Após dias de temperaturas amenas e até frias em alguns pontos do Rio Grande do Sul, uma onda de calor deve impactar as temperaturas e elevar as máximas ao extremo. O fenômeno deve, além de causar grande desconforto, castigar ainda mais áreas afetadas pela estiagem a partir de sexta-feira (27).
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Foto: MetSul
Conforme a meteorologista Estael Sias, da MetSul, vários fatores atmosféricos simultâneos favorecerão a formação de uma bolha de ar quente em províncias do Centro Norte da Argentina, com impactos sobre o Uruguai e o Centro-Sul do Brasil.
O primeiro deles é um jato de altos níveis, que ocorrerá concomitantemente com uma corrente de vento norte ao redor de 1,5 mil metros da superfície, que transportará continuamente ar quente à direção do sul do continente. Além disso, está prevista a escassez de chuva em locais que ainda não se recuperaram da estiagem dos últimos meses.
A MetSul prevê que a temperatura ficará cerca de 10°C acima da média histórica deste começo de outono. Em alguns dias, a máxima pode ficar até 15°C acima do esperado, com calor de verão até mesmo no litoral.
Calorão a partir de sexta
Estael explica que a temperatura rompe os 30°C a partir de sexta em grande parte do Sul do País e da Argentina. No fim de semana, o calor ganha força e as máximas devem ficar entre 36°C e 38°C em partes da Argentina, do Uruguai e do oeste gaúcho.
Não se afasta ainda a possibilidade de chuva localizada e passageira, o que não deve impactar nos termômetros.
Onda de calor pode passar da Páscoa
Nessas condições, uma cúpula de calor se formará entre o Paraguai e parte do Centro-Norte argentino na virada do mês. A meteorologista pontua que o ar que esquentará o solo se propagará para a atmosfera, o que resseca ainda mais o solo e a vegetação, “ou seja, num ciclo que se retroalimento e só será quebrado pela chegada de uma frente fria intensa ou fenômeno similar com chuva e virada na direção do vento”.
Contudo, não há previsão para que isso ocorra nos próximos 7 a 10 dias. A chance de uma mudança no tempo pode ocorrer ao redor de 6 de abril, um dia após a Páscoa, na Argentina, mas sem chegar ao Brasil. “Portanto, se nada mudar nos prognósticos o período de calor intenso e acima do normal poderá ser longo, sobretudo, entre o Centro/Sul do Brasil e o Paraguai”, explica Estael.
No Estado, a sequência de dias com máximas ao redor e acima de 35°C pode seguir entre 7 e 10 dias no centro, no oeste e no noroeste. Na capital e na região metropolitana, as máximas já alcançam 30°C na quinta (26), com 34°C a 36°C no fim de semana. Na próxima, as marcas devem ficar ao redor ou acima de 30°C todos os dias.
“Chama a atenção não só a temperatura atipicamente alta como a longa sequência de dias muitos quentes neste começo de outono.”