O raro Boeing 727-200 de prefixo PR-TTP, que em 2024 ficou um mês ilhado durante a enchente no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, vai virar peça de museu. O avião ficou sem condições de voo e será levado de caminhão para o interior do Rio Grande do Sul.

Foto: Mauricio Tonetto/Secom
O avião está parado em uma área do Salgado Filho desde que foi retirado do pátio do terminal 2, onde permaneceu durante a enchente. Ainda no ano passado os três motores foram removidos e, as janelas, lacradas. Nos últimos dias foi dado início ao processo de desmontagem das asas para o transporte.
O trijato que era operado pela Total Cargo fará sua última viagem até o fim de setembro. O destino será o Museu Militar Brasileiro, que fica em Panambi. O avião será levado de caminhão em uma operação que promete chamar atenção dos gaúchos.
Segundo o Museu Militar Brasileiro, o comboio sairá de Porto Alegre pela BR-290 (free way) até Eldorado do Sul. De lá, vai até Santa Maria, passando por Pantano Grande, Cachoeira do Sul e São Sepé. O último trecho será de 170 quilômetros entre Santa Maria e Panambi, passando por Cruz Alta.
A viagem não será pela BR-386 devido às obras de duplicação. O transporte será sempre durante o dia, de segunda a quinta-feira. O “charuto” do avião será transportado em uma plataforma. As asas e o trem de pouso irão em outros caminhões. Ao todo, a carga terá peso de aproximadamente 45 toneladas.
O Museu Militar Brasileiro
Localizado em Panambi, o Museu Militar Brasileiro existe desde novembro de 2009 e está aberto para visitação desde fevereiro de 2011. Foi fundado por Sefferson Steindorff, um dos maiores colecionadores de viaturas militares do Brasil.

Foto: Divulgação
O museu conta com um acervo de quase 200 viaturas, incluindo mais de uma dezena de aviões e helicópteros. O raro trijato Boeing 727 fará companhia a dois Boeing 737-300 que estão no museu. Um virou sala de cinema e biblioteca. O outro é usado como sala de exposição de artefatos militares históricos.
A história do Boeing 727
O Boeing 727-200 que pertencia à Total Cargo e agora fará parte do Museu Militar Brasileiro voou por nada menos que 46 anos. Seu primeiro voo foi em 20 de abril de 1978. No mesmo ano passou a voar pela Hughes Airwest, dos Estados Unidos. No ano seguinte passou para a Phillipine Airlines (Filipinas). Em 1981 para a Republic Airlines (EUA) e, em 1986, para a Northwest Airlines (EUA).
Em 1996, o avião passa a ser utilizado pela Ecuatoriana de Aviación (Equador). Em 2000 é convertido do transporte de passageiros para o transporte de cargas e passa a ser utilizado pela Express One (Japão). Em 2003 passou para a Loyd Aéreo Boliviano (Bolívia) e, em 2007, para a Total Cargo (Brasil).

Foto: Reprodução
“É um avião rápido e confiável”, definiu o comandante Paulo Fernando Jaeger em entrevista ao canal ASA que foi publicada no dia 25 de outubro de 2020 no YouTube. Na ocasião, o comandante informou que tinha pouco mais de 14 mil horas de voo no Boeing 727-200.
O Boeing 727 foi usado no Brasil para transporte de cargas até setembro do ano passado, quando a Total substituiu os dois restantes na frota por modernos 737 cargueiros. O modelo marcou época também no transporte de passageiros. Foram dois acidentes fatais. Clique aqui e relembre.
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