A enchente histórica de 2024 ainda mostra seus reflexos mais de um ano depois, em São Leopoldo. Dentre os rastros ainda visíveis está o grande número de placas de vende-se e aluga-se espalhadas por toda a cidade, tanto em imóveis comerciais quanto residenciais.
O fenômeno compara-se com a demanda causada pela pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022. Conforme representantes de imobiliárias, a enchente foi responsável por desocupações, vendas e aluguéis de 50% a 70%.

Foto: Amanda Krohn/Especial
Já na pandemia, o percentual estimado por eles foi de 30% a 60% – embora a crise sanitária tenha sido o pivô de uma grande atualização na forma como o público escolhe apartamentos ou casas para morar.
CLIQUE AQUI PARA FAZER PARTE DA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP
Imobiliárias apontam que o local com maior número de placas com oferta de imóveis, é a Rua Independência – principalmente na primeira quadra -, e seus arredores, no Centro. Além de parte da Rua Grande ter sido atingida pela enchente, desocupação de imóveis também ocorreu devido às obras de revitalização.
Medo de novas cheias
De acordo com o gerente comercial e de marketing de uma imobiliária no município, Thiago Passos, o maior crescimento foi nos aluguéis. “Na parte de locação, o que a gente viu foi uma procura absurda por imóveis, devido aos locais afetados pela enchente e que muitos não voltaram para oferta, porque os proprietários não têm condições de reestruturar o imóvel e muitos não voltaram para a carteira de locação”, afirma.
LEIA TAMBÉM: Segurança pública da região é impulsionada pelo Piseg; conheça o programa
“Essa demanda (por aluguel) não existia antes da enchente e a gente percebeu que muitos dos que não conseguiram alugar, acabaram comprando antes do previsto exatamente porque o mercado ficou propício para isso. Houve facilidade pelo Minha Casa Minha Vida e vimos muitos empreendimentos sendo lançados em São Leopoldo. Mas com o tempo, a procura voltou a reduzir devido ao aumento dos juros”.
O gerente comercial Diogo Moraes também cita que, com a enchente, há a busca por locais não atingidos. “Temos um alto índice de desocupação comercial e uma grande procura por imóveis residenciais. Quem mora em locais afetados, está procurando por lugares que não foram afetados pela enchente, principalmente casas.”
Para auxiliar os moradores a vender ou alugar seus imóveis, o gerente cita que a imobiliária orienta o proprietário a manter uma boa manutenção nos locais. “A gente diz para deixá-los da melhor maneira possível e sempre passamos uma avaliação de mercado real. Não colocamos o valor do metro quadrado lá em cima para que consiga vender, temos um trabalho de muita responsabilidade para que essa avaliação seja justa”.
Pandemia mudou o cenário
Embora a movimentação imobiliária tenha sido menor no período pandêmico se comparado com o pós-cheias, os gerentes comerciais apontam para uma transformação no mercado. Diogo Moraes afirma que a mudança ocorreu devido às medidas de isolamento social que, consequentemente, trouxeram o crescimento dos modelos de trabalho remoto.
VIU ESTA?: Morador de rua encontra em abrigo de Novo Hamburgo uma nova chance para recomeçar
“A pandemia mudou muito o cenário da locação por conta das pessoas estarem mais presentes em casa, e muitos trabalham até hoje em modelo home office ou híbrido. As pessoas começaram a buscar mais qualidade de vida. Quem morava em apartamento começou a procurar casa ou um condomínio com mais estrutura. Até hoje, para quem quer vender ou alugar, a gente aconselha a manter espaços com escritório, caso tenha, porque vira um grande diferencial.”
Thiago Passos afirma que percebeu as mesmas mudanças. “As pessoas começaram a procurar imóveis com pelo menos dois dormitórios, sendo o segundo para um filho ou para um possível home office. Antes disso, o home office não estava em questão. As pessoas procuravam uma região segura, imóveis com sacada, que aceitassem animais de estimação.”
Entidades comerciais comentam fenômeno
O presidente da Acist, Daniel Klakfe, comenta que, no período da enchente, os preços de imóveis em locais não atingidos subiram 30%, com uma queda de igual proporção nos locais afetados. “Mas, com o tempo, as pessoas voltaram aos locais atingidos – provavelmente por falta de opção -, o que fez com que o preço nesses endereços voltasse ao normal. É a famosa oferta e procura”, afirma.
SAIBA MAIS: Três meses depois, veja como está égua que foi arrastada no asfalto em São Leopoldo
Klafke pondera que, atualmente, os locais não atingidos pelas enchentes ainda estão em torno de 15% a 20% mais caros em comparação aos valores de antes das inundações. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Olinto Menegon, afirma que a entidade não realiza esse tipo de pesquisa, mas que nota essa situação nos imóveis comerciais da Rua Independência, no Centro.
“Nós vimos um ponto nevrálgico, que foi a pandemia seguida pela enchente e as obras de revitalização. O empreendedor sofreu muito.”