É impossível caminhar pelo Calçadão de Imbé e não parar em um dos 11 quiosques, atraído pelos aromas irresistíveis dos petiscos, como violinha, camarão e batata-frita. No dia 7 de janeiro, o mais antigo desses quiosques celebrou 47 anos, sendo um dos pioneiros do comércio à beira da praia. Protásio Mansuelo da Silva, 76 anos, conhecido como “Mineiro”, e sua esposa, Conceição da Silva, 64, são nomes reconhecidos no município. Juntos, eles transformaram o Quiosque do Mineiro em um ponto de referência.

Foto: Fotos Joceline Silveira/GES-Especial
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A trajetória de Protásio, que começou com um simples negócio de milho verde na praia, é um exemplo de perseverança. Ele é um dos poucos comerciantes que migrou das antigas carrocinhas de milho verde para as estruturas na Avenida Beira-Mar. “Somos o único quiosque que trabalha o ano inteiro e estamos aqui há mais tempo que qualquer outro”, destaca Conceição, que, antes de se estabelecer em Imbé, trabalhou como garçonete em Osório, sua cidade natal.
A história do casal é marcada pela união e pelo esforço conjunto. Protásio, natural de Itabira, cidade mineira famosa por ser berço do poeta Carlos Drummond de Andrade, chegou ao Rio Grande do Sul em dificuldades financeiras, mas a hospitalidade da região permitiu que ele recomeçasse sua vida e construísse um negócio de sucesso com a esposa e seus quatro filhos. “Tenho uma filha ‘especial’ que é tudo para nós. Quando não estou no quiosque, estou com ela”, revela Protásio, emocionado.
Jornada
O casal começou sua jornada em Imbé em 1978, quando a cidade ainda não havia se emancipado de Tramandaí, o que aconteceu nove anos depois. Inicialmente, eles trabalhavam em um hotel à beira da praia e, diante de dificuldades financeiras, decidiram vender alimentos diretamente na orla para complementar a renda. O início foi simples: uma mesa com um buraco para cozinhar milho e um isopor para refrigerantes. Com o tempo, o negócio foi evoluindo. Juntaram dinheiro e adquiriram sua primeira carrocinha, depois um carroção e, finalmente, um quiosque.
A família teve papel fundamental na luta pela criação do quiosque no Calçadão de Imbé, liderando uma campanha que uniu outros vendedores. “Era um grupo de 12 carroceiros, mas tomamos a frente e, graças a Deus, deu certo”, comenta Protásio, que ainda mantém a rotina de descascar manualmente quatro sacos de 25 quilos de batatas por dia. “Quem prova uma vez, sempre volta”, afirma com orgulho, destacando que o trabalho manual é um diferencial do negócio.
Um ponto de encontro e de história de vida
A relação do Quiosque do Mineiro com seus clientes vai além de uma simples transação comercial. A empresária Madalena da Silva, 64 anos, é um exemplo disso. “Os donos são pessoas muito bacanas. Já me considero da família porque estou sempre aqui”, brinca a moradora de Porto Alegre. Para Madalena e muitos outros, o Quiosque do Mineiro é muito mais do que um lugar para comer; é um ponto de encontro, uma tradição e uma verdadeira história de vida.