Aves e penas; peixes e escamas; mar e vento; o concreto e o abstrato. A programação da Casa de Artes Villa Mimosa abriu o ano concedendo espaço para uma jovem de apenas 17 anos que gosta de divagar sobre a tela, com tintas e pincéis.
A canoense Alice Rossoni apresenta parte de sua produção em uma mostra de quadros que, embora considere “íntima e pessoal”, tem amplitude para alcançar qualquer apreciador da boa arte.

Foto: Paulo Pires/GES
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As obras que permanecerão por um mês na Villa Mimosa traduzem o universo da jovem pintora, que desde a tenra idade se afeiçoou pelo desenho e a pintura como forma para expressar sentimentos.
“Sempre gostei de desenhar e pintar, mas foi em 2017 que o meu pai me presenteou com um cavalete e tela”, recorda. “Desde então, tenho estudado mais e aperfeiçoado técnicas para chegar ao resultado que eu gostaria. Descobri que a arte dialoga com a vida e o cotidiano. Tudo pode ser pintado.”
Apaixonada pela obra do pintor francês Claude Monet, Alice revela que foi por meio de um curso no Colégio Maria Auxiliadora que reforçou o apreço pela arte e o que é belamente retratável.
“Estudei e conheci artistas e modelos que gosto e admiro”, diz. “Quero continuar aperfeiçoando a minha técnica e pintando, sejam animais, pessoas ou mesmo o abstrato que dá voz aos meus pensamentos.”
Quem entra na Villa Mimosa, pode observar que a maior parte do trabalho da jovem é pintada em espaço limitado a 30 x 30 centímetros. O desafio da jovem é aumentar o escopo e pintar quadros maiores.
“É minha ideia pintar obras maiores e mais amplas, mas acredito que será uma evolução natural. Tipo, chegará o momento em que minha imaginação transcenderá o espaço, porque antes eu tinha medo de quadros grandes”, brinca.

Foto: Paulo Pires/GES
Exposição
Sobre a mostra reunida na Villa Mimosa, embora um quadro de autorretrato se destaque pela singela beleza com que representa a autora na infância, é possível notar a quantidade de peixes. Muitos peixes, dentro ou fora d’água, chamam a atenção, porque alguns estão em sofrimento ou, até mesmo, mortos.
“A ideia de fazer essa exposição surgiu no fim de 2024, quando comecei a pintar muitos peixes e a pesquisar mais sobre os peixes betas, que são peixes de aquário”, lembra. “A partir disso, passei a usar a arte como uma crítica social. Com o tempo, todo o contexto foi se modificando, porque eu olhava para a parede e me via ali: eles tinham minha alma, minha personalidade, meus medos e inseguranças.”
Força em casa
Avó de Alice, Iles Rossoni esclarece que, desde pequenininha, a neta sempre esteve interessada em lápis e desenho. Rabiscava o que via pela frente com o maior prazer e atenção.
“A gente notou desde muito cedo que ela tinha um olhar peculiar para a arte”, elogia. “Quando ela se dedicava a desenhar alguma coisa, saía o mais próximo da realidade possível. Era uma maravilha.”
Com o passar do tempo, houve o incentivo cada vez maior para que a jovem se dedicasse à arte. Isso em uma época em que as novas gerações estão cada vez mais desatentas com trabalhos manuais e práticos.
“Ela poderia estar com um celular na mão, mas gosta mesmo é de mexer com as tintas a óleo, os pincéis e os quadros, o que é uma maravilha. O trabalho da Alice é recente e já possui uma assinatura autoral.”
Saiba mais
Localizada na Avenida Guilherme Schell 6270, a Casa das Artes Villa Mimosa funciona de terça a quinta das 9 horas ao meio-dia e das 14 às 18 horas; sextas das 8 às 14 horas; e aos sábados e domingos das 14 às 18 horas, com visitas apenas na sala de exposição nos fins de semana. Pode-se também agendar visitas guiadas pelo telefone (51) 3428-5789.
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