Pouco mais de dois anos em recuperação após chegar ao Hospital Veterinário Feevale (Hovet), o potro Saci, que completa 3 anos de vida em março, já está completamente recuperado e disponível para interessados em adotá-lo. O animal, que pesava 118 quilos, passou de 300 e se recuperou totalmente da amputação de parte da pata traseira direita, a qual foi substituída por uma prótese.

Foto: Weslei Fillmann/Especial
A situação ocorreu no final de 2022, quando a prefeitura de Campo Bom entrou em contato com o Hovet informando sobre o ferimento do potro. No entanto, segundo o veterinário José Luiz Ávila Terra, a foto que mostrava o animal era de alguns dias antes. Sem o tratamento adequado, houve um agravamento na ferida, causada por um arame farpado, que provocou a perda do casco.
Prótese
Após a cirurgia, a primeira prótese foi construída artesanalmente pelo profissional. No entanto, como o animal foi ficando mais pesado com o tempo e corria sempre que tinha espaço, a prótese feita de PVC precisou ser substituída. Terra projetou um modelo de alumínio, que foi confeccionado pela oficina tecnológica da Feevale.
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“Entramos em contato com o dono da Redboot, empresa argentina que faz próteses para equinos. Mostramos o modelo e ele disse que era aquilo que o animal precisava. Só precisávamos achar uma maneira de deixar mais firme e resistente”, comenta.
O projeto de uma nova prótese já está pronto e a confecção ficará a cargo da New Soldas, de Novo Hamburgo. A ideia, segundo Terra, é aproveitar a que o Saci já usa, ajustando o tamanho e aplicando fibra de vidro, para aumentar a resistência, tornando-a definitiva.
Cavalo precisa de cuidados com a prótese
Apesar de recuperado, o cavalo ainda precisa de cuidados diários para que ele possa viver de forma adequada, o que limita o número de interessados aptos a levarem o Saci para casa. De acordo com o veterinário, ele não pode ser deixado sozinho muito tempo, precisa trocar o algodão que dá firmeza na prótese duas vezes por dia, o campo onde ele ficará precisa ser firme, pois a prótese pode afundar, dentre outros cuidados. Além disso, ele não poderá ser montado. “É um pet grande”, brinca Terra.
Interessados devem entrar em contato com o Hovet pelo número (51) 3597-5819. Até o momento, o hospital já recebeu contato de moradores de Porto Alegre, Gravataí e Novo Hamburgo, mas nenhum conseguiu cumprir os requisitos para adotar o animal. “A tutoria dele ainda é da prefeitura de Campo Bom, que segue auxiliando na alimentação”, conta Felipe.
Vínculo com o animal e interação com os alunos
“Parceria total com o Saci”, afirma José Terra. Acompanhando o cavalo desde o segundo dia em que ele estava no Hovet, o veterinário conta que criou um vínculo com o animal. Inclusive, diz que o potro é colorado, em homenagem ao mascote do clube porto-alegrense. Durante o período em que acompanhava o Saci, percebeu como ele foi mudando, desde a pelagem, mais brilhosa devido aos bons cuidados, quanto ao relinchar quando percebe a aproximação do profissional e a maneira de se levantar, visto que não possui uma das patas.
E essa convivência com o Saci também é aproveitada nas aulas práticas com os estudantes do curso de Veterinária. “Como aluno, a gente vê nos livros coisas que, na prática, se mostram totalmente diferentes. Então, essa é a importância do aluno fazer estágio, acompanhar, ter à disposição um hospital para acompanhar casos e casos”, comenta Terra. Saci é usado para aulas práticas de raio-X, ultrassonografia e troca de curativos pelos alunos, o que auxilia no aprendizado.
Outra possibilidade é utilizar o Saci em ações como a da Sereia, égua de 19 anos que atua no Hospital Sapiranga, no tratamento de pacientes da ala mental da instituição. No entanto, seria necessário esperar um tempo, pois como é jovem e cheio de energia, precisa ganhar experiência para ficar mais imóvel no meio de várias pessoas. “Pelo fato dele ter uma prótese, pode ser até um estímulo para pacientes humanos, que estejam em uma situação semelhante. Mas como ele é muito jovem, tem muita saúde e quer mostrar isso, por enquanto não é recomendável”, brinca Felipe Silva, supervisor administrativo do Hovet.