A chuva que atinge a região desde a madrugada de terça-feira (17) segue causando transtornos e deixando moradores de São Leopoldo preocupados – especialmente com a possibilidade de uma nova enchente.
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Foto: Cassiano Hans/Especial
De acordo com a Defesa Civil municipal, a cidade registrou 125 milímetros de chuva apenas nas últimas 24 horas, sendo 49 deles da meia-noite às 8h15 desta quarta-feira (18). Também conforme o acompanhamento do órgão, às 11h15, o nível do Rio dos Sinos na Rua da Praia chegou a 3,40 metros, subindo 3,3 centímetros por hora.
O Plano de Contingência do município indica que, com o nível a partir de 4,50 metros, inicia o atingimento das ruas da Praia, no bairro Rio dos Sinos, e das Camélias, no bairro Pinheiro.
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Monitoramento permanente
Diversas ruas leopoldenses foram atingidas por alagamentos por conta das precipitações, principalmente nos bairros Campina, Santos Dumont e Vicentina.
O superintendente da Defesa Civil leopoldense, coronel Márcio Uberti Moreira disse que o monitoramento é permanente neste momento e que qualquer necessidade de alerta será divulgado pela prefeitura. Segundo ele, a água está baixando em todas as ruas e “todas as bombas e sistema de drenagem da cidade estão funcionando”.
“Pela experiência, diria que, se o cenário se mantiver, apenas questões da ação da chuva trarão maiores problemas em ruas onde a vazão de bueiros não for suficiente. Transbordo do rio, ainda não”, colocou.
“A orientação é: para quem tiver algum problema ou necessidade de apoio ligue e acione a Defesa Civil, Guarda Municipal, Brigada Militar e Bombeiros, nos números de emergência. Todos têm equipes nas ruas capacitadas a atender e orientar”, afirmou.
Telefones para pedidos de ajuda
Em situações de risco, moradores podem entrar em contato pelos telefones: (51) 2200-0633 e 153 e também pelo 156 ou o Whatsapp exclusivo para casos de alagamentos (51) 99314-3966.
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“Já perdi tudo duas vezes”, lamenta morador da Campina
Imagens aéreas feitas no fim da manhã desta quarta-feira (18) mostram que a água atingiu várias ruas do bairro Campina. Moradores retiraram carros e ergueram pertences para evitar prejuízos.
Caso do morador da Rua Minuano, no Loteamento Cooperativa, Dirceu da Silva, de 56 anos, que já tirou seus veículos do terreno por medo de novas perdas. Ele comenta que os alagamentos no local ocorrem há cerca de cinco anos, a cada chuva forte e que o poder público dá respostas diferentes, mas não soluciona o problema. Além disso, a construção de novos empreendimentos agravou a questão com o passar dos anos. “Foram construídos três condomínios aqui. Aterraram para construir e aqui virou uma bacia. Agora, estão construindo mais e vai ficar pior”, alerta Dirceu, que mora há 24 anos no bairro.
“Tenho um comércio e já perdi tudo duas vezes. Mandei fazer uma comporta artesanal no portão de casa, para tentar amenizar o problema. Levantei um terreno que tenho no outro lado da rua em 1,5 metro do chão para poder colocar os carros”, comenta, sobre as medidas que já tomou para evitar mais prejuízos.
“Na enchente, foi 4,70 metros de água. Tapou tudo, fiquei só com o segundo andar de casa. Estamos batalhando, reconstruindo ainda”, lamenta Dirceu.

Foto: Cristina Muniz/Arquivo pessoal
“Não consegui sair para trabalhar”, conta moradora do Santos Dumont
No bairro Santos Dumont, várias ruas também ficaram alagadas por conta da chuva. “Não consegui sair para trabalhar por causa disso. A água tomou conta da rua e chegou até o meu portão”, conta a moradora da Rua Tenente Pinheiro, Cristina Muniz, 38 anos, que atua como auxiliar de cozinha.
Além disso, ela está gestante de 7 meses e teria uma consulta nesta quarta-feira. “Precisei remarcar a consulta, porque não dá pra sair”.
Ela relata que mora há cerca de oito anos no local e que, cada vez que chove sem parar, o problema se repete. “A rua enche de água e chega no meu portão. Já entrou aqui dentro de casa”, lembra a moradora, que perdeu tudo na enchente de maio de 2024. “Depois da enchente, fizeram uma limpeza geral e nos bueiros, mas não veio mais ninguém aqui”, reclama.