O primeiro ano do segundo mandato de Rodrigo Battistella (PT) à frente da Prefeitura de Nova Santa Rita foi de superação, segundo o gestor público. O município iniciou 2025 com passivo de R$ 25 milhões, ainda resquício da enchente de maio de 2024. Para colocar a casa em ordem, foi necessário contingenciar gastos. “Mas não afetamos em nada o atendimento à população”, garante o prefeito.

Foto: Paulo Pires/GES
Apesar das dificuldades financeiras, o ano termina com a dívida paga e outras conquistas, como o início da construção dos dois viadutos na BR-386, sonho antigo da comunidade. A estrutura que fica na entrada da Estrada da Sanga Funda já ultrapassou 70% da obra. Um novo posto de saúde no bairro Califórnia e a entrega de casas para moradores que foram atingidos pela tragédia climática são outros motivos para o prefeito celebrar.
Para 2026, Battistella planeja transformar Nova Santa Rita em um canteiro de obras. Mais escolas de Educação Infantil, unidades básicas de saúde e investimentos em prevenção às cheias são as metas para o novo ano. E mudanças no transporte público também. “De uma forma inédita, depois dos 33 anos de emancipação política da cidade, pela primeira vez a cidade fez uma licitação do transporte público municipal.”
Outra novidade é a abertura da licitação para a construção do Centro Administrativo, no loteamento atrás da igreja Assembleia de Deus, no Centro da cidade. O processo, segundo o prefeito, será aberto entre janeiro e fevereiro de 2026, com custo de R$ 30 milhões, recursos do Badesul. A obra deve durar dois anos e meio. Em março ou abril, deverá ser anunciada a instalação de uma nova empresa de logística na cidade. “Maior ou tão grande quanto o Mercado Livre”, diz Battistella.
Confira a entrevista exclusiva
Diário de Canoas (DC) – Quais as principais realizações nos 12 meses do seu segundo mandato?
Rodrigo Battistella – Foi um ano de superação para nossa cidade, tendo em vista que o município ficou, depois da enchente de 2024, com um passivo de mais de R$ 25 milhões. Tivemos que apertar os cintos. Fizemos um decreto para contingenciar gastos, mas não afetamos em nada o atendimento à população. Saúde, educação, tudo funcionando perfeitamente. Obviamente que no início tivemos que fazer um corte do salário do prefeito, secretários; diminuímos o número de cargos de confiança do município e funções gratificadas.
Agora, em outubro, o Município fez o pagamento total desses R$ 25 milhões. Apesar de a cidade ainda não estar arrecadando aquilo que realmente tínhamos projetado, mas não é só o município de Nova Santa Rita. Pelo o que a gente tem acompanhado, todas as prefeituras da região metropolitana estão tendo dificuldade de ter a sua arrecadação.
Então foi um ano de superação para que a gente pudesse se adaptar a esse novo momento, que é um momento de redução de despesas, de arrecadar menos, mas continuar entregando igual para sociedade. Estamos findando esse ano com muitas realizações, tendo em vista a nossa parceria com o governo federal.
Há poucos dias, iniciamos um contrato para uma nova unidade básica de saúde no bairro Morretes, que também foi atingida pela enchente. Agora vamos construir uma unidade básica de saúde novinha no bairro Berto Círio. E vamos começar mais uma unidade básica de saúde, que será maior de todo o município. As duas unidades são custeadas pelo governo federal.
Por meio do PAC de 2024, a gente já está fazendo uma nova unidade básica de saúde no bairro Califórnia, que está com as obras em andamento. Então, embora as questões de cinto apertado por questões financeiras, o município continua entregando obra, continua entregando serviço público de qualidade. Esse é o desafio do momento dos gestores públicos: continuar entregando com a diminuição dos recursos financeiros.
DC – E das realizações de 2025, qual que o senhor destaca como a mais desafiadora ou o seu sonho de entregar para população?
Battistella – Eu dou destaque para os dois viadutos que estão acontecendo aqui no município. Esses viadutos já era para terem sido entregues em fevereiro de 2023. Infelizmente, a CCR Via Sul não cumpriu o contrato e eu, nos últimos dois anos, fui sete vezes à ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres], que é a agência nacional que faz a fiscalização desse contrato, e estava muito difícil de destravar a obra. São mais de R$ 105 milhões para nossa população. E agora a gente viu que essa obra destravou, ela está acontecendo.
Pela importância que ela vai ter aqui na nossa cidade, primeiro preservar a vida das pessoas. Ninguém vai mais perder a sua vida ali naqueles dois locais de muito movimento. E também, e de uma forma inédita, vai unir o lado norte e o lado sul da cidade, fazendo com que as pessoas possam circular do sul pro norte, do norte pro sul e vai movimentar a nossa economia local. Além de preservar a vida das pessoas, vai melhorar a mobilidade urbana.
A cidade vive um novo momento e, sem dúvida nenhuma, esse investimento de R$ 105 milhões, que é do governo federal, juntamente com a concessionária CCR Via Sul, vai fazer a diferença, eu não tenho dúvidas. Foi o maior feito desse ano de 2025.

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DC – E para 2026, o que que o senhor está planejando? O que que dá para adiantar?
Battistella – 2026 vai ser o ano das obras em Nova Santa Rita. São mais de R$ 40 milhões em obras que o município vai ter do governo federal, obras de reconstrução da enchente e obras do PAC de 2025. A cidade vai virar literalmente um canteiro de obras. Vamos investir R$ 11 milhões em obras de drenagem.
Essas obras são fundamentais para que não aconteça mais em dias de enxurrada e obras também que vão ajudar a conter as enchentes. Acredito que em março a gente já consiga fazer o processo licitatório e, obviamente, durante o ano então essas obras deverão acontecer.
Nós vamos ter mais uma escola de educação infantil no valor de R$ 3,5 milhões que vai acontecer no lado norte da cidade. Vamos ter mais uma unidade básica de saúde também no lado norte da cidade. Tudo isso oriundo do PAC de 2025. Também nós vamos ter uma construção de 90 casas do Minha Casa, Minha Vida em Nova Santa Rita. Será o ano de concluir os dois viadutos que serão entregues pela CCR Viasul, segundo o que consta no calendário, e será o ano que vai ter muita obra por todos os bairros de Nova Santa Rita.
DC – Quais desses planos o senhor imagina que seja o mais complicado de conseguir administrar?
Battistella – O cenário financeiro das prefeituras mudou muito, porque esses últimos meses aquilo que se tinha de previsão de arrecadação não se concretizou. Então o que a gente espera é que no ano de 2026 isso se concretize. Aquilo que foi colocado agora na Lei do Orçamento Anual desse final de ano, ela se concretize no próximo ano, senão será um desafio enorme.
DC – E qual o orçamento de Nova Santa Rita?
Battistella – O Município mandou para a Câmara de Vereadores um orçamento em torno de R$ 300 milhões, com suas receitas e seus custos. O que a gente espera é que essas receitas realmente aconteçam, porque uma prefeitura é diferente da iniciativa privada. Prefeitura não pode demitir do dia para a noite. A prefeitura não pode romper um contrato do dia para a noite. Ela demora muito para desacelerar. E os custos financeiros estão todos os meses ali, acelerados. Todos os meses o município tem que honrar.
Se nós tivermos perda de arrecadação de forma abrupta, como nós estamos tendo hoje, vai dificultar muito a nossa vida. Mas a gente está preparado. Eu tenho uma equipe muito capacitada. Nós temos uma Secretaria de Finanças Públicas que tem pessoas muito capacitadas e que faz uma análise semanal de receita e de arrecadação do município. Estamos aqui administrando com legítimo “punho de ferro”, mas também com carinho com a sociedade para que aqueles bens essenciais, como saúde e educação, não faltem nunca.
Essa parceria que a gente tem com o governo federal está nos ajudando a superar esse momento. O município não teria condições de investir com seus recursos próprios. Nós vamos buscar fora e, agora, a gente vai conseguir entregar muitas obras esperadas com esses recursos que não são oriundos do município e, sim, do governo federal.
DC – E o que que impacta na receita? Por que ela não se concretizou?
Battistella – O maior impacto hoje da receita em Nova Santa Rita, que tá diminuindo, são os recursos oriundos do FPM [Fundo de Participação dos Municípios], que nos últimos meses teve uma baixa muito considerável e também no que tange ao ICMS, que é o imposto do Estado. Essas duas receitas que não dependem da cidade baixaram muito.
Já aquilo que depende do município, como por exemplo o ISS, vem aumentando. Nova Santa Rita tá aumentando o imposto sobre serviços, está melhorando. É o que está garantindo a manutenção dos serviços essenciais da nossa cidade.
Então, o que nos mais impacta hoje é esse recurso federal e o recurso estadual que estão baixando. Vamos torcer para que o ano que vem isso estabilize, para que a gente possa ter no mínimo previsibilidade do que que pode acontecer no mês
DC – Retomando 2025… Tivemos algumas situações envolvendo Canoas, especialmente a questão da saúde. Como vocês se organizaram para ser referência na região? Vocês esperavam que isso acontecer?
Battitella – Obviamente que a gente não tinha esse cenário de Canoas previsto. A gente tem atendido na Policlínica pessoas de várias cidades do Rio Grande do Sul, em especial uma grande população de Canoas. Obviamente, com a crise instaurada em Canoas, na saúde, as pessoas começaram a procurar mais a Policlínica. Prontamente nós recebemos de braços abertos os nossos irmãos canoenses. Aumentamos a efetividade dos nossos serviços médicos, tivemos que aumentar o número de horas, mas mesmo assim, com um movimento acima daquilo que a gente esperava, a gente conseguiu fazer o atendimento das pessoas.
Acredito que a maioria das pessoas que vieram de Canoas e de outros municípios saíram daqui agradecidas. E esse é o nosso jeito de governar. O que tem de mais importante para nós não são essas obras que a gente está falando, R$ 40 milhões de obra aqui, pavimentação. Isso não é o mais importante. Para mim, enquanto gestor da cidade, o que é mais importante aqui no município é a vida das pessoas. Saúde e educação são dois pilares fundamentais de uma sociedade. A nossa saúde, com a construção da Policlínica, com a construção dessas novas unidades básicas de saúde, a gente vem sendo, sim, referência no atendimento em saúde aqui da região metropolitana.
Agora é o governante olhar pra saúde e não falar só no discurso que é importante, é mostrar com obras. A Policlínica foi uma obra que custou mais de R$ 17,5 milhões e nós pagamos com recurso próprio município. Não teve R$ 1 de financiamento. Então é uma decisão política. Nós olhamos a saúde como a prioridade. Não só olhamos e falamos, nós agimos, e hoje o município já vem colhendo frutos positivos disso. A gente tem a Policlínica entregue atendendo Nova Santa Rita, a região metropolitana.
Eu tenho mais três unidades básicas de saúde que ou já estão com as obras iniciadas ou iniciarão. E eu não tenho dúvidas que Nova Santa Rita vai ser uma referência positiva em saúde, ainda mais nos próximos anos aqui na região metropolitana.
DC – E o transporte público?
Battistella – O transporte coletivo é um dos grandes desafios também dos prefeitos. Além da saúde, o transporte coletivo acredito que seja também esteja lá no topo da solicitação de melhorias pela sociedade. Eu acredito que Nova Santa Rita nesse ano de 2025 conseguiu avançar.
Primeiro, nós tínhamos uma empresa que fazia o intermunicipal aqui, que era uma empresa que os ônibus estragavam no meio do caminho, os ônibus tinham dificuldade de manter os horários, era uma empresa que deixava muito a desejar.
Em uma ação nossa junto com a Metroplan [Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional] conseguimos fazer com que mudasse essa empresa. Então, era a empresa antiga Vianova, que a gente chamava aqui de STI, e mudou pra empresa Fátima. Depois da gente ter mudado o intermunicipal, a gente viu que ao menos os ônibus da nova empresa eles têm mais qualidade. A gente teve um avanço, melhorou e o município também fez a sua parte no municipal.
De uma forma inédita, depois dos 33 anos de emancipação política da cidade, pela primeira vez a cidade fez uma licitação do transporte público municipal. Até então nós vínhamos com um contrato temporário, um contrato precário, que é aqueles famosos contratos emergenciais. O município, então, ele faz a licitação e concede para que uma empresa então explore nos próximos 10 anos o espaço municipal, desde que obviamente nos colocasse aqui ônibus de melhores condições, enfim, e que nos desse uma garantia que teria um transporte de melhor qualidade.
Isso há poucos meses se concretizou. Por coincidência, a mesma empresa que faz o intermunicipal também ganhou o transporte municipal e agora nós nos encaminhamos para fazer a interoperabilidade dos sistemas, ou seja, um aproveitamento melhor das linhas municipais com as linhas intermunicipais.
O que que isso vai levar ao usuário, que é o que interessa aos nossos trabalhadores? Primeiro que nós vamos reduzir o custo de aporte da Prefeitura é todo mês que a gente precisa colocar no transporte. Segundo, nós vamos ter mais linhas, nós vamos ter mais agilidade e nós vamos ter mais qualidade nos ônibus. Fazendo a interoperabilidade dos sistemas, não vai ter aquilo que a gente sempre chamava, que era a sobreposição das linhas. Uma hora passava um ônibus vazio intermunicipal, atrás também passava outro ônibus vazio municipal.
Agora vai ter um ônibus, com o mesmo cartão que o cidadão ele vai poder fazer a integração, pagar uma passagem para ir para Canoas e também vai poder andar aqui dentro do município o quanto ele quiser. Então isso vai reduzir a operação, o custo do operador vai reduzir significativamente, fazendo com que a gente não tenha necessidade de fazer grandes aumentos na tarifa.
Aliás, a tarifa de Nova Santa Rita faz cinco anos que não é aumentada. Então isso nos dará a garantia agora que nós vamos ter uma empresa que não terá sobreposição de linha, que levará mais horários para as pessoas e nós vamos conseguir manter esse preço que a gente vem trabalhando já.
DC – E como é que vai funcionar, prefeito? Qual é a ideia?
Battistella – A ideia é nos horários de pico continuem os ônibus intermunicipais entrando nos bairros, levando as pessoas até Canoas.
Entre pico, nós vamos ter os ônibus municipais girando dentro da cidade, somente os municipais, e os intermunicipais vão no paradão do centro pegar as pessoas e também no paradão do Berto Círio, para levar até Canoas.
Ou seja, no horário entre pico não teremos mais essa sobreposição de transporte intermunicipal e transporte municipal ao mesmo tempo fazendo essas vias. Isso estava causando um prejuízo enorme na operação. Nós vamos reduzir os custos, vamos encher mais os ônibus e vamos tornar sadia a operação.
DC – Tem data para começar?
Battistella – Não tem data ainda porque a gente está fazendo um estudo e, obviamente, que a Metroplan deve autorizar isso para que funcione.
DC – E o futuro político, prefeito, tem alguma previsão, novidade? Como estão planejando essa sucessão, já que o senhor não vai poder concorrer à reeleição?
Battistella – Primeiro quero dizer que eu sou muito feliz por tudo que eu consegui construir. A gente está fechando quatro mandatos do nosso partido. Eu estou fechando 16 anos de vida pública, oito como secretário, agora oito como prefeito. Fiz a maior votação da história dessa cidade. Fui o único prefeito no Rio Grande do Sul a fazer toda a Câmara de Vereadores. Estou muito feliz com o momento que a cidade está vivendo.
Nesse momento a gente não está pensando em reeleição, não estamos pensando em política, a gente está pensando em fazer um segundo mandato extraordinário. E eu já vou deixar dito aqui, o meu segundo mandato vai ser melhor do que o primeiro. Nós estamos com bastante experiência. Eu tenho uma equipe madura, que entendeu o recado do nosso governo, que primeiro é atender as pessoas com excelência, é saber utilizar bem o recurso público, é fazer mais com menos. Obviamente que a gente tem excelentes nomes, que a gente está pensando paro futuro. Eu tenho muitos jovens ao meu lado, com força de trabalho. A minha preocupação agora é fazer o segundo mandato e entregar melhor do que o primeiro.
E obviamente que depois de eu fechar esse ciclo eu encerro a minha vida política. Eu vou pra iniciativa privada. Sou muito feliz por tudo que eu já fiz aqui nessa cidade. Eu acho que eu estou dando uma contribuição enorme para sociedade e vou deixar aqui grandes amigos, vou ajudar na reeleição, mas vou fechar um ciclo maravilhoso que eu posso agradecer a Deus por eu ter já feito essa caminhada até aqui e a gente na política vai encerrar por aqui.
DC – Isso é uma decisão pensada ou era já era teu planejamento ao longo da vida pública?
Battistella – Na verdade, antes de eu estar aqui, eu era da iniciativa privada. Então, eu vim para cá porque Deus me deu uma missão e eu estou cumprindo com essa missão. São 16 anos que eu tenho certeza que depois eu vou poder caminhar de cabeça erguida.
E a minha esposa trabalha na iniciativa privada. Eu também quero agora, porque a vida pública tu tem que te dedicar 24 horas. Senão tu não consegue fazer gestão, uma boa gestão. E eu não sei ser pela metade. Eu sou 24 horas, eu não paro nunca. Eu trabalho todas as horas, todos os minutos. Eu estou em todos os cantos prestando serviço pra sociedade.
Só que isso também vai consumindo a tua energia. Eu tenho uma filha pequena, quero ter mais tempo para dar atenção para ela. Enfim, pode ser que eu ajude com outros projetos, mas na iniciativa privada. E não tenho pretensão de concorrer em nenhuma outra cidade.