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ATAQUE EM ESCOLA

Perturbação mental e "amigo imaginário": O que diz delegado sobre adolescente que atacou escola em cidade do RS

Moradores de Estação pedem por justiça; aulas são retomadas nesta semana na cidade

Publicado em: 14/07/2025 às 14h:56 Última atualização: 14/07/2025 às 15h:04
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“Claramente, ele tem uma perturbação mental”, afirmou o delegado José Roberto Lukaszewigz sobre o adolescente de 16 anos que entrou em uma escola e atacou crianças com um facão, em Estação, cidade no Norte do Rio Grande do Sul.

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Vitor André Kungel Gambirazi, 9, foi atingido por pelo menos 11 facadas e teve a morte confirmada após ser atendido. Outras três pessoas ficaram feridas, sendo duas crianças e uma professora, que tentou intervir no ataque. Todos foram para atendimento médico.

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Três crianças foram atacadas por um homem com facão em uma escola de Estação, no dia 8 de julho | abc+



Três crianças foram atacadas por um homem com facão em uma escola de Estação, no dia 8 de julho

Foto: Diego Camargo/Portal Tchê

O crime aconteceu na manhã de terça-feira (8) da semana passada. No dia, o jovem fingiu estar entregando currículos, entrou na Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Nascimento Giacomazzi e atacou crianças e professores com um facão. O adolescente foi apreendido ainda na terça.

O delegado da 11ª Região Policial de Erechim, que é responsável pelo caso e interrogou o adolescente após a apreensão, disse que o jovem parecia falar com um “amigo imaginário” e demonstrou não entender a gravidade do crime.

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“Durante a entrevista, ele olhava para o lado e parecia estar falando com outra pessoa, como se fosse um amigo imaginário”, afirmou Lukaszewigz ao portal de notícias Bom Dia.

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No dia anterior ao ataque, o adolescente havia consultado com um psiquiatra. O jovem fazia acompanhamento psiquiátrico há mais de um ano, conforme a Polícia Civil (PC).

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Entretanto, o delegado diz não ser possível “afirmar que qualquer diagnóstico tenha relação com o ato de violência”. “O quadro médico não está esclarecido”, reiterou ao portal.

O jovem não tem antecedentes criminais, histórico de brigas ou “inimigos passados”. “Tão pouco, de violência em qualquer aspecto.”

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A PC segue investigando o caso. O celular do jovem também foi apreendido e enviado para análise no Departamento de Informática da Polícia Civil, de acordo com o Bom Dia. A quebra de sigilo dos dados telemáticos do aparelho do jovem também foram autorizadas pela Justiça.

Após ser apreendido, o adolescente foi internado provisoriamente no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) em Passo Fundo, por ordem judicial.

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Aulas retomadas

Após serem canceladas ainda no dia do crime, as aulas voltaram em três escolas da cidade, conforme um anúncio da prefeitura de Estação. Nesta segunda-feira (14), elas foram retomadas nas redes de ensino EMEI Anjinho da Guarda, EMEF Aurélio Castelli e EMEF Pedro Cecconelo.

Entretanto, o turno integral permanece temporariamente suspenso na escola Aurélio Castelli, “considerando a reorganização da comunidade escolar”.

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Já a escola Maria Nascimento Giacomazzi, onde o crime aconteceu, “seguirá um planejamento especial, que será comunicado em breve”, afirma a prefeitura.

“Nossos alunos serão recebidos com muito cuidado e carinho”, disse a prefeitura em uma publicação nas redes sociais. “A semana será dedicada a atividades leves, sem provas, com música, brincadeiras, histórias e apoio emocional com psicólogos nas escolas.”

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Quanto à segurança nas escolas, a prefeitura afirma que foram adotadas “medidas reforçadas” junto à Segurança Pública. Dentre elas, estão:

  • Segurança nas escolas
  • Interfones e botão do pânico
  • Presença de policiais do Proerd
  • Entrada controlada com agendamento e identificação.

Prefeitura pede colaboração e cuidado

A prefeitura pede ainda a colaboração das famílias, pedindo que elas evitem que as crianças faltem nos primeiros dias a não ser que seja necessário. Ainda, eles orientam que os pais conversem com os filhos para reforçar que a escola é segura e que os responsáveis fiquem atentos aos comunicados das escolas.

Além disso, a prefeitura pediu cuidado com a “exposição das crianças em redes sociais ou com a imprensa”. “Esse tipo de divulgação pode gerar mais sofrimento e insegurança. Entendemos a dor e a comoção gerada pelo ocorrido”, continuou.

O município ainda reafirmou que a “apuração dos fatos está sendo feita com seriedade pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Justiça do RS, que são os órgãos responsáveis por investigar, julgar e garantir a responsabilização de quem cometeu o ato”.

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Acolhimento

A partir desta segunda-feira, as escolas também contam com um serviço de acolhimento. Antes, ele estava sendo realizado na Casa de Cultura de Estação.

“Ressaltamos que seguimos ofertando acompanhamento psicológico a todos que entenderem necessário nesse momento”, afirma a prefeitura da cidade. Para isso, os moradores devem agendar o atendimento diretamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) pelo telefone.

Reclamações

A comunidade de Estação não está feliz com a maneira que a prefeitura lidou com o caso. No sábado (12), moradores da cidade fizeram manifestações, pedindo por justiça.

Em entrevista à rádio Planalto, a tia de Vitor, aluno de 9 anos que faleceu após o ataque, disse que o número de crianças feridas pelo agressor é maior do que o divulgado pela prefeitura. Ela também pede por justiça “justa, digna e honesta”.

Emocionada, a mulher questionou: “Como vai ficar agora o meu peito de largar o meu filho dentro de uma porta da escola, seja qual é a escola, seja qual é a cidade?.”

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O mecânico Kauê Xavier, que afirma ter retirado Vitor de uma das salas de aula onde estava o agressor e levado a criança até a frente da escola, também reclamou sobre a situação a uma rádio, em um vídeo que está circulando nas redes sociais.

Segundo ele, o adolescente estava sendo atendido em uma ambulância antes das vítimas. Xavier diz não ter aguentado e retirado o jovem mais de uma vez do lugar. “O agressor, que tinha dado as facadas, estava dentro da ambulância. Daí eu enlouqueci, fiquei bravo. Entrei e tirei o cara”, relatou.

“O pai do agressor estava lá, até deu uns rosco fusco lá, deu uns empurrões e coisarada. Mas eu tirei o cara de dentro da ambulância duas vezes”, continuou. “Na terceira vez, eles botaram o agressor para dentro de uma caminhonete branca.”

Segundo ele, só então Vitor foi colocado na ambulância para ser atendido por profissionais da saúde.

Até o fechamento desta matéria, a prefeitura de Estação estava em reunião e não pôde falar sobre o assunto.

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Confira o vídeo:

Responsável por retirar o menino Vitor relata como foi o momento e o sentimento diante da situação
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