O mau tempo que atingiu o Rio Grande do Sul e as consequentes cheias dos rios fizeram com que alguns moradores da Praia do Paquetá precisassem voltar a conviver em meio a muita água, mas não apenas eles.

Foto: Paulo Pires/GES
Na Rua da Barca, no bairro Harmonia, há 25 moradores que também precisam conviver com as inundações, já que viram pátios e casas serem atingidas pela elevação do Rio dos Sinos.
Um ano após a tragédia que atingiu Canoas, em maio do ano passado, a situação traz desconforto, já que muitos estão cadastrados no programa Compra Assistida, mas não receberam sinal para deixar o local.
“Eles meio que esquecem da gente”, lamenta o aposentado Gilberto de Lima. “Eu assinei a papelada toda quando a Prefeitura veio, no ano passado, mas depois nunca mais apareceram para dizer alguma coisa.”
O motorista de caminhão Vagner dos Santos, 41 anos, vive com uma menina autista, que sofre com câncer, na área de inundação. Ele lembra que, durante o cadastro, foi informado que seu caso merecia urgência.
“A gente queria ter ido embora”, diz. “Eu nem poderia morar em uma área assim, mas não tenho condições para sair sozinho”, explica. “Pensei que, depois da enchente do ano passado, a ajuda viria, mas nada aconteceu.”
Apesar da situação complicada vivida atualmente pela população ribeirinha da Barca, a preocupação, principal, é com o futuro e não com o presente imediato, confirma Santos.
“O secretário de Assistência Social vem aqui. Márcio Freitas veio, conversou com a gente, doou cestas básicas. E a Defesa Civil também nos ajudou muito, mas o problema é que a gente precisa sair. Isso, sim, parece não ter solução.”

Foto: Paulo Pires/GES
Subindo
O Rio dos Sinos continuava subindo nesta quarta-feira, com o nível a 4,53 metros, três centímetros acima da cota de inundação de 4,50 metros, com acréscimo de 0,3 centímetro por hora.
Pescador da área ribeirinha da Barca, Sebastião Müller, 56 anos, vive em uma casa mais alta por estar acostumado com a água que entra durante o inverno. Ele mantém, portanto, uma rotina de auxílio aos moradores.
“Eu entro e saio do rio o dia inteiro”, conta. “Ajudo quem precisa, mas tem gente que não tem condições de continuar morando aqui. Seria bom se alguém entendesse e conseguisse ajudar”, observa.

Foto: Paulo Pires/GES
Problema há décadas
Considerado um dos pontos de maior vulnerabilidade de Canoas, a Barca vem sendo discutida ao longo dos anos, embora o problema da habitação não tenha sido resolvido por nenhum governo.
Em 2023, um ano antes da enchente, o prefeito Jairo Jorge chegou a incluir a Barca no programa “Minha Casa, Minha Vida”, no entanto, houve entraves jurídicos que impediram o andamento do processo.
A esperança surgiu novamente no ano passado, quando o Governo Federal lançou o programa Compra Assistida, que permite a famílias comprem imóveis novos ou usados, com valor de até R$ 200 mil.
Os moradores, entretanto, reclamam que houve apenas o cadastro, sem um sinal posterior à solução do problema.
Habitação
A reportagem do DC entrou em contato com a Prefeitura de Canoas para saber como andam os trâmites da Secretaria de Habitação com relação à população da Barca, no entanto, até o fechamento desta matéria, a Administração trabalhava no retorno.
Sem retorno
A reportagem também tentou contato com o Governo Federal, contudo não houve retorno até o fechamento desta matéria.