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ESPECIAL ESG

O que estará em pauta na COP 30, segundo o embaixador que preside o encontro global

André Corrêa do Lago conversou com o Grupo Sinos a menos de dois meses da Conferência sobre Mudanças Climáticas em Belém

Publicado em: 26/09/2025 às 23h:41 Última atualização: 26/09/2025 às 23h:41
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Direto de Nova York, onde participa da Semana do Clima, o presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), embaixador André Corrêa do Lago, afirmou ao Grupo Sinos que o Brasil pretende conduzir uma conferência voltada para resultados concretos, com ênfase na implementação: acelerar a adaptação, mobilizar financiamento climático e estimular a atualização das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). A conferência ocorre de 10 a 21 de novembro e deve reunir 40 mil pessoas em Belém (PA).

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André do Lago | abc+



André do Lago

Foto: Tânia Rêgo/ABr

Segundo o embaixador, entre as prioridades brasileiras destacam-se o financiamento climático com equidade, com recursos efetivos para mitigação e adaptação, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), além da ambição e atualização das NDCs, que devem ser entregues até o fim de setembro à ONU.

Também estão no centro da agenda a proteção das florestas e a valorização dos territórios indígenas, integrando-os às soluções de mitigação e adaptação. “Assim como o fortalecimento da Agenda de Ação, mobilizando governos locais, sociedade civil, empresas e investidores para ampliar compromissos voluntários que respondam ao Acordo de Paris; e conectar o clima aos hábitos do dia a dia, engajando as pessoas em um mutirão pela ação climática”, pontua.

Durante a Semana do Clima, o Brasil anunciou investimento de US$ 1 bilhão no Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa que será oficialmente lançada na COP 30. A urgência da adaptação também se apoia em experiências recentes no País, como a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024. Entre os temas centrais do evento está a adaptação.

“A experiência nacional com eventos climáticos extremos é um imperativo ético para acelerar a pauta de adaptação, aumentar o financiamento e fortalecer planos nacionais e locais de adaptação, além de programas de capacitação para governos subnacionais”. Conforme Corrêa do Lago, a adaptação é uma agenda prioritária, que requer financiamento robusto: “Ela precisa ser promovida de forma justa e tratada como uma estratégia de desenvolvimento e transformação.”

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Para aproximar os compromissos internacionais da vida cotidiana, o embaixador sublinhou que a presidência da COP aposta em instrumentos práticos como a Agenda de Ação, que mobiliza projetos voluntários da sociedade, empresas e cidades; o mutirão global, voltado a mapear e dar visibilidade a iniciativas locais e globais, facilitando parcerias e atração de recursos; e programas de capacitação para governos locais.

A realização da COP 30 em Belém, na Amazônia, também é simbólica. “É um chamado para que o mundo volte seus olhos à floresta, à biodiversidade, aos povos indígenas e às soluções climáticas que vêm da linha de frente dos ecossistemas tropicais.” Para Corrêa do Lago, o evento representará a chance de o Brasil recuperar protagonismo nas negociações internacionais sobre clima e sustentabilidade. “A COP 30 representa uma oportunidade para o Brasil reafirmar seu papel nas negociações sobre mudanças climáticas e sustentabilidade global”, destaca o presidente do encontro global.

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