Ainda que distante da situação alarmante vivenciada no ano passado quando, em 12 meses, foram contabilizados mais de 24 mil casos confirmados de dengue e 28 mortes pela doença nas cinco cidades de cobertura do Jornal VS, em 2025 a região segue em alerta contra a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Foto: Prefeitura de Sapucaia do Sul
Dados do painel da dengue da Secretaria Estadual da Saúde (SES), atualizados na manhã desta quarta-feira (16), apontam 212 casos confirmados na região, somados os números de São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio, Capela de Santana e Portão. São ainda outros 877 em investigação. Sapucaia do Sul é o município que mais preocupa, com 178 casos confirmados e 660 em investigação. É a sétima cidade do Estado em casos confirmados, atrás de Viamão, com 2.153 casos, Porto alegre, com 1.225, Novo Hamburgo, com 892, Alvorada, com 348, Cachoeira do Sul, com 222 e Planalto, com 220.
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Na cidade, segundo a secretária da Saúde, Flávia Motta, as estratégias de combate à dengue envolvem diferentes setores como assistencial, epidemiológico e ambiental, e estão organizadas em um Plano de Contingência Municipal.
“As unidades de saúde permanecem vigilantes à classificação de risco, medidas de hidratação e atendimento prioritário para casos graves. O componente epidemiológico segue monitorando casos humanos, fazendo monitoramento viral e vigilância de casos graves. Já o componente ambiental, seguirá monitorando os casos humanos e as armadilhas de Aedes aegypti (244 no total) para se identificar as áreas com maior risco. Nestas áreas os esforços serão concentrados de combate ao vetor”, explica Flávia.
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Conforme a secretária, em Sapucaia, agentes de endemias, agentes de saúde e equipe multidisciplinar realizam esse trabalho. “Também solicitamos apoio das forças militares. Ações em conjunto com as demais secretarias também são executadas”, conta.
Atualmente, no município os bairros São José, Vargas e Lomba da Palmeira recebem atenção especial, visto que concentram mais casos da doença. “Em abril e maio, os esforços de combate seguirão focados nos bairros com concentração de casos humanos através de vistorias, atendimento às denúncias, tratamento de criadouros e aplicações químicas”, destaca. Flávia.
Sem aumento expressivo em São Leopoldo
No ano passado, São Leopoldo foi a cidade com maior número de mortes por dengue no Estado. Foram 23 óbitos na cidade e 13.588 casos confirmados. Em 2025, até a manhã de terça-feira (8) haviam sido confirmados apenas 14 casos na cidade e outros 125 seguiam em investigação. Segundo a Vigilância Ambiental, não há como prever pico de casos nos meses de abril e maio, quando historicamente há aumento de casos.
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“Salientamos que não houve um aumento expressivo no número de casos e que o Município segue a tendência do Brasil e do Estado do Rio Grande do Sul, que teve uma redução quando comparado ao ano de 2024”, destaca a vigilância, por meio da Assessoria de Imprensa da Prefeitura. “Pelas projeções, já deveríamos estar no período de pico, pois estamos na 15ª semana epidemiológica. Porém, os números do Município não nos colocam na urgência”, destaca.
Na cidade, 19 agentes atuam no combate à dengue. Diariamente a equipe realiza visitas domiciliares e, periodicamente, pontos estratégicos como borracharias, ferros-velhos, floriculturas e cemitérios são vistoriados pelos agentes da Vigilância. Nos locais onde há casos confirmados, ou até suspeitos, a Prefeitura promove ações de orientação e aplicação de inseticida no entorno. A prática é chamada de Pesquisa Vetorial Especial (PVE), indicada pelo Ministério da Saúde como ação de bloqueio.
Vacinação de crianças e adolescentes e distribuição de repelentes a gestantes
Em São Leopoldo, a mobilização contra a dengue conta com vacinação de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade. Na cidade, seis unidades básicas de saúde (UBSs) oferecem a imunização que tem como objetivo a redução das hospitalizações e óbitos decorrentes da infecção pelo vírus.
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As vacinas podem ser feitas nas unidades Paim, Imigrante, Cohab Duque, Rio Branco, Scharlau e Materno Infantil. A unidade Rio Branco atende até as 19h30 horas sem fechar ao meio-dia. As demais têm expediente para vacinação das 8h às 11h30 e das 13h às 16h30. Até esta terça-feira (8), a procura pelo imunizante na cidade era considerada média. Já foram administradas 2.900 primeiras doses e 1.040 segundas doses.
Além disso, outra iniciativa na cidade é a distribuição gratuita de repelentes às gestantes nas farmácias municipais. A ação tem como objetivo proteger esse grupo prioritário, considerado mais vulnerável às complicações da doença. A distribuição é exclusiva. Por isso, as futuras mamães devem apresentar a carteira de gestante no momento da retirada. Os repelentes estão disponíveis na Farmácia Municipal, na Farmácia do Centro de Saúde da Feitoria e na Farmácia Móvel, que atende em diferentes bairros da cidade ao longo da semana.
A Farmácia Móvel funciona de segunda a sexta-feira. Pela manhã, o atendimento ocorre nas seguintes unidades: nas segundas-feiras na UBS Cohab Duque, nas terças-feiras na UBS Santa Marta, nas quartas-feiras na UBS Brás, nas quintas-feiras na UBS Paim e nas sextas-feiras na UBS Santa Marta. Já no período da tarde, o atendimento é sempre realizado na UPA Zona Norte. O horário de funcionamento é das 8h30 às 11h30 pela manhã e das 13h30 às 17 horas à tarde.
Três bairros têm atenção especial em Esteio
Em Esteio, foram confirmados até agora 9 casos da doença. De acordo com o coordenador da Vigilância Ambiental Ricardo Kovalick Amado, o monitoramento é feito em todo o município, contudo, os bairros Novo Esteio, Tamandaré e Cruzeiro têm recebido atenção especial, já que foram nestes locais onde apareceram o maior número de larvas do aedes Aegypt e os primeiros casos positivos da cidade.

Foto: Romeu Finato/Prefeitura de São Leopoldo- arquivo
“A tendência nos meses de abril e maio é um aumento de casos, por isso, temos movimentado nossas equipes a fim de monitorar os casos e sensibilizar a população a fazer a sua parte, isto é, evitar os depósitos de água, a fim do mosquito não multiplicar”, explica.
Conforme o coordenador, na cidade são realizadas as estratégias pactuadas pelo Ministério da Saúde relativas ao combate ao vetor da dengue. “Fazemos, nesta época, uma observação apurada nos casos suspeitos de dengue. Nessa investigação, os agentes de combate a endemias vão às residências dos moradores para verificar se o morador fez os testes de diagnóstico para a dengue e as condições dos pátios e dos vizinhos, a fim de verificar se é dengue ou não.
No caso do morador ser um caso positivo para a dengue, os agentes de endemias vão à moradia, revisam o pátio e fazem um raio de 300 metros de vistoria minuciosa da residência. Além disso, é colocado inseticida neste raio, é o chamado fumacê que o Ministério da Saúde recomenda a utilização somente em casos positivos de dengue”, explica.
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Além disso, segundo ele, é utilizada também a sistemática de ovitrampas, que são armadilhas que coletam os ovos do mosquito Aedes aegypti. O Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti, o LIRAa, é outra sistemática do Ministério da Saúde que é uma ferramenta que permite controlar e monitorar a infestação do mosquito.
“Ao longo do ano , utilizamos a técnica do BRI (Borrifação Residual Intradomiciliar), que é uma técnica inovadora que utiliza inseticidas com alto poder residual, aplicada em locais preferenciais de repouso do mosquito, como paredes expostas e elimina os mosquitos adultos que pousam nas superfícies onde foi aplicado o inseticida. Esta técnica é utilizada em escolas e prédios públicos onde há grande concentração de pessoas”, diz.