O Rio Grande do Sul voltou a registrar enchentes neste fim de semana, quando moradores de cidades como São Lourenço do Sul precisaram deixar suas casas devido à inundação. Somada às enchentes históricas de 2023 e 2024, os gaúchos se preocupam com a possibilidade de novas cheias nos próximos meses.

Foto: Paulo Pires/GES
A MetSul Meteorologia afirma que a primavera é uma estação que tem histórico de enchentes no RS. Este ano, o Estado não está em um cenário tão dramático quanto o dos últimos, mas esse é o terceiro ano seguido em que cidades gaúchas sofrem com enchentes.
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Histórico
Em 2023, o período de grandes enchentes começou em junho com um ciclone junto ao litoral norte que provocou graves inundações no município de Caraá e outras cidades, trazendo volumes extremos de chuva ainda para a Grande Porto Alegre.
Apenas três meses depois, em setembro, o RS enfrentou duas grandes enchentes. Uma delas causou mais de 50 mortes no Vale do Taquari. Em Porto Alegre, o Guaíba transbordou e superou a cota de inundação pela primeira vez desde setembro de 1967.
No mês de novembro daquele ano, o nível do Guaíba atingiu quase 3,5 metros, no maior nível desde 1941.
O pior, entretanto, veio em maio de 2024, trazendo até 1000 mm de chuva em poucos dias na Serra com milhares de deslizamentos de terra. Rios como Jacuí, Caí, Taquari e Sinos atingiram as maiores cotas já medidas, com registros desde o século 19. na capital, o Guaíba invadiu a cidade com 5,13 metros no Cais. Mais de 180 pessoas morreram.
Em 2025, já foram registradas cheias no mês de maio, junho e agora, em agosto.
Há chance de novas enchentes nos próximos meses no Rio Grande do Sul?
A meteorologista Estael Sias destaca que a primavera é uma estação de transição climática e, por isso, costuma ser de extremos no Rio Grande do Sul. Algumas das maiores enchentes da história aconteceram na estação, como por exemplo em setembro de 1967, setembro de 2023 e novembro de 2023.
“Estivéssemos sob El Niño ou na iminência de um episódio, o risco de enchentes durante a primavera seria altíssimo para não dizer quase uma certeza, mas os dados apontam que no decorrer da estação neste ano a tendência é contrária, de resfriamento das águas do Pacífico Centro-Leste com possibilidade se instalarem anomalias de La Niña”, comenta Estael. Desta forma, o risco de enchentes é menor.
Projeções
Conforme dados do modelo climático europeu, o Noroeste gaúcho pode ter chuva acima da média no trimestre de setembro a novembro. Também há projeção de anomalia de chuva (desvio da média) para a primavera no modelo ensemble norte-americano e canadense.
“Considerando os dados históricos, as condições do Pacífico e as projeções de vários modelos, o risco de grandes enchentes é menor que nos extremos 2023 e 2024, entretanto levando em conta o que ocorreu no outono e inverno deste ano assim como o excesso de vapor d´água planetária não é possível se afastar episódios pontuais de chuva excessiva ou extrema que possam levar a cheias de rios”, diz Estael.
Popularmente, muitas pessoas consideram o final de setembro um período com alta chance de chuva. A chamada enchente de São Miguel seria próximo ao dia de São Miguel Arcanjo, celebrado em 29 de setembro.
“Em regiões como o Vale do Taquari, o Jacuí e o Guaíba, onde grandes enchentes marcaram a memória coletiva, a crença se consolidou. Hoje, mesmo com o avanço da Meteorologia e do conhecimento científico, a tradição permanece viva. Muitos gaúchos ainda recordam a frase dos mais velhos e observam atentamente o tempo em 29 de setembro”, conclui Estael.