Foi em meio à enchente que inundou Canoas no ano passado que Marcelo Petzhold, 59 anos, deixou para trás a antiga cadeira de rodas para entrar em um barco, escapar do desastre e salvar a própria vida na maior tragédia natural já vista na cidade.
Valia-se das próteses nas pernas para se locomover o tempo inteiro desde então. Ele recebeu uma nova cadeira na manhã desta terça-feira (16), quando a Associação Canoense de Deficientes Físicos (Acadef) organizou a última entrega deste ano.

Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL
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“Tive artrose severa há 20 anos”, lembra. “A situação piorou e acabei com as duas pernas amputadas. Uma em 2013 e a outra dois anos depois. Consegui próteses, mas a cadeira auxiliava demais e vai ser muito bom poder contar com uma novamente.”
Ao todo, foram 43 cadeiras de rodas e mais duas próteses entregues nesta terça-feira. Fazem parte de um total de mais de 400 equipamentos que beneficiaram deficientes usuários do Serviço Único de Saúde (SUS) ao longo de 2025.
Vice-presidente da Acadef, Telma Ribeiro ressaltou que, ao contrário do que se diz, a Associação “não precisa de dinheiro”, os convênios e parcerias vão continuar para que o auxílio à população perdure.
“A Acadef tem dinheiro, sim. Só que ele é oriundo de emendas parlamentares, parcerias e projetos bem executados que encontram aporte de governos”, explica. “O resultado do nosso trabalho é fruto da entrega de um time de profissionais excelentes e prontos para ajudar a todos.”
Prestes a assumir a presidência da Acadef, Telma não deixou de tratar das dificuldades enfrentadas pelas Pessoas com Deficiência (PCDs). Ela, mesmo com uma deficiência congênita, disse ser preciso continuar estendendo a mão.
“Eu sei que a minha mão não vai crescer de novo, mas precisamos superar as dificuldades”, disse. “Eu sei que muitos aqui gostariam de ir ao shopping, mas não tinham como chegar lá. Então, que essas cadeiras sirvam como se fossem asas e façam com que cheguem onde quiserem.”
Elogios
Prefeito de Canoas, Airton Souza participou da entrega organizada na sede da Acadef, no bairro Nossa Senhora das Graças. Se emocionou ao entregar ele mesmo o primeiro equipamento da manhã.
“Eu não consigo mensurar o sentimento de receber uma cadeira de rodas ou uma prótese, mas quem precisa sabe o que sente”, afirmou. “O que eu sei é a diferença que a Acadef faz nas vidas das pessoas”, elogiou.
Airton aproveitou a presença das autoridades para ressaltar os esforços do Município na área da saúde, permanecendo como referência para 150 cidades gaúchas que passam por Canoas.
“A saúde não está um caos como muitos dizem”, afirma. “Assumimos o governo com dificuldades, mas estamos trabalhando e a situação está melhorando desde então para atender cada vez melhor a população.”
Cuidados
Antes da solenidade, o diretor e responsável técnico da Acadef, Jivago Di Napoli, conversou com cada um dos beneficiários sobre os cuidados exigidos para quem receberia os equipamentos.
Foram dicas simples sobre a manutenção e cautela ao usar plataformas e escadas, além de detalhes sobre o armazenamento de suportes essenciais a cada um dos equipamentos recebidos.
Parente de um beneficiário, Sofia Marin, 34 anos, elogiou o trabalho e diz que essa atenção até mesmo às pequenas coisas faz com que a Acadef seja uma referência que ultrapassa os limites de Canoas.
“Aqui, cada um enxerga a Pessoa com Deficiência de um modo diferente. Prestam atenção e escutam a dificuldade de cada um”, defendeu a enfermeira. “Eles acolhem e amparam o PCD como todo mundo deveria fazer.”
Saiba mais
Prestes a completar 42 anos, a Associação Canoense de Deficientes Físicos (Acadef) é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, de utilidade pública municipal, estadual e federal. Atua em Canoas, Vale dos Sinos e Vale do Paranhana, articulando ações de reabilitação física, intelectual, auditiva e de inclusão social, que desenvolvam as potencialidades da pessoa com deficiência e outras minorias. Atualmente, a Acadef possui mais de 45 mil associados.