Principal ligação entre Campo Bom e Novo Hamburgo, a Avenida Brasil deve passar por uma grande transformação. A duplicação da via foi a demanda mais votada pelos campo-bonenses nas reuniões do Conselho Comunitário realizadas entre março e abril deste ano, sendo escolhida como a obra prioritária da cidade. Apesar disso, a prefeitura ainda não confirma prazos ou recursos que serão utilizados.

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial
Trecho fundamental para o trânsito local, a avenida já é duplicada em sua parte inicial, onde está localizada a popular lomba de Campo Bom, e conecta com a Avenida Victor Hugo Kunz, de Novo Hamburgo. No entanto, a maior parte da via segue em pista simples, o que gera congestionamentos e compromete a fluidez do tráfego. Motoristas que passam diariamente pelo trecho apoiam a duplicação, mas demonstram preocupação com o impacto das obras.
“Para nós que dirigimos bastante por aqui, seria boa uma duplicação mesmo. O ideal era diminuir a quantidade de sinaleiras, porque nos horários de pico elas causam muita tranqueira e fica difícil, tem que parar toda hora e por isso se forma muita tranqueira”, disse Luiz Mário da Silveira, 47 anos, motorista de aplicativo.
Ele também alertou sobre os desafios durante a execução do projeto. “A única coisa que a gente fica pensando é o que vai ser feito durante as obras, se vão fechar um lado depois o outro, ou vão fazer algum desvio. A verdade é que vai ser um caos, mas deve fazer bem para a cidade”, falou.
Para o comércio instalado ao longo da avenida, o receio é de que o acesso aos estabelecimentos seja prejudicado durante os trabalhos. Funcionário de uma revenda de automóveis na avenida, Rubens Henrique Müller, 41, relatou as preocupações do setor.
“A maioria reclama do trânsito e pede que tenham menos entradas para as outras ruas para diminuir a quantidade de sinaleiras, mas para as lojas aqui dessa parte da avenida é muito importante para facilitar a chegada dos clientes”, disse.
“Então, dá pra imaginar que vai ter bastante transtorno quando começar essas obras. Imagino também que é capaz de a loja ter que ficar sem acesso aqui na entrada por um tempo. Isso vai ser um problema, tomara que eles pensem em uma solução”, completou.

Foto: Gabriel Stöhr/GES Especial
Quem mora na cidade há mais tempo destaca o potencial de embelezamento da duplicação. A aposentada Leandra Rocha, de 68 anos, lembrou do trecho inicial já duplicado.
“Se fizerem igual é lá na entrada vai ficar bem bonito, com canteiro central e tudo mais. Também era importante eles mexerem nas calçadas, porque a situação das que estão aqui está ruim e fica feio para a entrada da cidade”, falou.
Segundo a prefeitura, a duplicação da Avenida Brasil é considerada uma obra essencial para o desenvolvimento urbano. O projeto, que está na fase final de elaboração, prevê não apenas o alargamento da pista, mas também melhorias no sistema de drenagem. A administração destaca que, além de otimizar o fluxo de veículos, a obra ajudará a resolver os frequentes alagamentos que atingem comerciantes e moradores da região.
Como se trata de uma intervenção de grande porte, o município afirma que será necessário buscar financiamento para executá-la. Ainda não há definição oficial sobre a origem dos recursos, mas a proposta deve ser incluída no orçamento municipal de 2026.
Mais demandas
A duplicação da Avenida Brasil foi escolhida como prioridade em um processo participativo conduzido pelo Conselho Comunitário. Ao todo, foram realizadas 15 reuniões em diferentes bairros, com a presença de mais de 2 mil moradores. Cada região elegeu uma demanda prioritária e um conselheiro comunitário, que ficará encarregado de acompanhar o andamento das propostas junto à prefeitura.
Além da avenida, demandas relacionadas à saúde, educação e contenção de alagamentos também foram destaque. De acordo com a Prefeitura, os encontros com a população permitiram identificar necessidades específicas de cada região e alinhar os investimentos futuros com as reais demandas dos moradores.
No caso da saúde, a principal obra em andamento é a ampliação do Hospital Doutor Lauro Reus, que está na fase final e representa um investimento de mais de R$ 10 milhões. Com a conclusão, o Pronto Atendimento (PA) será transferido para o hospital, funcionando 24 horas e integrando melhor os serviços. O município projeta ainda a aquisição de equipamentos para exames de maior complexidade, melhorias no bloco cirúrgico e busca por reconhecimento em especialidades como traumatologia e oftalmologia.
Na educação, a cidade conta com 44 escolas da rede municipal, consideradas bem equipadas. No entanto, o número elevado de unidades exige manutenção constante. Segundo a prefeitura, muitas das propostas votadas incluem melhorias como climatização, pintura e reformas em quadras. Algumas escolas, como Borges de Medeiros, Lúcia Mossmann, Santos Dumont e Rui Barbosa, devem passar por reformas estruturais mais amplas.
A contenção de alagamentos também apareceu entre as demandas mais votadas. Conforme a administração municipal, parte das soluções passa por obras estruturais como a duplicação da Avenida Brasil, que prevê o redimensionamento do sistema de drenagem. Já na região 9, os moradores apontaram como prioridade intervenções nas Ruas Cezar Maurer e Avelino Ritzel. No bairro Barrinha, está prevista a construção de uma ponte seca na Estrada Pio XII, ajudando a amenizar os impactos das enchentes. No bairro Operária, outras ações de infraestrutura serão executadas para reduzir os alagamentos.
Participação nas decisões
Para a secretaria-geral de governo de Campo Bom, Beatriz Fagundes, o Conselho Comunitário representa uma ferramenta decisiva para garantir que os recursos públicos atendam efetivamente às necessidades da população.
“O conselho é um instrumento que serve para aproximar o cidadão das coisas públicas, que também são suas, como o orçamento da cidade e o que de fato é responsabilidade do município. Assenhorados disso, é que os moradores de Campo Bom ajudam a administração a escolher os investimentos prioritários”, afirmou Beatriz.
As obras escolhidas agora passarão a compor o orçamento do ano que vem. Até lá, os conselheiros atuarão como ponte entre a prefeitura e os bairros, reforçando o papel da participação popular nas decisões que moldam o futuro da cidade.
Ações mais votadas em cada região:
Região 1 – Grande Operária, Sempre Unidos, Esperança, Floresta, Bem Viver 1 e 2, Vila Nova e Industrial Sul
Prioridade: Contenção de alagamentos, com 62,6%.
Região 2 – 25 de Julho, Mônaco, Cohab Leste e Recanto da Paz
Prioridade: Melhorias no piso da quadra da Escola 25 de Julho com 30,8%.
Região 3 – Imigrante Norte e Blumenburg
Prioridade: Reforma da Escola Santos Dumont com 45,8%.
Região 4 – Vila Rica, Porto Blos e Barrinha
Prioridade: Construção de pontes secas na Barrinha com 39,4%.
Região 5 – Paulista e Alto Paulista
Prioridade: Instalação de ar-condicionado na Escola Marcos Silvano e EMEI Pedacinho do Céu com 36,2%.
Região 6 – Santa Lúcia, Jardim do Sol, Vila Velha, Jardim das Flores e Morada da Brisa
Prioridade: Reforma e ampliação da Emef Lúcia Mossmann com 40,5%.
Região 7 – Aurora e Ipiranga
Prioridade: Ampliação de atendimento na UBS, com mais médicos, odontologia e horário estendido com 31,3%.
Região 8 – Firenze, Metzler, Solar do Campo, Industrial Norte e Renascer
Prioridade: Reforma da Escola Rui Barbosa com 30,7%.
Região 9 – Bela Vista, Cohab Sul e Gringos
Prioridade: Contenção de alagamentos nas Ruas Cezar Maurer, Avelino Ritzel e arredores com 31,9%.
Região 10 – Rio Branco e Fauth
Prioridade: Melhorias na ciclovia, drenagem lateral e iluminação com 32,8%.
Região 11 – Dona Augusta e Imigrante Sul
Prioridade: Melhoria dos acessos principais pela Avenida São Leopoldo com 37,1%.
Região 12 – Morada do Sol, Bem Viver 3 e União
Prioridade: Reforma e ampliação da Escola Morada do Sol com 48,9%.
Região 13 – Santo Antônio, Quatro Colônias Oeste, Quatro Colônias Norte, Vale do Sinos, Vila Brito e Coopernorte
Prioridade: Asfaltamento da Rua Ernesto Schirmer com 26%.
Região 14 – Celeste, Genuíno Sampaio e Dom Guilherme
Prioridade: Reforma e pintura da Escola Borges de Medeiros com 39,7%.
Região 15 – Centro e Colina Deuner
Prioridade: Duplicação da Avenida Brasil com 41,5%.