Em breve, o Parque Zoológico em Sapucaia do Sul vai contar com uma novidade para visitantes conhecerem.
O local recebeu exemplares de uma espécie até então inédita em seus 63 anos de existência: 35 axolotes. A espécie é classificada como criticamente ameaçada de extinção em nível mundial.
Os animais, vítimas de tráfico, passaram por quarentena e adaptação, antes de entrarem em exposição.
VIU ESSA? Município gaúcho registra primeiro caso de Mpox do ano

Foto: Igor de Almeida/Ascom Sema
Para manter os axolotes – espécie é originária do México -, aquários foram adaptados e construídos para os animais.
Segundo a gestora do Parque Zoológico, Caroline Gomes, os ambientes foram desenvolvidos considerando as características da espécie, possuem monitoramento de iluminação e de temperatura da água.
“Como são animais vítimas de tráfico, infelizmente não têm a possibilidade de serem reintroduzidos em seu habitat natural e precisam permanecer sob cuidados humanos. Vamos tentar proporcionar a melhor qualidade de vida para eles, aliando isso a uma forma de ensinar o público visitante do Zoo sobre a importância de sempre adquirir animais com origem legal”, comenta Caroline.
LEIA TAMBÉM: Nova moradora do Zoológico de Sapucaia do Sul pertence a uma das espécies mais raras de primatas do Brasil
Apreendidos em restaurante da capital
Estes axolotes foram apreendidos em uma operação, em julho do ano passado. A ação resultou na apreensão de 74 exemplares, que eram mantidos ilegalmente em um restaurante de Porto Alegre.
Segundo o analista-biólogo da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Patrick Colombo, os axolotes precisam de cuidados diferentes dos usuais peixes de aquário.
“Desde a apreensão, os axolotes estão sendo mantidos em aquários com aeração constante, conectada a filtros de espuma. A água utilizada é desclorificada e trocada parcialmente — cerca de 30% do volume dos aquários — uma vez por semana. Nessa troca, é realizada também a limpeza da filtragem. Os animais são alimentados de três a quatro vezes por semana. A temperatura da sala onde ficam os axolotes é mantida em 24°C”, comentou Colombo.
LEIA TAMBÉM: Casal e bebê morrem em incêndio: Casa foi completamente destruída pelas chamas durante a madrugada
O que é o axolote
O axolote (Ambystoma mexicanum) é um anfíbio originário do México que chama a atenção porque, ao contrário de sapos e rãs, não passa pela transformação típica da vida aquática para a terrestre.
Em vez disso, mantém características de uma “larva” com brânquias externas, dando uma aparência bastante peculiar.
A espécie vive exclusivamente em água doce, costuma ser tranquila, movimenta-se lentamente e alimenta-se de pequenos peixes e microrganismos presentes no ambiente.
A espécie pode atingir cerca de 30 centímetros e viver por aproximadamente cinco anos. Possui capacidade de regenerar membros inteiros e até partes de órgãos internos, o que a torna alvo de estudo médico e científico em diversos países.
Por esse motivo, os outros 39 exemplares apreendidos na operação no Rio Grande do Sul foram destinados a instituições parceiras da Sema, para fins de pesquisa.
Espécie protegida internacionalmente
O axolote está classificado como criticamente ameaçado de extinção em nível mundial. A legislação brasileira considera crime ambiental comprar, vender ou manter exemplares sem autorização.
A infração prevê multa de R$ 5 mil por indivíduo apreendido e possibilidade de prisão.
Denúncias
A Sema recebe denúncias por meio da Divisão de Fauna, por meio do WhatsApp (51) 98593-1288. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.
Fora desse horário, ou em situações que demandem atendimento imediato, a população também pode acionar a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram).