preferências. “Eu sempre fui uma pessoa simples. Gosto das coisas bem arrumadas, mas sem extravagâncias. Então, para mim, foi bem natural. Lembro que não quis comprar um véu, usei só uma coroa de flores, e aquilo foi ótimo para mim, já que meu casamento já dura mais de 40 anos”, brinca.
Vestido preto
O vestido mais antigo da exposição, preto, chama atenção logo na entrada e chegou a causar desconforto em alguns visitantes. O uso da cor, no entanto, tem explicações históricas. Antes de 1840, quando a rainha Vitória popularizou o vestido branco, noivas podiam se casar de vermelho, amarelo, dourado ou preto.
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O preto, especialmente, carregava diferentes significados. Poderia simbolizar protesto contra o “direito da primeira noite” dos senhores feudais, representar seriedade e honestidade da mulher ou até ser uma escolha prática, já que a peça poderia ser usada em outras ocasiões. Esse costume chegou ao Brasil trazido por imigrantes europeus, entre eles os alemães que colonizaram Nova Hartz.
O Museu está aberto para visitação de segunda a quinta-feira, das 8h15 às 16h30, e nas sextas-feiras, das 8h15 ao meio-dia. A exposição estará no local até o dia 21 de julho.
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