Quem pegar o ônibus no Rio Grande do Sul vai perceber que o preço da passagem está mais caro. A novidade está vigente desde quarta-feira (8), a partir da aprovação do Conselho de Tráfego do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), que validou um reajuste de 8,18% na tarifa do transporte intermunicipal no Estado.

Foto: Bruno Morais/GES-Especial
A medida, pendente desde junho de 2025, possui o 6º maior percentual desde 2008, escala de tempo em que o Daer disponibiliza os cálculos. O maior reajuste no período foi em 2022, quando as tarifas aumentaram 20,41%. Conforme o Departamento, essa atualização se deve a um pedido das associações das empresas transportadoras.
De maneira geral, linhas de conexões entre duas ou mais cidades diferentes são impactadas com a mudança. Fazem parte dessa mudança as linhas de longo curso nas modalidades comum, semidireto e direto, com embarque nas estações rodoviárias ou fora delas, e nas linhas suburbanas do interior.
Para definir os novos valores, o Departamento analisou a cesta de índices da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS (Agergs), que combina o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Ainda no processo para definir o percentual de aumento, foi considerada a variabilidade do preço dos combustíveis.

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Algumas linhas impactadas na região
A lista de linhas afetadas engloba diversos municípios do Estado, regiões e conexões diferentes. Entre elas, estão: São Leopoldo – Nova Petrópolis, realizada pela empresa Wendling; Dois Irmãos – Morro Reuter, Wendling; Novo Hamburgo – Feliz, Expresso Caxiense; Taquara – Canela, Citral; São Sebastião do Caí – São José do Hortêncio, Caiense; Novo Hamburgo – São Leopoldo – Tramandaí, Unesul; Montenegro – Harmonia, Viação Montenegro; e Ivoti – Picada Café, Capivarense, com embarque nas estações.
Já no embarque fora das estações, a medida afeta os usuários deste transporte público em trajetos como Novo Hamburgo – Presidente Lucena, realizada pela empresa Capivarense; São Leopoldo – Lindolfo Collor, Capivarense; Canoas – Tramandaí, Unesul; São Francisco de Paula – Gramado, Citral; Canela – Montenegro, Citral; Taquara – Riozinho, Citral; Dois Irmãos – Santa Maria do Herval, Wendling; e São Sebastião do Caí – Bom Princípio, Caiense.

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“Um absurdo”; usuários falam sobre aumento dos preços
A mudança influencia diretamente no bolso dos usuários do serviço de transporte público. Maria Eloi, 64 anos, é moradora de São Nicolau e costuma comprar passagem da cidade à Porto Alegre no valor de 266 reais. Com a mudança nas tarifas, o cenário fica ainda mais complicado. “É muito caro. Fazer uma viagem assim, pagar esse valor, acho caro. Temos que economizar, porque se não economizar, não consegue fazer uma viagem”, comenta Maria, que só nos últimos três meses, investiu mais de R$ 1 mil nesse trajeto.

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Estudante de Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Camili Silva, 17, é outra passageira a receber negativamente a notícia. “Todo mundo que não tem condições de ter um carro, que trabalha ou estuda longe, precisa de transporte público e, além de, às vezes, ele não ser de qualidade, é extremamente caro. Acho um absurdo. Impacta no lazer, deixar de ter momentos para poder economizar para conseguir pagar o transporte, porque é uma necessidade”, desabafa a estudante, que de segundas a sextas-feiras vai de Novo Hamburgo a Porto Alegre cursar o ensino superior.
O Daer reforça que o ajuste tarifário está previsto em lei, e que movimentações como essa são essenciais para o equilíbrio econômico destas operações. Questionado sobre uma possível diminuição no requerimento dos serviços, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem disse não ser possível mensurar a variabilidade no número de passageiros.