Na última quarta-feira (23), a Catedral São Luiz Gonzaga, em Novo Hamburgo, foi palco de uma missa especial em memória do papa Francisco, falecido no início da semana. Entre os presentes estava o padre Miguel Arnold, natural de Dois Irmãos, que teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o pontífice em 2022 no Vaticano.
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Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial
Reitor do Seminário Maior São Luiz Gonzaga, em Viamão, o sacerdote lembra que naquele ano participou de um curso para reitores de seminários da América Latina, promovido pelo Dicastério para o Clero, e realizado na capital católica. Ao final do encontro, foi realizada uma audiência privada com o papa.
“Tive a oportunidade de encontrar o papa em 2022, durante um curso realizado no Vaticano. O curso era voltado a reitores de seminários da América Latina e foi promovido pelo Dicastério para o Clero. Ao final, tivemos uma audiência privada com o papa”, recordou.
Na ocasião, ele lembra que Francisco discursou por cerca de 20 minutos sobre a importância do trabalho dos formadores de novos padres. Em seguida, o pontífice cumprimentou um a um os mais de 270 participantes.
“Foi marcante ver como ele fazia questão de olhar no olho de cada um, perguntar sobre a origem, demonstrando interesse genuíno pela nossa história. Foi um gesto de carinho e atenção que nos emocionou muito”, continuou.
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Foto: Arquivo pessoal
Um papa próximo das pessoas
Miguel destacou a proximidade de Francisco com as pessoas como uma de suas principais marcas. Para ele, o pontífice vivia com intensidade a missão de cuidar dos mais vulneráveis.
“Esse papa tinha uma proximidade impressionante com as pessoas. Mesmo sendo líder da Igreja no mundo todo, se comportava como um verdadeiro pastor, sempre atento às necessidades dos outros”, argumentou.
“Era um homem profundamente identificado com o Jesus do evangelho, aquele que cuida dos mais sofridos, das pessoas à margem, dos doentes, dos pobres. Tinha um zelo pastoral com todos, especialmente com os que mais precisavam. Me impactava muito a forma como ele tentava resgatar as pessoas das periferias existenciais”, acrescentou.
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Homenagem da Diocese de Novo Hamburgo
A missa em homenagem ao papa foi celebrada por Dom João Francisco Salm, bispo da Diocese de Novo Hamburgo. Ao final do encontro, Dom João falou com a reportagem e lembrou o papel do papa como figura de união e liderança para os católicos.
“Nos reunimos em oração pelo falecimento do papa. Foi um momento para estarmos unidos com a Igreja no mundo inteiro, pedindo pela paz eterna do pontífice e também rezando para que Deus conduza a escolha de um novo papa conforme sua vontade”, explicou o bispo.
Dom João também concordou com padre Miguel ao descrever Francisco como um líder próximo e acessível. “Cada papa tem suas particularidades, mas todos seguem fielmente o evangelho. Este papa, em especial, era conhecido por sua simplicidade, proximidade com as pessoas e linguagem acessível. Todos o compreendiam”, concordou.
Sobre sua capacidade de diálogo, o bispo afirmou: “Ele dialogava com todos, inclusive com quem pensava ou agia diferente. Isso às vezes causava estranhamento, mas ele nunca rejeitou ninguém, assim como Jesus também acolhia a todos.”
“Era um homem com uma visão muito à frente do seu tempo. Ensinava sobre inclusão e valorização do ser humano. Via todos como filhos de Deus e acreditava na importância de respeitar e amar cada pessoa. Foi incansável na busca pela paz. Sempre fazia apelos por reconciliação e fraternidade entre os povos”, concluiu.