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Dia de Finados

"A presença partiu, mas o sentimento segue no coração": movimento é intenso nos cemitérios de Canoas

Manhã deste domingo (2) é de movimentação ao longo da Avenida Santos Ferreira desde as primeiras horas

Publicado em: 02/11/2025 às 13h:01 Última atualização: 02/11/2025 às 13h:02
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Caminhando sozinha, por entre um mar de sepulturas, Frederica Luz, 68 anos, disse não ter conseguido a companhia dos irmãos para visitar o sepulcro onde estão o pai e a mãe desde 2011.

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“O mundo mudou muito”, diz. “As pessoas parecem que não têm mais tempo, mas eu continuo vindo. Gosto de orar e de lembrar. Porque a presença partiu, mas o sentimento segue no coração.”

Houve orações no Cemitério Santo Antônio desde as primeiras horas da manhã deste domingo (2), em Canoas | abc+



Houve orações no Cemitério Santo Antônio desde as primeiras horas da manhã deste domingo (2), em Canoas

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

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O domingo (2) que marca a celebração do Dia de Finados movimenta milhares de pessoas, desde as primeiras horas da manhã, ao longo da extensão da Avenida Santos Ferreira, em Canoas.

Também sozinha, Ângela Pereira Rodrigues, 63 anos, saiu cedo de casa para limpar a lápide onde estão os parentes no Cemitério Municipal Santo Antônio. Para ela, o dia convida à reflexão.

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“Desde a enchente, a situação é muito difícil”, diz. “É bom, então, vir e refletir um pouquinho sobre a finitude dessa vida. Acho que a gente tem que agradecer a saúde de cada dia.”

Orando diante do sepulcro onde estão a esposa e o filho, Laurino dos Santos conta que perdeu a mulher aos 55 anos devido a um AVC e o filho precocemente aos 36 anos acometido por um câncer.

“Eu nunca me recuperei realmente”, comenta. “Só que não deixo de vir e prestar uma homenagem. Eu vejo as pessoas se queixando muito, mas não reclamo. Porque a vida me cobrou caro, mas também me deu saúde para superar a dor.”

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Ângela Pereira Rodrigues prestou homenagens aos entes que partiram na manhã deste domingo (2) | abc+



Ângela Pereira Rodrigues prestou homenagens aos entes que partiram na manhã deste domingo (2)

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

Impacto

No Cemitério Municipal Chácara Barreto, houve rodas de oração e velas acesas ao longo de toda a manhã. Após prestar homenagens, Maria da Graça Silveira, 74 anos, deixou o espaço de costas.

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“Faço minha homenagem normal. Só que na hora de sair, atravesso o portão de costas porque estou deixando o luto. Tem muita dor neste lugar. E desde a enchente no ano passado, piorou muito”, opina a aposentada.

Já Horácio Nunes, 56 anos, em vez de rezar, tirou a manhã para pintar com tinta verde a sepultura onde o pai acabou se juntando à mãe há dois anos e meio, um gesto de respeito que queria ter organizado há mais tempo.

“Moro no Mathias Velho e desde a enchente a situação está bem complicada”, conta. “Agora que conseguimos nos recuperar bem e mobiliar a casa. Ano passado, infelizmente, nem consegui vir no Dia de Finados.”

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A comerciante Nalu Barros trabalha há anos no Dia de Finados vendendo velas e flores em Canoas | abc+



A comerciante Nalu Barros trabalha há anos no Dia de Finados vendendo velas e flores em Canoas

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

Comércio menor

Há dez anos vendendo flores e velas em frente aos cemitérios durante o Dia de Finados, a comerciante Nalu Barros, 65 anos, lamenta a diminuição do movimento na comparação com anos anteriores.

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“Eu penso que a enchente empobreceu muito Canoas, porque o cemitério costumava ficar que era um formigueiro no Dia de Finados, mas o movimento, desde cedinho, é muito menor que em outros anos”, afirma.

Conforme a comerciante, somado à perda financeira de uma parcela da população atingida pela catástrofe, existe um certo desinteresse das novas gerações em se concentrar em coisas que não estejam ligadas à tecnologia.

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“A gente vê os mais antigos vindo e prestando homenagens”, observa. “Parece complicado para os mais novos tirar um tempinho. Espero que mude a situação, mas acho difícil.”

Reclamação

Além do reforço das linhas, a Prefeitura de Canoas colocou ônibus para circularem do Centro até a área dos cemitérios ao longo do dia, mas a iniciativa anunciada no começo da semana acabou recebendo críticas dos usuários de transporte público.

Moradora do bairro Harmonia, Catarina Soares, 59 anos, explica que todo ano o transporte era implementado, levando a população do bairro até a Avenida Santos Ferreira. Agora, precisou descer no Centro para pegar o circular.

“Conseguiram piorar até isso”, reclamou. “Quem mora nos bairros sabe que sempre colocaram ônibus com destino ao cemitério. Daí, nesse ano, o ônibus me largou na estação do trem e precisei esperar mais meia hora para pegar outro.”

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