Além da Páscoa, este domingo (5) marca também o aniversário de Novo Hamburgo. Foi em 5 de abril de 1927 que o então Segundo Distrito se emancipou de São Leopoldo, dando início à história de um dos principais municípios do Rio Grande do Sul e que, com o passar do tempo, ganhou fama internacional como Capital do Calçado. Por conta do aniversário, o domingo é feriado na cidade.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Ao completar 99 anos, Novo Hamburgo inicia a caminhada de seu ano 100. E para marcar o centenário, o Grupo Sinos inicia neste fim de semana uma série de ações especiais que vão se estender pelos próximos 12 meses. A primeira delas é este conteúdo, que relembra nove curiosidades do tempo da emancipação. Você faz ideia, por exemplo, de como era a atual Praça Vinte de Setembro em 1926?
O material abaixo foi selecionado pelo professor e historiador Paulo Daniel Spolier, que será o curador dos conteúdos alusivos ao centenário de Novo Hamburgo no Grupo Sinos. Uma versão ampliada, com 30 curiosidades, estará em um suplemento especial que circula encartado na edição impressa do Jornal NH desta segunda-feira (6).
“Hoje iniciamos uma jornada que tem seu ponto de partida cem anos atrás. Em 5 de abril de 2027 Novo Hamburgo completará um século de História como município emancipado, sujeito de seu destino. Movimentos pela emancipação hamburguense são registrados desde pelo menos 1916. O desenvolvimento econômico, aliado à ação política das lideranças locais montavam o cenário em que a autonomia se fazia destino irreversível ao Segundo Distrito leopoldense”, conta Spolier, que domina como poucos a história de NH.
O professor diz que, na reta final do processo de emancipação, a localidade tinha pouco mais de 8 mil habitantes distribuídos nos núcleos urbanos de Novo Hamburgo e Hamburgo Velho, além dos “arrabaldes semi-rurais que formavam nosso território, como Vila Nova, África, Mistura, Wiesenthal…”. “Foi esta cidade, muitas vezes irreconhecível aos nossos olhos, que o fotógrafo Max Milan registrou num álbum que nos traz testemunhos de quem éramos há cem anos e, por que não dizer, nos explicam muito sobre quem somos hoje”, conclui Spolier.

Foto: Fundação Scheffel
O discurso de Leopoldo Petry
A foto acima mostra Leopoldo Petry discursando no lançamento da pedra fundamental do Monumento ao Imigrante, em 25 de julho de 1924, durante as comemorações do Centenário da Imigração Alemã. O monumento, projetado pelo arquiteto alemão Ernst Seubert, só seria inaugurado em 15 de novembro de 1927, quando Novo Hamburgo já era um município emancipado e o próprio Leopoldo Petry seu primeiro prefeito eleito.

Foto: Arquivo Público Municipal de Novo Hamburgo
Um superevento na praça
Em setembro de 1924 foi aberta a Exposição Comemorativa da Imigração e Colonização Alemã, um superevento realizado na área onde hoje está a Praça Vinte de Setembro, no Centro. Mais do que parte das festividades do centenário da chegada dos imigrantes, a exposição de 1924 foi uma vitrine da pujança econômica do Segundo Distrito de São Leopoldo e um empurrão a mais para a emancipação que já era muito discutida.

Foto: Arquivo Público Municipal de Novo Hamburgo
Você reconhece esse lugar?
A imagem acima é da vista da atual Praça Vinte de Setembro e arredores, em 1926. À esquerda, na parte de cima do descampado, junto ao mato de eucaliptos, temos hoje o Centro Municipal de Cultura com as casas da família Brandenburg ainda firmes assistindo a tudo que se passou nesta paisagem. Ao fundo, o descampado Morro Lipp (ou dos Cabritos).

Foto: Fundação Scheffel
A velha (e bela) igrejinha
Onde hoje temos a Catedral São Luiz Gonzaga existia uma bela igrejinha com o mesmo nome, projetada pelo arquiteto alemão Joseph Lutzenberger e construída entre 1924 e 1926. A construção foi fruto da elevação da capela de Novo Hamburgo à freguesia pelo arcebispo D. João Becker, em 1924. Para erigir o templo, uma comissão foi formada por Pedro Adams Filho, Pedro Alles, Léo João Campani e Leopoldo Petry. Em 1926, Max Milan fez esse registro da novíssimo igreja São Luiz Gonzaga.

Foto: Fundação Scheffel
A fábrica dos Strassburger
A fábrica de sapatos dos irmãos Strassburger ficava no caminho entre Hamburgo Velho e Novo Hamburgo, ou seja, a Rua General Osório. Ainda uma estrada de chão batido, o velho caminho testemunhou o nascimento de várias empresas que se tornaram gigantes em seus setores. Na foto acima, a sede administrativa (na casinha) e os pavilhões de produção, seguindo pela Rua Ribeiro de Almeida. Nesta esquina hoje fica a Doctor Clin.

Foto: Arquivo Público Municipal de Novo Hamburgo
E surge a Cruzeirinho
Em 1922, o carnavalesco Bloco dos Leões se fundiu com o Sport Club Cruzeiro, time de futebol do bairro Rincão que jogava nas terras de Malaquias de Oliveira. Desta fusão surgiu a Sociedade Cruzeiro do Sul, primeira associação essencialmente formada pela população negra do Vale do Sinos, em plena atividade e reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Novo Hamburgo.

Foto: Fundação Scheffel
Diga xiiiiis
As alunas do “Töchter pensionat” da “Evangelisches Stift” montaram esta pose coletiva para as lentes do fotógrafo em 19 de julho de 1926. A Fundação Evangélica funcionou no prédio onde hoje está a Secretaria Municipal de Cultura até 1932, quando ficou pronto o novo prédio da escola, no alto do morro que leva seu nome.

Foto: Fundação Scheffel
O primeiro cacetinho de Novo Hamburgo
Em 1924, o alemão Heinrich Reiss, que havia rodado o mundo como cheff em navios transatlânticos, abriu sua padaria em Hamburgo Velho. Na casa projetada por Ernst Seubert, entre muitas novidades, um forno a vapor e maquinário importado que introduziram em Novo Hamburgo um clássico do café da manhã do brasileiro: o pão francês, o nosso cacetinho.

Foto: Fundação Scheffel
Pouco carro e muito barro na Júlio
Barro no inverno e poeira no verão. Assim eram as ruas de Novo Hamburgo retratadas pelo fotógrafo Max Milan em 1926. Acima, a Júlio de Castilhos com a presença de um elegante automóvel em frente ao “Banco Brasileiro-Allemão” (seria do diretor da agência, o Sr. René Ledoux?) e os belos sobrados que ainda resistem ao tempo. Ao fundo, a antiga empresa de energia elétrica “Força e Luz”, no mesmo local onde hoje temos a sede da RGE.
Assista ao documentário Für Immer – Origens
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