Mais de um ano após à catástrofe climática e a enchente histórica de maio de 2024, ainda são muitas suas marcas espalhadas em diversos municípios gaúchos.

Foto: Amanda Krohn/Especial
A Pesquisa de Impacto 2025 – Eventos Climáticos, conduzida pelo Sebrae RS, apontou que de 1.058 empreendedores gaúchos ouvidos, 45% ainda estão em processo de reestruturação e 84% relatam falta de recursos próprios para a reconstrução, além de dificuldade de obter crédito. O estudo aponta que 46% das empresas pesquisadas já operam normalmente, só que 7% sequer conseguiram retomar as atividades e 2% fecharam as portas definitivamente.
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O drama é vivido em muitas cidades. Em São Leopoldo, um dos municípios gravemente atingidos pela inundação, a situação se espelha nesta pesquisa.
Fábio Junior Pereira Correa, 44 anos, é proprietário de um estabelecimento voltado a carros de som no bairro leopoldense Santos Dumont, que faz limite com Novo Hamburgo. Seu estabelecimento, onde a inundação alcançou 1,9 metro de altura a partir do nível da rua, ainda está sendo recuperado. O trabalho atualmente é feito na garagem do local.
Ajuda, casa e prejuízos
“Quando a cheia começou, fiquei 60 dias ajudando um grupo de voluntários que atendia pessoas atingidas pela enchente. Só voltei para casa em julho”, lembra. “Eu priorizei a casa, até por causa da família – tenho um filho de 6 anos e um de 18 – então só voltei a trabalhar em setembro”.
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Correa estima que os prejuízos tenham ultrapassado os R$ 180 mil. “Eu consegui tirar os equipamentos daqui e deixar na casa de um amigo, mas acabou indo água lá também”, diz. “E, devido aos barcos que ficavam passando ali na frente e a força da água, o vidro (da fachada) acabou estourando. Uma vida inteira de trabalho foi perdida em segundos”.
Dívidas altas e juros bancários
O estudo do Sebrae RS, realizado de 3 a 28 de abril deste ano, também apontou que 87% dos negócios viram o faturamento despencar logo após a tragédia. Dos 1.058 empreendedores ouvidos, 35% afirmaram não ter recebido auxílio, enquanto que 36% que tiveram acesso a algum benefício consideraram o valor como insuficiente.
O gerente Moacir Gabriel Duarte, 62 anos, trabalha em uma agropecuária no bairro Rio dos Sinos (mais próximo do rio) e viu o local ficar totalmente submerso por quase 3 metros de água.
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“O que temos agora é 50% do que era e tudo o que foi feito, foi feito por empréstimos bancários que estão sendo pagos. E não é parcela pequena, são valores altos”, destaca. “Nossa ajuda foi por meio da mídia e por meio de agentes bancários que protelaram nossas dívidas. Do governo não recebemos nada.” Moacir conta que o estabelecimento ficou 30 dias debaixo d’água.
Entidades destacam os esforços e desafios na recuperação
O presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Tecnologia de São Leopoldo (Acist-SL), Daniel Klafke, afirma que a instituição prestou no apoio às pessoas atingidas pela enchente. “A primeira iniciativa foi montar um centro de arrecadação e doações. Fornecemos insumo de limpeza, oferta de lava jatos, entrega de eletrodomésticos…”, lembra.
“Passado esse tempo, começamos a aproximar as empresas de empréstimos, linhas de crédito e cadastro no programa Supera RS, do governo.” O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Leopoldo, Olinto Menegon, lembra que a entidade também foi afetada pela enchente no Centro da cidade que também foi inundado.
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“Ficamos inoperantes por quase 20 dias. Mas tão logo tivemos a mobilidade de correr e pedir ajuda, nós nos socorremos na nossa Federação Varejista, que colocou à disposição toda a sua estrutura para que pudéssemos levar apoio às 70 e poucas empresas associadas que ficaram tomadas pelas águas.”
“Recebemos ajuda na distribuição de materiais de limpeza, e a nossa Federação fez convênio com a Movergs, sistema moveleiro da Serra gaúcha, que nos fez chegar aqui uma carreta cheia de móveis, mesas, balcões… material novo, embalado para que pudéssemos fazer a entrega diretamente aos associados que tiveram seus estabelecimentos atingidos pelas águas”.
Sedettec visita empresas afetadas pela enchente
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turístico e Tecnológico (Sedettec) de São Leopoldo deu início, na metade de maio, ao projeto Sedettec nas Empresas. A iniciativa, conduzida pela secretária da pasta e vice-prefeita do município, Regina Caetano, tem como objetivo fortalecer os laços com o setor produtivo local, especialmente com empresas impactadas pela enchente de 2024. Regina vai realizar visitas semanais a empresas da cidade, começando por aquelas que sofreram diretamente com os danos provocados pela catástrofe ambiental.
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“Nosso objetivo é estar presente neste momento de reconstrução, oferecendo apoio direto às empresas e conhecendo de perto suas realidades”, afirmou Regina Caetano.
“Valorizar quem trabalha, empreende e gera oportunidades, é fortalecer a economia local e reafirmar o compromisso com o desenvolvimento de São Leopoldo. Este é o momento de estar ao lado de quem faz a cidade acontecer”, destacou a secretária. Conforme a Prefeitura, a primeira visita do projeto foi realizada a uma gráfica, localizada na Avenida Caixas do Sul, 577, no bairro Rio dos Sinos, um dos que feito completamente abaixo de água na inundação.