abc+

PRIMEIROS MESES

Sem baliza, aprovação em prova prática da CNH cresce no RS

Números variam conforme o mês, mas indicam mudança no resultado

Publicado em: 06/04/2026 às 07h:00 Última atualização: 06/04/2026 às 08h:10
Publicidade

A retirada da baliza da prova prática para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria B já reflete em aumento no número de aprovados no Rio Grande do Sul.

Publicidade

Dados do Detran-RS mostram que mais da metade dos candidatos que realizou o exame entre fevereiro e março deste ano foi aprovada — cenário inverso ao registrado em 2025, quando predominavam as reprovações.

Para efeito de comparação, no primeiro mês sem a exigência da manobra, fevereiro de 2026 registrou 205 candidatos submetidos à prova prática, dos quais 130 foram aprovados. No mesmo período do ano passado, foram 415 exames, com 218 aprovações.

CONFIRA TAMBÉM: “Estou sem chão”: Morre pedestre baleado em tiroteio entre policiais e fugitivos em Canoas

Mudanças nas provas práticas já refletem nas aprovações | abc+



Mudanças nas provas práticas já refletem nas aprovações

Foto: Geison Concencia/GES-Especial

Entre os candidatos que realizaram a prova pela primeira vez em fevereiro deste ano, 48,29% obtiveram êxito (99 de 205). Em 2025, o índice foi menor: 33,25% (138 de 415).

Publicidade

Em março, segundo mês sem a baliza, os números seguiram em alta. Neste mês, 203 candidatos realizaram o exame, com 142 aprovados (70%). Entre os estreantes, 109 conquistaram a habilitação na primeira tentativa. No mesmo período de 2025, foram 278 candidatos, com 180 aprovações (64,7%), sendo 118 na primeira tentativa.

Mudança de padrão

Considerada uma das principais dificuldades do exame, a baliza era responsável por grande parte das reprovações no Estado. Executada logo no início da prova, a manobra exigia precisão em tempo máximo de quatro minutos.

Segundo o chefe da Divisão de Exames do Detran-RS, João Jardim, a retirada da etapa inaugurou um novo cenário. De acordo com ele, os indicadores apontam aumento de cerca de 10% nas aprovações desde a mudança.

Publicidade

LEIA AINDA: Homem encapuzado invade residência e mata jovem de 22 anos no Vale do Paranhana; um segundo crime é investigado no local

“No modelo anterior, trabalhávamos com uma média de 40% de aprovação. Com a retirada da baliza, o exame ficou mais simples. A avaliação passou a considerar principalmente as faltas cometidas durante o percurso”, afirma.

Publicidade

Jardim acrescenta que, nos primeiros dias após a mudança, os índices chegaram a 75% de aprovação, indicando um cenário significativamente distinto do anterior.

Foco, agora, está no percurso em via pública

A avaliação passou a se concentrar na condução em via pública. O trajeto, definido previamente pelo Detran, deve incluir ao menos duas paradas obrigatórias, sendo uma em faixa de pedestres. A prova é encerrada com a manobra de estacionamento, sem tempo limite para conclusão – frente ou ré.

Em caso de reprovação, o candidato tem direito a uma nova tentativa sem custos adicionais, que pode ocorrer no mesmo dia, dependendo da disponibilidade. De acordo com as novas regras, o exame deixou de avaliar manobras isoladas, mas o comportamento do motorista no trânsito, como tomada de decisão, atenção, respeito à sinalização e segurança na condução.

Publicidade

Outra medida que passou a valer foi a queda do tempo máximo para obtenção da CNH. Antes, o candidato tinha um ano. Hoje, não existe mais esse tempo limite. Quem estava com processo ativo nessa data não tem prazo para concluir.

As mudanças valem somente para as categorias A (moto), B (carro) e ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor). Aulas para categorias profissionais, de veículos pesados (C, D e E), seguem sendo ministradas exclusivamente nos Centros de Formação de Condutores (CFCs). No caso da avaliação de motos, as mudanças ocorreram nas aulas teóricas e horas de aula prática, com mínimo de duas aulas. A prova prática continua a mesma.

Publicidade

As novas normas consolidadas e implementadas no Manual Brasileiro de Exame de Direção Veicular definem uma padronização nacional obrigatória. Com o novo texto, fica proibido criar provas mais difíceis que o padrão nacional. Todos os estados devem seguir o manual nacional.

Impactos variam conforme categoria

Enquanto a aprovação na categoria B aumentou, candidatos à habilitação para motocicletas enfrentam maior dificuldade. Segundo o Detran-RS, a redução da carga horária obrigatória — de 20 para duas aulas — elevou a taxa de reprovação para cerca de 70%. Antes, os índices giravam em torno de 50%.

Publicidade

Já nas categorias de veículos pesados, como C, D e E, não houve alterações relevantes. “São candidatos que, em geral, já têm experiência no trânsito. Os índices permanecem estáveis”, diz Jardim.
Apesar das mudanças, o Detran-RS ressalta que o cenário ainda está em fase de consolidação. “É um período curto de análise. Ainda precisamos de mais tempo para entender plenamente os efeitos.”

Sistema de pontuação mudou

As mudanças recentes também alteraram o sistema de pontuação da prova prática. O limite máximo para aprovação passou de três para dez pontos.

Além disso, o modelo deixou de considerar falhas específicas — como deixar o veículo apagar — e passou a avaliar infrações de trânsito, classificadas conforme gravidade: leves, 1 ponto; médias, 2 pontos; graves, 4 pontos; e gravíssimas, 6 pontos

Infrações como não usar cinto de segurança, usar celular ao volante ou avançar sinal vermelho impactam diretamente a pontuação. O candidato inicia a prova com zero ponto e é avaliado ao longo do percurso. Caso o examinador identifique risco à segurança ou incapacidade técnica, o exame pode ser interrompido.

Para o Detran-RS, há indícios de que mais motoristas estejam sendo aprovados sem atender aos critérios anteriores. “Esses condutores devem continuar o aprendizado durante o período da carteira provisória”, afirma Jardim.

Publicidade