Moradora de um prédio na Avenida Victor Barreto, Heloísa Cardoso, 54 anos, tem como vista da janela de casa o popular “esqueletão” de Canoas. O prédio abandonado há anos faz parte da triste paisagem de quem mora no Centro.
“Eu lembro como se fosse hoje o entusiasmo das pessoas comentando sobre a construção”, conta. “Só que o tempo passou e nada aconteceu. Foi lá em 2013, até onde eu lembro, que nunca mais vi alguém ali. Largaram de mão.”

Foto: Paulo Pires/GES
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Eis que o prédio abandonado mais popular de Canoas vai ganhar vida nova. Tudo graças a um empreendimento que garantirá a revitalização do edifício às margens da BR-116, em Canoas.
“Desde que a Caza Incorp iniciou os projetos de retrofit na cidade, o ‘esqueletão’ nos despertou o interesse e se tornou uma aspiração, um desejo de incorporar esse empreendimento e transformá-lo”, explica Renan Zancanaro, diretor da empresa que adquiriu o imóvel.
Ele revela que, há cerca de três anos, procurou os proprietários e tentava realizar a aquisição. Nesse período, a Caza Incorp já entregou dois retrofits para a cidade. O primeiro, o Caza Urbano, um prédio comercial na Avenida Santos Ferreira, movimentou a área.
Outro retrofit é o residencial Caza Linck, na Rua Emboabas, que, em doze meses, foi finalizado e agora aguarda os licenciamentos, previstos para janeiro, para a entrega definitiva aos novos proprietários.
“O retrofit é uma tendência em grandes cidades do mundo”, afirma Zancaro. “A ideia central é partir da estrutura abandonada. No entanto, não se trata somente de finalizar ou de uma reforma. O retrofit utiliza as técnicas construtivas atuais, trabalha com a expertise da engenharia e da arquitetura para modernizar o projeto, inclusive com novos usos, diferentes do projeto original.”
Com a negociação do “esqueletão” concluída, os empreendedores trabalham com ideias que incluem estudos em andamento que, por questões comerciais, ainda não podem ser revelados.
“Ainda não podemos anunciar o projeto ou a previsão de início de obras, considerando etapas anteriores a serem vencidas, como licenciamentos”, esclarece Zancanaro. “Afinal, são quase três décadas e a Caza é uma empresa que só inicia obras para entregá-las a seus clientes, investidores e à própria cidade”, acrescenta.
Avaliação
O que a equipe da incorporadora já adianta é que pretende fazer esse processo em conjunto com a comunidade, afinal, o prédio faz parte do imaginário do canoense.
Secretário de Desenvolvimento Urbano de Canoas, Marcos Daniel, está acompanhando o processo de requalificação e valorização dos centros urbanos com o retrofit, inclusive com futuros projetos de incentivo à prática na cidade.
“A retomada do chamado ‘esqueletão’ de Canoas representa não apenas a conclusão de uma estrutura que por anos simbolizou estagnação, mas também a reativação de um ponto central da cidade, com impactos positivos na paisagem urbana, na segurança, na vitalidade econômica e na ocupação qualificada do centro”, analisa.
História
Quando foi projetado, há quase trinta anos, a proposta da construção era inovadora e incluía até mesmo um heliponto no teto, lembra o arquiteto Deivis Brenner, que teve contato com o projeto original.
“Considerando a localização estratégica de Canoas em relação à capital, a movimentação de empresas e logística a partir da Base Aérea, da Petrobras e outros negócios, o prédio teria torres residenciais, áreas de comércio no amplo espaço do térreo e um heliponto no teto”, explica.
A obra foi iniciada entre o final de 1999 e o início do ano 2000. As paredes foram subindo e quem passava na BR-116, sobre o viaduto da Metrovel, podia vislumbrar a estrutura imponente que se tornaria uma referência eterna na cidade.
Com o passar dos anos, entretanto, a obra foi perdendo o fôlego. Passou a ser conhecida como “esqueletão” ou “prédio laranja” para os moradores que circulam nas imediações da Rua Cândido Machado, onde está situada a entrada.
Comerciante do Centro de Canoas, Adroaldo Gouveia, 61 anos, comemora a novidade, que em sua avaliação garantirá a valorização de uma área praticamente combalida desde que o prédio foi abandonado.
“Penso que aquela área poderia ter crescido muito, caso o prédio não tivesse sido abandonado”, opina. “Imagino, então, que esta retoma possa servir para revitalizar a área e revalorizar os imóveis e negócios em torno dela.