abc+

SEPULTURAS ABERTAS

Túmulos violados em cemitérios de cidade da região: "O que eu nunca tinha visto era quebrarem caixões e retirarem os ossos"

Prefeitura de Sapucaia do Sul diz lamentar o ocorrido e intensifica ações da Guarda Municipal nos locais

Publicado em: 25/02/2025 às 10h:53 Última atualização: 25/02/2025 às 11h:21
Publicidade

“É uma mistura de raiva com tristeza”, desabafa a dona de casa Marisa de Vargas, 58 anos, sobre se deparar com a sepultura da família violada e vandalizada no Cemitério João XXIII, no bairro Capão da Cruz, em Sapucaia do Sul.

Publicidade

No último fim de semana, diversos túmulos do local foram danificados. Pedras e caixões foram quebrados e animais mortos e bebidas alcoólicas deixadas no lugar. Segundo Marisa, a prática de trabalhos religiosos no local não é novidade.

Sepulturas foram violadas e vandalizadas no último fim de semana



Sepulturas foram violadas e vandalizadas no último fim de semana

Foto: Acervo Pessoal

“O que eu nunca tinha visto, era quebrarem caixões, retirarem os ossos. Isso é um desrespeito, um absurdo e se a gente reclama, alegam que estamos sendo intolerantes com a religião”, diz. Nas redes sociais, o relato é de que religiosos de outras cidades, como Viamão e Cachoeirinha, seriam os responsáveis pelos trabalhos e atos de vandalismo realizados nos cemitérios sapucaienses.

CLIQUE AQUI PARA FAZER PARTE DA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP

Além do João XXIII, a situação também ocorre no Pio XXII, no bairro Lomba da Palmeira. “Infelizmente tenho vários familiares que estão sepultados nos dois cemitérios e é uma tristeza vermos o descaso com que esses locais são tratados”, comenta a administradora Valéria Junqueira, 48.

Publicidade

“Moro próximo ao Pio XXII, então passo na frente todos os dias, em todos os horários. Ele é fechado somente na frente e de um dos lados. O lado que fica próximo a uma mata nativa que tem aqui é completamente aberto, qualquer pessoa pode entrar. Tem até uma trilha que é usada por usuários de droga e moradores de rua”, conta.

Por causa da insegurança no cemitério, a comerciante Alice Vaz, 50, diz que vai retirar os restos mortais do pai dela do Pio XXII.

LEIA TAMBÉM: Polícia Civil localiza carro de suspeito de arrastar égua no asfalto em São Leopoldo

Publicidade

“Não quero correr o risco de um dia chegar no cemitério e ver que a ossada do meu pai foi furtada para ser usada em trabalho religioso. Isso é o cúmulo. Já falei com meus irmãos e nos próximos dias vamos transferir os restos mortais dele para um cemitério particular”, comenta.

Procurada, a Prefeitura de Sapucaia do Sul respondeu em nota, enviada pela assessoria de imprensa, que “lamenta o ocorrido e informa que está atuando de forma integrada com a Guarda Municipal para coibir essa prática, incluindo operações específicas de combate ao vandalismo”.

Publicidade

“No momento, não é possível divulgar mais detalhes para não comprometer as ações em andamento”, informa o texto.

VÍDEO: Motociclista morre em acidente em avenida no Vale do Sinos

Falta de muro é problema no Capão da Cruz

No Cemitério João XXIII, no bairro Capão da Cruz, outro problema que se arrasta há anos é a falta de muro no local, às margens da RS-118.

Publicidade

Segundo moradores próximos, a queda do muro teria ocorrido ainda durante as obras de duplicação da RS-118 e a situação estaria perdurando por cerca de quatro anos sem solução.

Durante as obras de duplicação da rodovia, a qual foi inaugurada em dezembro de 2020, o cemitério foi centro de discussões, já que parte de sua área, cerca de 10 metros do terreno, estava no caminho do projeto.

Publicidade

Cemitério João XXIII está localizado às margens da RS-118



Cemitério João XXIII está localizado às margens da RS-118

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial-Arquivo

Na época, uma das alternativas pensadas foi a desapropriação de parte da área do local e a remoção de 224 túmulos, com a retirada dessas sepulturas e a transferência para gavetas no Cemitério Pio XII, no bairro Lomba da Palmeira.

Publicidade

Porém, para realizar essa transferência, os corpos precisariam estar identificados e as famílias, autorizar a mudança. Nos casos em que não houvesse identificação, testes de DNA deveriam ser feitos para tentar identificar descendentes. Desde então, o problema segue sem solução.

VIU ESTA? Obra de revitalização da Rua Independência deve ser concluída em maio

No ano passado, o secretário de Planejamento Urbano do município, Rafael Stroher, explicou que havia o projeto de refazer todo o muro em volta do cemitério e que ele estava parado, esperando a definição de um processo que corre junto ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer).

Por meio de nota, a Prefeitura reforçou, nesta semana, a existência deste projeto, mas destacou que “a execução está condicionada à definição do Daer sobre a posição final da pista lateral da rodovia”. O Daer foi procurado, mas não retornou os contatos feitos pela reportagem. 

Publicidade