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EAD E PRESENCIAL

Setor educacional avalia decisão que restringe oferta de cursos a distância

Decreto que institui nova política da modalidade EAD foi assinado pelo presidente Lula na segunda-feira

Publicado em: 21/05/2025 às 03h:00 Última atualização: 21/05/2025 às 14h:04
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A mudança nas diretrizes para a oferta de cursos de graduação nas áreas da Saúde e do Direito tem gerado repercussão. Com a publicação do decreto da Nova Política de Educação a Distância (EAD), assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira (19), a oferta de cursos na modalidade EAD foi restringida. Os cursos de Medicina, Direito, Odontologia, Enfermagem e Psicologia agora estão vetados na modalidade a distância, podendo ser realizados apenas de forma presencial.

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Oferta de cursos EAD cresceu muito nos últimos anos | abc+



Oferta de cursos EAD cresceu muito nos últimos anos

Foto: Pexels

O presidente do Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung) e reitor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Rafael Frederico Henn, informa que nesta quarta-feira (21) terá uma reunião com a diretoria antes do compromisso em Porto Alegre com o vice-governador Gabriel Souza para discutir o assunto. “Tudo ainda é muito novo e estamos estudando”, frisa.

Correta

No entanto, Henn pontua, que na sua opinião a decisão está totalmente correta. “Não tem como ensinar Medicina, Odontologia e Psicologia 100% online”, afirma. O presidente reforça que esses cursos exigem muita prática em uma área extremamente sensível: o atendimento à saúde humana.

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Além disso, Henn salienta que o decreto não deixa claro como as escolas e instituições terão que se adaptar. “Eu acho que deveria ser imediatamente”, frisa, ressaltando que alguns cursos, como Medicina, Direito, Psicologia e Odontologia, já não eram permitidos na modalidade EAD.

Outros pontos

O reitor salienta que avaliou alguns pontos do decreto, entre eles o motivo pelo qual o Ministério da Educação realizou essa revisão. Henn destaca que, entre 2018 e 2023, os cursos a distância cresceram 232% no Brasil. “Hoje, não há necessidade de ter uma estrutura física dos cursos à distância”, comenta.

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Segundo Henn, em 2015, Santa Cruz do Sul contava com cinco instituições de ensino superior, número que hoje ultrapassa 30. “E se as pessoas caminham pela cidade, não enxergam 30, porque é apenas um endereço com uma cadeira. Isso é um problema sério e fez com que o curso a distância crescesse exponencialmente no Brasil inteiro”, completa. Em 2023, o número de ingressantes em cursos EAD foi o dobro da modalidade presencial, conforme dados do Censo brasileiro.

Reitor defende a qualidade educacional

De acordo com Henn, essa revisão tem a ver com a oferta de educação superior de qualidade. “O que vem sendo ofertado em todas as regiões do Brasil, onde muitas vezes um professor dá aula totalmente on-line para mais de mil pessoas, não é possível ter qualidade. Isso é uma premissa fundamental”, afirma Henn.

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Rafael Henn | abc+



Rafael Henn

Foto: Maicon Hinrichsen/Divulgação

Além dessa, outra mudança importante no mercado é a valorização do polo EAD como um espaço de interação e promoção das atividades. “Este polo EAD vai ser obrigado a ter infraestrutura física e tecnológica de acordo com o curso que está sendo ofertado”, frisa o presidente da Comung. O decreto estabelece um período de dois anos para implantação, durante o qual devem ocorrer mudanças nos tipos de oferta de cursos.

EAD na prática

Morador de Campo Bom, o administrador Marcos Filipe Alves da Cruz, 27 anos, teve sua primeira formação em Administração presencial na Universidade Feevale. Agora, cursa uma nova graduação na mesma instituição, mas no formato EAD. “Tive bastante medo, porque pensei que talvez não fosse me adaptar. No EAD, tu recebe os módulos, mas não tem aquela aula presencial. Só que depois começa a se adaptar, e fica super tranquilo”, relata.

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Segundo ele, a estrutura da instituição e o suporte dos professores foram decisivos para o bom andamento dos estudos. Entre os principais motivos para ter optado pelo EAD, cita a flexibilidade de horários, que lhe permitiu conciliar melhor a rotina. Mesmo que aprove a modalidade, o administrador considera acertada a decisão do governo federal de restringir o EAD para determinados cursos.

Além disso, apesar de reconhecer os avanços do EAD, considera importante que os alunos tenham critérios na escolha das instituições. “Tem que cuidar muito da qualidade e lembrar que tem universidade com nome, anos de história, boa avaliação no MEC. O EAD ajuda muita gente”, conclui Cruz.

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