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"Números completamente fora da linha histórica": Dengue registra recorde em casos e óbitos em 2024

Rio Grande do Sul superou os 200 mil casos confirmados da doença e já soma 281 óbitos

Publicado em: 09/12/2024 às 16h:57 Última atualização: 09/12/2024 às 16h:58
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Com mais de 200 mil casos confirmados de dengue, o Rio Grande do Sul fechará 2024 sendo o ano com maior número de registros da doença da última década, assim como o número de óbitos, que já soma 281 vítimas. Por mais que as últimas semanas tenham apresentado poucos casos, se comparado a outras semanas epidemiológicas, a chegada das temperaturas altas influenciam diretamente na proliferação do mosquito e, consequentemente, no aumento da transmissão do vírus.

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Dengue supera os 200 mil casos confirmados no Rio Grande do Sul | abc+



Dengue supera os 200 mil casos confirmados no Rio Grande do Sul

Foto: Andrieli Siqueira/ Universidade Feevale

Segundo o Painel de Casos de Dengue do governo do Estado, Novo Hamburgo é a cidade com mais confirmações, somando 15.810 casos de dengue e 20 mortes, conforme atualização desta segunda-feira (9). Santa Rosa aparece na segunda posição, com 14.913 casos e 22 mortes. Em terceiro lugar está Porto Alegre, com 14.799 casos e 11 óbitos.

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Da região de cobertura do Grupo Sinos, outras quatros cidades aparecem entre as dez com mais casos confirmados: São Leopoldo (13.681), Canoas (8.651), Sapucaia do Sul (5.280) e Campo Bom (5.074). Em relação ao número de óbitos, São Leopoldo lidera com 22 mortes, seguida de Canoas, com 17.

O virologista da Universidade Feevale e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vigilância Genômica de Vírus, Fernando Spilki, considera que 2024 foi um ano gravíssimo, com números recordes de dengue no mundo inteiro. “Fica bem claro para nós que, com o contexto de mudança climática, a dengue é uma doença que veio para ficar”, garante.

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Apesar do vírus já estar circulando no Rio Grande do Sul há anos, ele observa que os últimos três anos, por conta das condições de temperatura mais altas, especialmente durante os meses do verão e início do outono, tiveram o “motor” para a multiplicação do vírus no mosquito.

“É um processo, já de três anos para cá, muito grave de expansão, coroando esse ano de 2024 com números completamente fora da linha histórica que nós definimos. Então, não temos como pensar diferente, de que a doença chegou para ficar. O que resta de questionamento é como será 2025”, analisa Spilki.

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O virologista observa, no entanto, que 80% dos mais de 11 milhões de casos reportados mundialmente foram no Brasil. “Nós sabemos que após surtos muito graves de dengue, nós temos um refreamento do número de casos no contexto nacional, até porque uma boa parte da população acaba se infectando. Também, as pessoas passam a tomar mais cuidados pelo susto”, afirma. Contudo, no caso do Rio Grande do Sul, os números em relação à taxa de anticorpos ainda é muito baixa.

“A quantidade de pessoas que teve contato efetivo com a doença, apesar do tamanho do surto que tivemos ano passado, ainda é baixa em relação a outros cenários. Lamentavelmente, a gente ainda sente, no contato com as pessoas, que muita gente ainda pensa que essa é uma doença exótica, uma doença de outras localidades do Brasil”, analisa Spilki

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Ele ressalta, então, que a prevenção ainda segue no topo das ações mais eficazes para conter a disseminação da doença. Os casos mais graves, segundo o virologista, costumam aparecer ao redor dos meses de março, abril e maio, assim como foi neste ano. No entanto, o mês de janeiro pode ser crucial para evitar piora na situação da dengue. “Um janeiro com muita disseminação inicial também prejudica a situação posterior. Então, precisamos, a partir de agora, tomar medidas para evitar a proliferação do mosquito, que ainda é a medida mais efetiva”, considera Spilki.

Ações de enfrentamento na região

Em Novo Hamburgo, para preparar os agentes da Vigilância em Saúde no combate a dengue, uma capacitação foi realizada com todos os servidores técnicos da rede municipal de saúde, nos dias 3 e 5 de dezembro, na Universidade Feevale. O objetivo do encontro foi discutir ações de enfrentamento para 2025, assim como o manejo clínico da doença.

Capacitação para agentes de Novo Hamburgo  | abc+



Capacitação para agentes de Novo Hamburgo

Foto: Laura Rolim/GES-Especial

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Conforme a gerente da Vigilância em Saúde, Débora Bassani, é preciso o engajamento da população para combater a dengue. “80% dos focos são encontrados nas residências. Se os moradores fizeram a sua parte, vamos conseguir eliminar o mosquito”, afirma. Ela ressalta que a circulação viral está ativa no município. Com a chegada do calor, o número de mosquitos também aumenta, com isso, a transmissão também começa a acontecer.

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“É importante que qualquer sintoma pertinente ou relevante que apareça, a pessoa procure uma unidade de saúde para fazer o primeiro atendimento. Não se automedique”, alerta Débora, além disso, a vigilância orienta que a população permita a visita dos agentes de endemias para vistoriar a presença de focos de mosquito.

São Leopoldo destaca que desde o início de outubro até o momento, a cidade contabiliza 119 notificações de dengue, sendo quatro casos positivos, o que corrobora com o índice do último LIRAa realizado em outubro, que atestou baixo risco de epidemias. “Porém alertamos que apesar dos últimos dois levantamentos de índice geral terem sido de baixo risco, tivemos uma ampliação dos bairros com médio risco, o que segue preocupante”, constata a coordenadora de Vigilância Ambiental Eliane Ocanha.

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Para 2025, Eliane espera uma participação efetiva da população com relação ao trabalho de eliminação de criadouros em suas residências, visto que o mosquito Aedes aegypti tem hábitos domiciliários.

Em Canoas, a Prefeitura informa que está agindo com uma linha de frente para enfrentar a dengue e conseguir melhorar o cenário no município. “A Vigilância tem feito o trabalho de PVE, pulverização e investigação dos casos. Também atuamos na educação da população e sempre temos os agentes na rua, orientando sobre a dengue”, destaca a assessoria de imprensa.

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