Durante o evento de Balanço e Apresentação de Novas Ações Estratégicas do governo do Estado, realizado nesta quarta-feira (18) no Palácio Piratini, o governador Eduardo Leite (PSD) detalhou medidas voltadas à prevenção de cheias e ao reforço da drenagem urbana em municípios da região metropolitana e do Vale do Sinos.
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Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Segundo o governador, o Estado mantém diálogo direto com cidades como Novo Hamburgo e São Leopoldo para viabilizar projetos de melhoria nos sistemas de drenagem. Parte das ações ocorre por meio de repasses financeiros “fundo a fundo”, que permitem às prefeituras executar intervenções como hidrojateamento de redes pluviais e outras obras de manutenção.
Um dos principais pontos abordados foi o andamento do projeto de proteção contra cheias na Bacia do Rio dos Sinos. Conforme Leite, a proposta está em fase de reavaliação técnica após os eventos climáticos extremos registrados em 2024.
“O projeto da Bacia do Sinos é um dos mais complexos, envolve uma área muito ampla e com características diferentes. Estamos atualizando o anteprojeto em conjunto com as prefeituras para ajustar às novas realidades”, afirmou.
De acordo com o governo, o trabalho atual consiste na escuta técnica dos municípios para identificar pontos críticos e adaptar o planejamento às necessidades locais. A intenção é evitar falhas estruturais e garantir maior efetividade das futuras intervenções.
Apesar do avanço nos novos projetos, o governador destacou que a prioridade, neste momento, está na melhoria dos sistemas já existentes.
“O foco agora é atuar sobre o que já temos, dando suporte às cidades para que possam operar melhor suas redes de drenagem”, pontuou.
Entre as medidas em andamento estão ações financiadas com recursos do fundo estadual, voltadas à limpeza e manutenção de sistemas pluviais. O objetivo é reduzir riscos imediatos, especialmente em áreas historicamente afetadas por alagamentos.
Apoio técnico e financeiro aos municípios
O Estado também apontou atuação conjunta com as prefeituras, oferecendo suporte técnico e financeiro. Segundo o secretário de Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, “equipes estaduais mantêm contato constante com os municípios para acompanhamento de projetos e execução de melhorias.
A estratégia, segundo o governo, busca ampliar a capacidade de resposta das cidades diante de eventos climáticos, ao mesmo tempo em que avança no planejamento de obras estruturais de maior porte.
As ações integram um conjunto de medidas anunciadas pelo governo estadual após os impactos das enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024. A revisão de projetos e o reforço na drenagem urbana fazem parte da tentativa de aumentar a resiliência das cidades.
Nova secretaria amplia estrutura de prevenção e resposta a desastres
Anunciada durante o evento no Palácio Piratini, a criação da Secretaria de Estado de Proteção e Defesa Civil integra o conjunto de medidas do Plano Rio Grande voltadas ao enfrentamento de eventos climáticos extremos. A proposta será encaminhada à Assembleia Legislativa e prevê a elevação da atual estrutura — hoje vinculada à Casa Militar — ao de secretaria, com maior autonomia administrativa e orçamentária.
Segundo o governo do Estado, a nova pasta terá como foco fortalecer a gestão de riscos e desastres, ampliando a capacidade de planejamento, coordenação e resposta. A iniciativa busca consolidar a política de proteção como uma ação permanente, diante da recorrência e intensidade de eventos climáticos nos últimos anos.
A medida também está alinhada a outras ações anunciadas no mesmo evento, que incluem investimentos em monitoramento, estrutura operacional e apoio aos municípios, com o objetivo de tornar o Estado mais preparado para prevenir, responder e reconstruir áreas atingidas.
Batimetria na Lagoa dos Patos e projetos nas bacias do Caí e Gravataí
Durante o mesmo evento no Palácio Piratini, o governador Eduardo Leite e o vice-governador Gabriel Souza anunciaram a ampliação de estudos técnicos em áreas estratégicas do sistema hídrico do Estado, com destaque para a realização de batimetria na Lagoa dos Patos e o avanço de projetos nas bacias dos rios Caí e Gravataí.
A batimetria — levantamento que mede a profundidade e o relevo do fundo de rios e lagoas — é considerada fundamental para o planejamento de ações como desassoreamento e prevenção de enchentes. A partir desses dados, o Estado pode desenvolver modelagens mais precisas sobre o comportamento da água, especialmente em cenários de eventos climáticos extremos.
As medidas fazem parte das estratégias do Plano Rio Grande e buscam ampliar a capacidade de resposta do Estado diante de cheias, sobretudo em regiões que integram o sistema que desemboca no Guaíba e, posteriormente, na Lagoa dos Patos. Esse conjunto inclui bacias como as dos rios Caí e Gravataí, que têm papel relevante na dinâmica hídrica da Região Metropolitana.
Segundo o governo, o avanço desses estudos técnicos permitirá intervenções mais direcionadas e baseadas em evidências, com foco na redução de riscos e no aumento da segurança das áreas urbanas e rurais afetadas por inundações.
Monitoramento
Dentro das novidades anunciadas pelo governo do Estado, está o Portal ClimaRS, uma plataforma que pode ser acessada gratuitamente para monitorar o nível dos rios, como Guaíba, Gravataí e Sinos. A plataforma conta com estações de monitoramento que analisam dados meteorológicos e hidrológicos de forma fácil e intuitiva. No Sinos, ela fica localizada em São Leopoldo e manda informações diárias sobre o nível do rio, inclusive, com a possibilidade de observar seu colime nas últimas horas. Leite destaca que a tecnologia permite antecipar ações preventivas, a fim de minimizar os riscos e prejuízos.
Também foi assinada a contratação de projeto e execução da obra para a construção do Centro Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres (Cegird), na capital.