O Origem Sustentável é o único programa de acreditação de práticas ESG (ambiental, social e governança, em tradução livre) voltado para empresas da cadeia produtiva do calçado no mundo. Criada pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e pela Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) em 2013 e reformulada em 2019, a iniciativa é baseada nas melhores práticas internacionais de sustentabilidade, seguindo a diretriz de 104 indicadores distribuídos em cinco dimensões: econômica, ambiental, social, cultural e gestão da sustentabilidade.

Foto: Luana Rodrigues/GES-Especial
As categorias certificadas são: Diamante (+80% dos indicadores alcançados); Ouro (+60%); Prata (+40%) e Bronze (+20%). As auditorias são realizadas por órgãos independentes como Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), SGS, Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Intertek e Bureau Veritas.
Atualmente, mais de 110 empresas da cadeia produtiva do calçado são certificadas ou estão em processo de certificação no Oirgem Sustentável. Nos últimos dois anos, o programa teve crescimento no número de empresas certificadas e/ou em processo de – em 2024, o incremento foi de 12% e, no período entre janeiro e setembro deste ano, o aumento é de 6,8%.
De acordo com o gerente de Marketing e Estratégia da Abicalçados, Cristian Schlindwein, a perspectiva para a iniciativa é “continuar em crescimento, por meio da sensibilização de toda a cadeia produtiva acerca da importância de ampliação de práticas sustentáveis como forma de preservação da natureza e dos direitos humanos, mas também como uma ferramenta de competitividade importante”.
Schlindwein destaca que as práticas ESG “avançam no segmento, até mesmo como uma forma de ampliar a competitividade diante dos principais concorrentes internacionais, em especial os asiáticos”.
Segundo ele, hoje o consumidor está mais consciente. “Mas ainda é insuficiente para puxar um movimento mais consistente das marcas. Atualmente, somos o País mais sustentável entre os produtores mundiais de calçados e o consumidor consciente e que deseja usar produtos fabricados por empresas em consonância com os preceitos de ESG já dá preferência para o calçado brasileiro em relação ao asiático, por exemplo.”
Entenda o tema
A gestora de Marketing da Assintecal, Aline Santos, observa que, no setor calçadista, muitas empresas e profissionais “já entenderam a importância da adoção de práticas ESG, entendendo que o tema vai muito além de atender a legislação”. Por outro lado, ela aponta que ainda existem profissionais e corporações que, “por falta de conhecimento e acesso a algumas informações, ainda têm um pouco de receio”.
Nesse sentido, Aline destaca que o nosso propósito enquanto “agentes da cadeia produtiva do calçado é desmistificar a questão”. “O papel do Origem Sustentável, além de certificar fabricantes alinhados ao conceito de uma produção baseada nos princípios de ESG, é desmistificar a aplicação prática da sustentabilidade”, comenta. Ela reitera que, a cada etapa da ceritificação, as empresas “começam a perceber que a sustentabilidade não é um conjunto de regras inflexíveis, mas sim um guia de boas práticas para a inovação e a eficiência”.
Setor calçadista avança em ESG
Composto por mais de 5 mil indústrias que produziram, no ano passado, mais de 929 milhões de pares de calçados, o setor calçadista brasileiro vem avançando em práticas produtivas alinhadas aos conceitos de ESG. “Apesar dos avanços, no entanto, existe um caminho a ser trilhado, caminho que envolve, sobretudo, a conscientização não somente das empresas, mas também dos lojistas e consumidores”, aponta Schlindwein.
Uma recente pesquisa lançada pela Abicalçados, que consta no Relatório Indústria de Calçados – Brasil 2025, aponta que 93% das empresas do setor não descartam mais seus resíduos sólidos em aterros, adotando destinações finais ambientalmente adequadas, como reutilização, reciclagem ou envio para coprocessamento que dá origem a materiais para diversos setores. Outro destaque do levantamento é o aumento no número de empresas que realizam a verificação periódica de fornecedores com relação aos impactos ambientais e sociais do negócio: 71% das fabricantes declararam que realizam essa verificação.
Nível máximo
A Calçados Bibi, de Parobé, foi certificada pelo Origem Sustentável pela quarta vez consecutiva. No nível máximo do programa, o Diamante, a empresa reafirma seu compromisso com as práticas ESG. Primeira do segmento infantil a alcançar a chancela máxima, a Bibi superou os 85% de conformidade em auditoria realizada pela ABNT.
Uma das iniciativas é participar do projeto Mercado Livre de Energia, em que desde 2012 faz a compra de energia elétrica advinda de fontes renováveis, sendo certificada no programa Perfil Sustentável. Com participação no projeto há 13 anos na planta fabril localizada na região, e há oito anos em sua fábrica na Bahia, a companhia deixou de emitir mais de duas toneladas de CO2 equivalente, o que corresponde ao plantio de mais de 14 mil árvores. Além disso, desde que entrou no Mercado Livre de Energia, a calçadista economizou quase R$ 600 mil na planta fabril gaúcha e mais de R$ 3 milhões na fábrica baiana.
Websérie sobre sustentabilidade
No começo deste ano, o Jornal Exclusivo – veículo segmentado do Grupo Sinos –, em parceria com o Origem Sustentável, lançou a websérie “Nossa Origem é Sustentável”. Na série on-line, calçadistas e empresas da indústria de base (componentes), certificadas no nível máximo do programa, compartilharam seus cases. A primeira temporada está dividida em seis episódios, que foram disponibilizados no site exclusivo.com.br e também no Instagram @jornalexclusivo.
Participaram da primeira temporada de “Nossa Origem é Sustentável”, as empresas Usaflex (Igrejinha), RR Componentes (Três Coroas), Piccadilly (Igrejinha), Calçados Bibi (Parobé), Calçados Pegada (Dois Irmãos) e Ambiente Verde (Igrejinha).
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