“A gente começou a ver a água vertendo e, de repente, a calçada já estava ensopada. Começou uma gritaria na rua, porque pensamos que o dique iria romper a qualquer momento”, conta a cabeleireira Isadora Garcia.
A trabalhadora de 34 anos é uma das moradoras da chamada Rua do Dique, no bairro Sarandi, em Porto Alegre, que presenciou o vazamento que começou, na tarde desta quarta-feira (25).

Foto: PAULO PIRES/GES
CLIQUE E FAÇA PARTE DO GRUPO DE WHATSAPP DO DIÁRIO DE CANOAS.
Devido à gritaria feita pela população, já que há centenas de casas em torno do dique, a Prefeitura de Porto Alegre montou uma operação, na manhã desta quinta-feira (26), para reforçar o local.
Ao longo de toda a manhã, os caminhões de argila se deslocaram para a área de modo a garantir o fortalecimento da estrutura. Isso debaixo de críticas da população que vive na área.
“Ninguém conseguiu dormir noite passada”, afirma a cuidadora de idosos Fernanda Lima. “O Melo [Sebastião, de Porto Alegre] já tinha feito um serviço de qualquer jeito no ano passado, após a enchente, e agora veio largar mais argila em cima.”
Conforme a trabalhadora com 35 anos, a comunidade está em polvorosa, porque embora a Prefeitura esteja trabalhando no local do vazamento, o dique tem quilômetros de extensão e pode ter outro ponto sensível a ser rompido.
“Ninguém veio fazer uma avaliação da área”, ressalta. “Vieram e tamparam a parte onde começou a vazar água, só porque a gente começou a gritar e a imprensa deu atenção ao caso”, critica.
Polêmica
Segundo a Prefeitura de Porto Alegre, o dique no Sarandi não recebeu obra definitiva porque há 39 casas que precisam ser demolidas. A Justiça, no entanto, havia pedido a paralisação da obra.
O problema, apontou a Administração, é que há cinco famílias que entendem que os imóveis valem mais do que os R$ 200 mil disponibilizados pelo programa Compra Assistida.
Na noite desta quarta-feira, o prefeito Sebastião Melo chegou a dizer que ignoraria a decisão da Justiça e conduziria a retomada da obra de modo que achasse necessário como gestor.

Foto: PAULO PIRES/GES
Houve nova decisão sobre o assunto nesta quinta-feira, quando a Justiça autorizou a retomada da demolição das casas já desocupadas e em escombros localizados junto ao Dique do Sarandi para permitir as obras emergenciais de reparo.
“Vamos retomar o mais rapidamente possível as intervenções na área de casas desocupadas no Sarandi para dar sequência à recuperação”, afirmou Melo.