Inundação

"Acostumei a dormir no barco em frente de casa", diz morador de Nova Santa Rita

Embora parte da população esteja retornando nesta terça-feira, há moradores que continuam com as casas inundadas há 20 dias

Publicado em: 21/05/2024 16:46
Última atualização: 21/05/2024 17:10

O drama perdura em Nova Santa Rita, onde as cheias dos rios Caí, Jacuí e Sinos já afetaram mais de 5 mil pessoas desde o início do mês, mantendo ainda uma parcela da população longe de casa.

A situação em Nova Santa Rita permanece preocupante Foto: PAULO PIRES/GES

A situação ainda é crítica para os moradores do bairro Berto Círio, onde o nível da água do Rio dos Sinos continuava alto e inundando residências na manhã desta terça-feira (21).

Sem querer sair de casa por medo dos roubos, o motorista Daniel Azevedo, 47 anos, cumpre uma dura rotina dormindo no barco para não roubarem a casa em que vive no batizado Beco do Miguel.

“Se roubarem um botijão, já me custa R$ 300 que mal tenho para pagar, porque a minha empresa parou”, explica. “Acostumei a dormir no barco em frente de casa. Me revezo com o meu irmão durante a madrugada”, acrescenta.

Gabriele Vidal também continua longe de casa e diariamente indo até o local para conferir se a água baixou ou não. A vontade de voltar para casa, afinal de contas, é grande, diz a professora de 39 anos.

“Eu estou bem na casa de parentes, mas a ansiedade continua grande”, relata. “Eu não sei nem se a minha casa está de pé, porque várias outras aqui mesmo no bairro acabaram não resistindo e foram abaixo.”

Retorno com trabalho

Em paralelo ao desespero da população que quer voltar para casa e ainda não conseguiu, há também aqueles moradores que retornam e acabam encontrando somente o prejuízo.

“Só sobrou a louça lá em casa”, aponta a dona de casa Ana Cláudia Ferreira, 42. “A gente entrou só para botar coisa fora, porque o que ficou, não presta mais nada. Tudo lixo que estamos amontoando no pátio.”

Marido de Ana Cláudia, Paulo Roberto Ferreira, 49, conta que vive no local há 23 anos e nunca pensou ver a casa coberta até o telhado de água. “Comecei a limpeza em casa, mas não tenho muita perspectiva de quando a gente vai conseguir comprar as coisas de novo, porque até o serviço está escasso”, diz o operador de máquinas. “Entrou água até na minha empresa.”

Limpeza já começou

Diante do quadro de recuo das águas, a Prefeitura de Nova Santa Rita deu início a um trabalho de limpeza da cidade em diferentes bairros desde segunda-feira (20). No Berto Círio, após recolhido o mobiliário inutilizado devido à água suja acumulada nas últimas semanas, foi feito o hidrojateamento, da Avenida Getúlio Vargas, nas imediações da Rua 20 de Março, e também na estrada dos Bloedow, no bairro Morretes.

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