O ano de 2025 fecha com preocupação e conquista no combate à dengue. Se de um lado o Rio Grande do Sul diminuiu seus indicadores comparados a 2024, por outro, o alerta continua.
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Foto: PMNH
No recente ano que terminou, o Estado contabilizou 52 mortes, valor inferior ao ano anterior, quando foram registradas 281 mortes.
Apesar da conquista, o valor mantém as médias dos últimos quatro anos em alta. Em 2022, foram 66 mortes; 2023 (54); 2024 (281); e 2025 (52), o que resulta em uma média aproximada de 113 óbitos por ano no Rio Grande do Sul.
Esse valor é superior ao período anterior, entre 2015 e 2021, quando a média de mortes no Estado era de quase três pessoas por ano: 2015(2); 2016(1); 2017 (0); 2018(0); 2019(0); 2020(6); e 2021 (11).
Especialistas alertam que a dengue, antes frequente em outras regiões do país, passou a fazer parte da realidade dos gaúchos, merecendo real atenção das autoridades no combate a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Em 2025, foram confirmados 42.138 casos de dengue, um dos maiores valores no painel de dados da secretaria de Saúde do Estado e 129.608 notificações. Saldo não foi maior que 2022, 2023 e 2024.
Em 2025, as mulheres e idosos são as maiores vítimas da dengue, representando 53,85% de óbitos do sexo feminino (28); e 38 mortes em pessoas acima de 60 anos.
Casos diminuem comparados a 2024
Apesar dos atuais indicadores revelarem ainda dados preocupantes, o ano de 2025 foi de conquista no Estado, comparado a igual período do ano passado. Em 2024, no último mês do ano, foram registrados 164 casos confirmados. Este ano, no mesmo período, 9. Valor é ainda mais baixo quando comparado a dezembro de 2023, em que foram 562 casos confirmados no mesmo período daquele ano.
O recorde de contaminações ocorreu entre 13 e 19 de abril de 2024, em que em uma semana, foram registrados mais de 20 mil casos. Esta época de transição do verão para o outono, inclusive, costuma registrar valores elevados dentro da série histórica. Neste ano, o maior percentual ficou entre os dias 30 de março e 5 de abril, em que foram registrados 4386 casos.
Segundo especialistas, a redução no número de casos em 2025 pode estar atrelada a atipicidade de chuvas e calor fora de época entre 2023 e 2024. Nesse período, foram registradas temperaturas mais elevadas que a média, inclusive no inverno, associada às chuvas intensas que ocorreram nesses dois anos, em especial junho e setembro de 2023 e maio de 2024.
Excesso de chuva e calor no final de 2025 preocupam especialistas
O clima no final de 2025, com excesso de chuvas e calor, também geram preocupações a especialistas, que apontam condição climática como favorável a proliferação do mosquito.
Segundo o professor da Universidade Feevale, Fernando Spilki, ainda que não haja uma elevação acima da média histórica para o período, em termos de números de casos, já há uma circulação do vírus em alguns estados.
“No âmbito local, a questão da elevação nas temperaturas, associada a uma infestação grande pelo Aedes, como sendo reportado, levam à necessidade, sem dúvidas, de cuidados para o período de verão”, explica.
Na mesma linha, o biólogo do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Jader Cardoso, aponta que o Estado registra infestação por Aedes aegypti. “Atualmente são 477 municípios (96%) com registro da ocorrência do vetor, o que mantém risco sustentado de transmissão sempre que condições climáticas e comportamentais favorecem a proliferação”, acentua Cardoso.
O biólogo também alerta para a condição climática no final de 2025, ideal para aumento na densidade de mosquitos, já que as chuvas ampliam a quantidade de recipientes com água (especialmente resíduos sólidos descartados a céu aberto, grandes reservatórios como caixas d’água com tampa rachada/não totalmente vedadas, piscinas sem o tratamento adequado e o calor). “Característico desta época aceleram o ciclo de vida dos mosquitos”, completa.
Mapa de contaminação da região
Entre os maiores municípios da região, Canoas, Novo Hamburgo e São Leopoldo contabilizam quatro óbitos este ano: 3, 1 e 0, respectivamente. Além das mortes, outro cenário eleva o nível de alerta: criadouros.
No segundo trimestre de 2025, Novo Hamburgo ficou entre os municípios com o maior número de locais próprios para proliferação do mosquito. A cidade conta com 62 pontos identificados como depósitos fixos: piscinas não tratadas, tanques em obras, borracharias, fontes, etc. Além dos fixos, também os depósitos móveis (vasos com água, pratos e garrafas), com mais de 181 casos registrados pelas autoridades sanitárias.
Os lixos e os entulhos descartados de forma irregular também contribuem na formação de criadouros. No mesmo período, foram encontrados 73 pontos com condições para a disseminação do mosquito em Novo Hamburgo.
Vacinas complementam combate à dengue
Desde 2024, a vacina da dengue está disponível em cidades com maior incidência de casos, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Porém, devida a restrição de faixa etária, especialistas reforçam o apelo preventivo, como medida eficaz no combate ao mosquito.
“A vacina será muito importante, mas temos de considerar três questões importantes: ainda teremos um bom tempo de calendário a cumprir para atingir todas as faixas da população; há faixas etárias que não serão contempladas numa primeira fase; e Aedes aegypti transmite não apenas Dengue. Esses fatores evidenciam a necessidade de continuarmos firmes no combate ao mosquito”, afirma Spilki.
Além da vacina, o biólogo do Cevs destaca que as estratégias de combate ao Aedes incluem vigilância epidemiológica contínua, fortalecimento das ações de vigilância e controle vetorial (Borrifação Residual Intradomiciliar, Monitoramento por Ovitrampas, Levantamento de Indice Rápido [LIRAa], eliminação de criadouros, bloqueio químico, manejo clínico qualificado dos pacientes, ampliação da vacinação e comunicação de risco permanente).
“Lembrando que a população deve ser nossa parceira nas ações de combate, engajada nas ações propostas pelos municípios, cuidando ao disseminar informações, de preferência utilizando as fontes oficiais como base, cuidando dos seus pátios, eliminando possíveis criadouros e utilizando repelentes, muito importantes na proteção individual”, diz Cardoso.