Uma moradora da região registrou uma cena triste no litoral norte do Rio Grande do Sul ao se deparar com pinguins mortos na beira da praia. O caso aconteceu em Imbé, e reacendeu a dúvida sobre as causas da mortalidade desses animais no litoral gaúcho.
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Foto: Arquivo pessoal
Vanusa Marques, moradora de Estância Velha, contou que, ao sair para caminhar na beira da praia de Albatroz, na última quarta-feira (22), encontrou quatro pinguins mortos. Segundo ela, os corpos dos animais estavam em um trecho de cerca de 100 metros.
Fenômeno natural e recorrente
Segundo o biólogo Maurício Tavares, do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar) da UFRGS, o fenômeno é natural e ocorre todos os anos no litoral do RS, principalmente no inverno, mas também é recorrente no início da primavera. O Ceclimar realiza desde 2012 o monitoramento de cerca de 130 quilômetros do litoral, entre Torres e Dunas Altas.
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Ele explica que os pinguins-de-magalhães migram da Patagônia em direção ao norte da América do Sul, e muitos não resistem à viagem. “Em média, mais de mil pinguins morrem por ano nesse trecho monitorado”, afirmou o pesquisador em vídeo publicado no canal no YouTube do Ceclimar.
Jovens em fase de aprendizado
De acordo com Tavares, a maioria dos pinguins encontrados mortos são jovens que acabaram de se separar dos pais. Eles enfrentam doenças, inanição e dificuldades para se alimentar. “Cerca de 96% dos encalhados são filhotes no primeiro ano de vida, magros e com parasitas”, explicou.
O biólogo reforça que, embora algumas mortes estejam ligadas à pesca ou à ingestão de plástico, o principal motivo é natural e faz parte do ciclo migratório da espécie. “Não há motivo para alarde. Trata-se de um processo natural e cíclico”, completou.
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